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“Brasileiros estão menos avançados em prédios ESG“, observa CEO da Colliers

Paula Casarini observa mudança no mercado de escritórios corporativos e queda na busca por vagas de garagem

Por:Breno Damascena 08/03/2024 5 minutos de leitura
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A executiva diz que a pandemia impulsionou um mutirão de cancelamentos de contratos e devolução de salas. Hoje, empresas fazem caminho contrário/ Crédito: Divulgação

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No último trimestre de 2023, o mercado de escritórios corporativos de alto padrão da cidade de São Paulo registrou o maior nível de absorção bruta dos últimos quatro anos: 81 mil m². De acordo com a Colliers, empresa de gestão e comercialização de imóveis corporativos, o número supera os valores alcançados antes da pandemia de COVID-19. À frente da companhia, Paula Casarini entende que o movimento era previsível.

Com 68 escritórios espalhados pelo mundo, a empresa ostenta mais de US$ 92 bilhões de ativos sob gestão globalmente. No Brasil, aproximadamente 200 funcionários são responsáveis pela gestão de 13 milhões de m² de escritórios e galpões logísticos, sendo 4 milhões de m² de escritórios de alto padrão na capital paulista. Os números simbolizam a retomada após uma queda que começou na quarentena.

Paula, CEO da Colliers, lembra que o período foi marcado por entregas de escritórios após decisões tomadas rapidamente. Na companhia há 17 anos, ela afirma ter vivenciado diversas ondas no setor, impulsionadas por crises econômicas e mudanças de comportamento da população. Entre elas, uma maior ou menor demanda por vagas de estacionamento em edifícios corporativos. 

Hoje, ela destaca uma tendência das empresas em buscarem contratos menores, o retorno dos funcionários ao presencial, o descontentamento com escritórios compartilhados e a mudança de layout dos postos de trabalho. Paula também observa que as empresas europeias estão mais preocupadas com as questões ESG e acredita que decisões de mudança de escritório estão menos centralizadas. 

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Dizia-se que a pandemia decretaria o fim do trabalho presencial. Hoje, vemos um movimento de retomada. Como você enxerga este cenário? 

“Na pandemia, as pessoas achavam que ninguém mais ia ter escritório. Começou um frenesi de entregas de salas e negociação de quebras de contratos para a saída. Eu acredito que tomar decisões nestes momentos de crise não é algo recomendável. 

É claro que dependendo do ramo e do setor, faz mais sentido ser remoto do que presencial, mas não tem condições de todo mundo ser remoto. Mesmo o híbrido tem problemas. Se eu escolher só um dia para ir ao escritório, vou privar os colaboradores de conviverem comigo durante o restante da semana. 

As pessoas não querem passar duas horas no transporte para chegar ao trabalho, mas, às vezes, isso é necessário. Não imagino que todo mundo vai retomar 100%. Tem dias que faz sentido e tem dias que não faz. A retomada aos escritórios representa esta perspectiva.”

O que mudou para as empresas e para os pontos corporativos durante este período de afastamento dos escritórios? 

“Antes, as empresas analisavam o histórico dos últimos anos para decidir como seguiriam dali para frente. Hoje, elas não fazem um planejamento de escritório para longo prazo, não fecham um contrato de cinco ou 10 anos. As estratégias são definidas pensando nos próximos anos, contando com potenciais imprevistos e em um prazo mais curto. 

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A forma como a busca pelo escritório acontece também mudou. Se antes, as companhias chegavam até a gente já indicando o tamanho do espaço que queriam, agora elas nos contam como os funcionários vão trabalhar. ‘Tenho X funcionários que vão ao escritório tantos dias na semana para fazer isso e isso’. A partir daí, a gente avalia o que faz sentido em cada contexto. 

Isso resultou na mudança de layout dos postos de trabalho. As pessoas agora não vão ao escritório para ficar no computador. O escritório um ponto de encontro. Se antes sugeríamos 7 m² por pessoa, agora a recomendação é de 15 m², por exemplo.”

E como o mercado corporativo está se adequando a essas novas demandas? 

“O Brasil tem mudanças o tempo todo. E percebo que a tomada de decisão hoje passa por mais pessoas. Por muitos anos, bastava que o presidente da empresa e, no máximo, a equipe financeira se reunissem para decidir se haveria ou não uma mudança de escritório. Hoje, esse processo é horizontal. 

Antes de decidir voltar ao escritório ou se mudar para um escritório menor, por exemplo, o RH contacta os diretores e gestores do marketing, do T.I., de vendas… 

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Você disse que o Brasil passa por mudanças o tempo todo. Pode trazer outros exemplos dessa transformação? 

Quando o coworking (escritório compartilhado) se popularizou no Brasil foi uma euforia. Várias empresas mudaram para este tipo de tipologia e fomentaram o setor. Agora percebemos um movimento na direção contrária. A equipe se cansa de dividir a sala de reunião, quer uma copa privada. 

Porém, mesmo perdendo a relevância, acredito que os escritórios compartilhados sempre vão ter mercado porque estes escritórios atendem quem está começando ou quem busca este tipo de experiência.  

Outra mudança é em relação às vagas de estacionamento. As empresas, antes, queriam uma vaga de escritório para cada 30 m² locados. Essa não é mais uma demanda tão relevante hoje em dia. Muitas delas preferem disponibilizar um aplicativo de carona ao invés de uma vaga de estacionamento.”

Qual é a diferença do público brasileiro para o público estrangeiro de escritórios? 

Percebo que os brasileiros estão menos avançados em prédios ESG. Quando atendemos empresas europeias, elas solicitam dados sobre como os prédios têm compensação de carbono, energia limpa, eficiência energética, entre outras soluções sustentáveis. 

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Em São Paulo, o ambiente de escritórios mais consolidado do País, dá para contar nos dedos os escritórios que disponibilizam energia limpa. 

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