Já estamos bem habituados aos nossos avatares nas redes sociais, compras online e negócios de plataforma. Mas a evolução da tecnologia anuncia experiências mais profundas que já estão provocando um boom imobiliário: o metaverso. 

Para além dos ambientes de interação nas sociedades digitais, o metaverso anuncia colocar à disposição um mundo virtual 3D onde é possível realizar atividades de maneira cada vez mais realista, como fazer compras, assistir a shows e fazer reuniões de trabalho.

A CNBC divulgou em fevereiro que as vendas de imóveis nas quatro principais plataformas do metaverso atingiram US$ 501 milhões em 2021, de acordo com a MetaMetric Solutions. As vendas em janeiro chegaram a US$ 85 milhões e a empresa projeta que, nesse ritmo, podem chegar a quase US$ 1 bilhão em 2022.

A recente elevação pode ter sido desencadeada pelo anúncio do Facebook, em 28 de outubro, de que estava mudando de nome para Meta para se concentrar no desenvolvimento do metaverso. As vendas de imóveis aumentaram quase nove vezes, para US$ 133 milhões, em novembro, segundo a MetaMetric. 

Ainda de acordo com a publicação, o crescimento das vendas diminuiu desde então, mas o total de vendas de janeiro ainda será mais de 10 vezes os níveis de janeiro de 2021. Um relatório da BrandEssence Market Research descobriu que o mercado imobiliário metaverso deve crescer a uma taxa anual de 31% ao ano de 2022 a 2028. 

Não é necessário nenhum hardware especial para acessar o metaverso, mas investir em imóveis digitais significa trocar seu dinheiro pela criptomoeda da plataforma em que você está interessado em comprar imóveis virtuais. O consultor em estratégia de negócios, Bernard Marr, indica em artigo da Forbes que empresas globais como PwC, JP Morgan, HSBC e Samsung já compraram terrenos virtuais que pretendem desenvolver para diversos fins. 

Aqueles que chegaram cedo já tiveram grandes retornos: há menos de um ano o preço médio do menor terreno disponível para compra no Decentraland ou no Sandbox – duas das maiores plataformas do metaverso – estava abaixo de US$ 1.000. Hoje está em torno de US $ 13.000.

O que são imóveis digitais?

Apesar do sucesso inicial, o metaverso ainda está começando a ser conhecido por investidores imobiliários e o mercado levará algum tempo para absorver não apenas o conceito, mas também seus mecanismos. O importante é que você compreenda que o metaverso propõe uma realidade paralela onde a vida pode ocorrer de forma simultânea ao cotidiano material da realidade física.

Isso significa que você poderá disfrutar de quaisquer ambientes em suas versões digitais: parques, espetáculos, centro de compras e mesmo frequentar empresas cuja sede permanece estabelecida no mundo real, mas sua versão virtual poderá oferecer novas ferramentas tanto para clientes quanto para colaboradores internos.

A corretora financeira The Motley Fool elenca atualmente apenas quatro plataformas em operação que oferecem oportunidades significativas para a compra de imóveis virtuais: Decentraland, The Sandbox, CryptoVoxels e Somnium Space – Decentraland e The Sandbox estão absorvendo a maior parte do interesse comercial neste momento.

O terreno em cada plataforma do metaverso é limitado a um número definido de lotes. A quantidade varia, dependendo da plataforma. Dessa forma, o terreno no metaverso ou terra é uma mercadoria limitada – e é por isso que os investidores estão tão interessados ​​em colocar o pé na porta antes que os melhores lugares sejam conquistados.

Os imóveis virtuais nessas plataformas são garantidos com escrituras reais na forma de tokens não fungíveis (NFTs). Quando você compra um imóvel digital, sua compra é registrada no blockchain e o NFT é transferido para sua carteira digital, o mesmo local em que você armazena sua criptomoeda. Ou seja, o processo é semelhante à compra de um imóvel físico, já que a propriedade tem registro comprovado.

Imóveis virtuais são um bom investimento?

A corretora de imóveis Kristi Waterworth destaca que, embora os imóveis do metaverso sejam empolgantes e muitas pessoas estejam interessadas nisso agora, ainda é um investimento especulativo. “Pense nisso como comprar terras em uma cidade recém-formada quando a América estava avançando para o oeste. Algumas dessas cidades finalmente se ergueram, mas muitas delas estão enterradas sob a areia do deserto real ou sob as areias figurativas do tempo.”

Embora não seja possível prever se a plataforma de sua escolha vai ou não prosperar, é importante notar que algumas delas estão em operação desde o início dos anos 2000 e a profissional destaca que suas comunidades são engajadas e comprometidas. Ou seja: “se você planeja comprar no metaverso, pode ser uma boa ideia ajudar a tornar a comunidade mais envolvente, mesmo que seja apenas construindo algo interessante ou realizando eventos comunitários que funcionem como ferramentas promocionais.”

Inclusive, assim como no mundo real, regiões próximas a empresas que já estão desenvolvendo seus empreendimentos são mais valorizadas e a localização continua sendo muito importante no terreno virtual. O espaço vazio do metaverso pode parecer difícil de avaliar, mas pense nisso como um terreno baldio onde qualquer coisa pode ser instalada – inclusive uma casa para chamar de lar, por exemplo. Assim como as redes sociais, as casas do metaverso se tornarão uma maneira de os indivíduos expressarem sua personalidade online ou abrigarem suas coleções digitais exclusivas.

A compra de terrenosno metaverso em qualquer uma das plataformas pode ser feita diretamente, mas você precisará de uma carteira capaz de armazenar seus investimentos. Bernard Marr informa em seu artigo na Forbes que, além de comprar diretamente das plataformas, também existe um movimentado mercado de revendedores terceirizados, assim como no mercado imobiliário do mundo real.

É seguro comprar um imóvel no metaverso?

Muitos se perguntam s=como comprar terreno no metaverso e se é algo que necessita de cuidados. “Plataformas como opensea.io e nonfungible.com atuam como agentes imobiliários descentralizados, permitindo que os vendedores listem suas propriedades e preços e que os compradores negociem.” Para o profissional, a compra de terrenos virtuais ainda é um investimento de alto risco, assim como criptomoedas e NFTs. “Para começar, o mercado é amplamente desregulamentado, o que significa que se algo der errado – como um vendedor se tornar um vigarista e desaparecer com seu dinheiro –, os canais para buscar restituição não estão desenvolvidos.”

No geral, desde que você se lembre de sua senha, o risco de alguém conseguir roubar seu imóvel virtual ou burlar acordos para pagar aluguel é atualmente mínimo. No entanto, há preocupações de que a tecnologia futura (como a computação quântica) possa tornar as medidas de segurança criptográficas de hoje obsoletas. Isso não é um problema agora, mas pode ser uma questão a ter em mente se você estiver pensando em fazer investimentos grandes e de longo prazo.

Para finalizar, existem as questões relativas à valorização imobiliária e também à escassez. Enquanto no mundo real a terra é um recurso finito, no metaverso a limitação inexiste. A escassez é artificial e nada impede uma empresa de desenvolver novos terrenos virtuais a fim de atender a demanda. Ou seja, como seu valor depende de criptomoedas altamente voláteis, a terra do metaverso também é suscetível a condições voláteis e seu valor futuro não pode ser ancorado.


Gigantes globais estão apostando todas as suas fichas na ideia de que a próxima revolução digital será o desenvolvimento do metaverso. Se empresas como Facebook, Nvidia e Microsoft estiverem certas, é provável que o mercado imobiliário virtual se torne cada vez mais relevante, evoluindo para produtos personalizados e serviços complexos que incluem experiências completas de mobiliário, paisagens e arte em propriedades digitais.

Atualizado em: 20.05.2022 ás 14h47