São Paulo

Halloween: descubra 5 imóveis mal assombrados em São Paulo

Conheça a história de prédios, terrenos e casas que ganharam contornos de filme de terror na capital paulistana

Por:Breno Damascena 24/10/2022 6 minutos de leitura
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Cidade é cenário de histórias que viraram lendas urbanas, alimentando a imaginação dos moradores/ Crédito: Getty Images

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As ruas brasileiras são terrenos férteis para sonhos e pesadelos. Cada esquina, do sul ao nordeste, abriga casas carregadas de mitos. Os boatos nas vizinhanças amedrontam crianças, impactam adultos e comprovam que existem imóveis mal assombrados no Brasil. Ainda que alguns desses lugares ainda não tenham se tornado cenário de filmes de terror na ficção, já se tornaram famosos e atraem muitos turistas

Confira 5 imóveis mal assombrados que se tornaram populares no País e que mostram que por trás de cada lenda existem histórias reais.

Castelinho da Rua Apa

Castelinho da Rua Apa foi palco de um crime familiar e logo surgiram boatos sobre ser um lugar mal assombrado/ Crédito: Ayrton Vignola/ Estadão

Localizado em uma das esquinas da Avenida São João, o imóvel se tornou notório por ser palco de um crime que chocou a sociedade paulistana. Tudo começou quando o médico Virgílio Guimarães dos Reis faleceu. Dois meses depois, em maio de 1927, Maria Cândida Guimarães dos Reis, de 73 anos, e seus dois filhos, Armando César dos Reis (43) e Álvaro dos Reis (45), foram encontrados mortos no local.

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A versão oficial indica que Armando foi o responsável pela morte do irmão e da mãe. No entanto, as balas que acertaram Maria são de uma arma que nunca foi encontrada, o que atribui tanto mistério ao caso e abre a possibilidade de ter outra pessoa envolvida no crime. 

Fato é que a casa com aparência de castelo se tornou propriedade da prefeitura e hoje é a sede da ONG Clube de Mães do Brasil. Mas os rumores da história trágica e misteriosa continuam rondando a região.

Edifício Martinelli

Prédio se tornou fonte de histórias de terror com relatos de portas que batem sozinhas e vultos nos corredores/ Crédito: Getty Images

Construído em 1929, ele foi o primeiro arranha-céu da América Latina. O passado do edifício, no entanto, é macabro. Ambiente de encontro da elite paulistana por anos, o prédio entrou em lenta decadência ao ser ocupado por moradores menos abastados. Tornou-se um dos maiores cortiços da cidade e, depois, saiu das páginas de fofoca para as páginas policiais dos jornais da época.

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Entre os casos mais notórios, está a morte de Neide, uma mulher encontrada no terreno do prédio vizinho que teria sido jogada do alto do Martinelli. O rosto estava deformado, o corpo apresentava diversas fraturas e o antebraço estava separado do tronco. O acontecimento é permeado de mistérios que até hoje não foram desvendados. 

Antes disso, o prédio já tinha sido ocupado pelas autoridades investigativas quando, em 1947, o adolescente Davilson Gelisek foi encontrado sem vida e com sinais de violência sexual no fosso do elevador.

O imóvel também já ambientou casos de suicídios, assassinatos sem solução, tráfico de drogas e diversos outros crimes. Hoje, no entanto, o local se tornou um dos pontos turísticos mais populares do centro de São Paulo.

Edifício Joelma

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Incêndio trágico deu início às lendas sobre o Edifício Joelma/ Crédito: Acervo/ Estadão

Palco de uma das maiores tragédias da história brasileira, o Edifício Joelma sofreu um incêndio em fevereiro de 1974 que matou 187 pessoas e deixou 300 feridas. 

Inaugurado em 1972, o prédio foi alugado por um banco de investimentos e recebia centenas de pessoas diariamente. Os laudos apontam que o fogo começou com um curto-circuito no ar condicionado do 12º andar. Durante o incêndio, pessoas ficaram presas no elevador e outras saltaram das alturas na esperança de se salvarem.

O evento ajudou a alimentar especulações de que o terreno era amaldiçoado e que os espíritos das pessoas que morreram continuam assombrando o lugar. Funcionários relatam ter ouvido gritos, vozes e até aparições desde então. O prédio mudou de nome e atualmente se chama Edifício Praça da Bandeira.

Largo São Francisco

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Localizado em uma das avenidas mais importantes da cidade, terreno também tem suas próprias histórias de assombração/ Crédito: Tiago Queiroz/ Estadão

O local onde hoje está instalada a Faculdade de Direito da USP, no passado abrigava um convento. Uma das lendas que rondam o terreno conta que os corpos dos monges estão enterrados lá, além de um falecido professor muito querido pelos alunos. Estudantes e pessoas que transitam pelo local já relataram ter ouvido vozes nos corredores e porões da faculdade. 

Casa de Dona Yayá

Casa da Dona Yayá carrega história sinistra de abandono e sofrimento/ Crédito: Wikimedia Commons

Localizada no bairro do Bixiga, a casa entrou na lista de imóveis mal assombrados depois de uma história conturbada que reflete o olhar da sociedade para as doenças mentais. Tudo começa com a vinda de Manoel de Almeida de Mello Freire, oriundo de uma família de políticos e fazendeiros da cidade de Mogi das Cruzes, que se mudou para São Paulo para estudar direito e seguir carreira política.

Na capital paulista, conheceu Josephina Augusta de Almeida Mello, e juntos tiveram cinco filhos, entre eles, Sebastiana de Mello Freire, apelidada carinhosamente de Yayá. Moraram por anos em um palacete na rua 7 de abril, onde ela viveu mesmo depois da morte dos pais, em 1990.

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A história da menina possui lacunas relevantes, mas um estudo do Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo, durante a realização da exposição Yayá – cotidiano, feminismo, doença, riqueza, que traz aspectos da vida de Dona Yayá, apresentou algumas informações importantes para entender melhor como ela viveu.

Sabe-se que ela teve uma vida abastada frequentando a alta sociedade paulistana. No entanto, por perder os pais ainda na infância, cresceu sob a tutela de um amigo da família.

Ela e Manoel, apelidado de Nhonhô, foram os únicos a atingirem a idade adulta entre os irmãos. Porém, alguns anos mais tarde, Nhonhô teria se jogado no mar enquanto voltava de uma viagem da Argentina. Essa perda abalou muito a jovem e contribuiu para os transtornos mentais que ela desenvolveu ao longo da vida.

Essas crises mentais chegaram a causar algumas internações e mais tarde ela recebeu um diagnóstico de esquizofrenia. Em meados de 1920, Yaya, então com 32 anos, recebeu um tratamento especial: se mudou para uma casa na Rua Major Diogo, no Bixiga, que se transformou em seu asilo particular e onde ela morou por mais de 40 anos.

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Ao seu lado, estava um grupo de pessoas que a assistiram durante todo o processo de envelhecimento e. Yayá morreu em 1961, sem filhos ou parentes vivos. A forma como sua vida foi conduzida até hoje acende debates importantes sobre a forma como as mulheres são vistas na sociedade e o tratamento psiquiátrico no Brasil.

Sua herança foi transferida para a Universidade de São Paulo e o Centro de Preservação Cultural da USP fez sede no terreno.

Atualização: Esse post foi atualizado no dia 25/10, às 17h38

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