Aos 4 anos, Ana Oliva visitou pela primeira vez com o avô, Francisco, as instalações da Astra – empresa de material de construção por ele fundada em 1957 e hoje comandada por ela. De certa forma, a companhia “pulou” uma geração de comando. Embora a mãe e as tias de Ana tenham passado pela companhia ao longo do tempo, ninguém da segunda geração chegou ao cargo principal: o de presidente do conselho. Quando Francisco Oliva morreu, em 2013, a liderança do negócio passou diretamente para a neta.

A Astra, também dona da marca Japi, vai chegar à marca de R$ 1 bilhão em faturamento em 2021. A empresa, porém, não começou fabricando os assentos sanitários de plástico pelos quais é conhecida, mas, sim, como marcenaria. Inicialmente, fabricava armários, gabinetes e assentos de madeira – até que, nos anos 1960, o fundador, engenheiro formado pela Poli, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu a inovação que definiria o negócio.

Cinquenta anos mais tarde, Ana Oliva tenta manter aceso na empresa o legado de inovação plantado por “seu” Francisco. Ela olha o negócio tanto do ponto de vista de produto – a Japi, por exemplo, produz itens de apelo mais popular, para preservar a marca Astra – quanto de comunicação com o cliente.

Para aumentar a interação com o consumidor final, a Astra terá uma loja própria: um ponto de venda de 500 metros quadrados será aberto no Shopping Dom Pedro, em Campinas (SP). A ideia é mostrar a linha além do produto principal – hoje, a companhia oferece 8 mil itens. “Vai ser importante para a gente ficar mais perto do cliente final, para entender o que ele está querendo neste momento.”

Com a loja, o marketing da companhia familiar também passará por uma transformação. Até aqui, a conversa se dava com as redes de material de construção, que sempre distribuíram o produto e continuarão a ser o principal canal de venda. As marcas controladas pela família Oliva estão em cerca de 36 mil lojas pelo Brasil.

Começando por baixo

Se quando Ana tinha 4 anos o avô já brincava que um dia ela lideraria os negócios da família, no fim da adolescência da executiva o trabalho no dia a dia se tornou realidade. Aos 16 anos, ela começou a dar expediente no escritório e, pouco depois, Francisco lhe entregou a administração de um negócio secundário da família: uma loja de utilidades domésticas. “Ele me disse: Você tem de entender como funciona estoque, precisa botar etiqueta de preço, deixar a loja limpa e fechar o caixa todos os dias”, lembra Ana, hoje com 40 anos. 


Como é comum ocorrer com herdeiros de negócios familiares, a atual presidente do conselho da Astra também buscou uma carreira própria, trabalhando por alguns anos em bancos e corretoras. Ela admite que voltou ao sofrer certa pressão do avô – que, a essa altura, já tinha decidido que a neta teria o papel de perpetuar o negócio que ele havia começado.

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