A expectativa é grande: este ano, São Paulo terá o maior Carnaval de rua de sua história – e segue, por mais um ano, como o maior do Brasil. De acordo com a estimativa da Secretaria Municipal de Cultura, a soma das festas do pré-Carnaval, do pós-Carnaval e dos quatro dias de folia irá computar 15 milhões de pessoas, 1 milhão a mais que em 2019.

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Parte dessa multidão de foliões vem de fora da cidade. Um levantamento da empresa de compra de passagens online Decolar informa que São Paulo ultrapassou Rio de Janeiro e Salvador para se tornar o destino número um dos brasileiros para o Carnaval. E, além de encorpar a festa, esse movimento também enche os cofres do município: a prefeitura avalia que o evento deve movimentar R$ 2,6 bilhões – incremento de R$ 300 milhões sobre o ano anterior.

A agenda do Carnaval paulistano começa oficialmente em 15 de fevereiro, quando os blocos autorizados abrem o pré da festa – o pós-Carnaval de rua encerra no dia 1º de março. São, ao todo, oito dias de folia, além dos blocos e festas extra-oficiais e em casas de show.

De acordo com o primeiro cadastro divulgado pela Secretaria de Cultura, foram inscritos 865 blocos que realizariam 960 desfiles – cada bloco pode desfilar mais de uma vez. Contudo, uma série de desacordos entre a organização municipal e os produtores independentes fez o número cair bastante.

Depois que o Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval SP, que representa cerca de 300 iniciativas, divulgou nas redes sociais uma carta aberta com fortes críticas à prefeitura, uma reunião de emergência foi realizada e 25% dos participantes desistiram de desfilar. Ainda assim, se de fato realizados os 644 blocos e 663 desfiles confirmados pela Secretaria de Cultura, o Carnaval 2020 se estabelece como o maior da história da cidade.

As festas estão majoritariamente concentradas na região central. A subprefeitura da Sé é a campeã disparada, com 194 apresentações. Depois dela, Pinheiros, Lapa, Vila Mariana e Santana/Tucuruvi são as que mais concentram blocos.

Veja a seguir dez bairros para curtir o Carnaval paulistano:

SÉ/BELA VISTA

De longe a subprefeitura mais carnavalesca de São Paulo, a Sé tem vários roteiros possíveis. Embora menos badalada que a Consolação e Santa Cecília, o sub-bairro da Bela Vista terá um leque bastante amplo – e divertido – de blocos, digamos, alternativos.

É o caso do Rock Brasil, que Carlos Garcia organiza pela primeira vez em 2020 para trazer à rua quem gosta de rock and roll nacional. “Eu sou do rock, mas adoro Carnaval. É uma festa democrática, mas para ser 100% democrática é preciso ter todos os segmentos musicais”, analisa. Então, para agradar quem gosta de festa, mas não necessariamente de samba ou marchinha, haverá um palco montado na Praça Dom Orione, às 14h30 do sábado (22), com banda que irá apresentar músicas de Titãs, Legião Urbana, Ira!, Barão Vermelho, entre outros hits. A expectativa é de duas mil pessoas.

O rock está representado também no metal, com o Bloco Quero Morrer Amigo do Metallica (domingo, 23, às 14h, na Praça Dom José Gaspar), que toca músicas da banda em versão de marchinhas. No jazz, o Bloco Soul Chico (domingo, 23, às 9h, também na Praça Dom José Gaspar), toca sucessos de Chico Buarque no ritmo do soul, em um trajeto que passa por lugares citados em suas obras.

CONSOLAÇÃO

Na rua mais boêmia da cidade não falta atração de Carnaval. Seja nos arredores, seja na via principal, a Rua Augusta concentra megablocos e também festas bem segmentadas.

Com dez anos de vida e consolidado como o maior bloco de São Paulo, o Acadêmicos do Baixo Augusta espera repetir – ou ultrapassar – a marca de um milhão de foliões registrada em 2019. “A gente criou o bloco conhecendo a vocação noturna da Augusta e entendendo que o paulistano já tinha vontade de brincar o Carnaval”, recorda Ale Natacci, um dos fundadores e atual presidente do bloco. A festividade deste ano terá o tema ‘Viva a resistência’. “É um bloco a favor da cultura, democracia, liberdade de expressão e pluralidade. Recebemos famílias, artistas, manos, minas, gays, héteros, gaúchos, cearenses ou cariocas.” O bloco se apresenta no pré-Carnaval, domingo (16), às 14h, partindo da Rua da Consolação.

Quem foge de blocos grandes também pode colocar Augusta e Consolação no roteiro. Segunda (24), às 11h, começa o Batidão Jamaica, que só toca ritmos jamaicanos como ragga, ska e dancehall. Às 15h começa o Eu Sou do Axé, com músicas tradicionais e contemporâneas do cancioneiro afro popular do Brasil. Na terça, às 12h, o Bloco da Tereza faz um grande mix de música brasileira: desde clássicos da Tropicália, passando por samba, até hits do pop e do funk atuais.

SANTA CECÍLIA

Emergente reduto dos jovens descolados em São Paulo, a Santa Cecília tem programação intensa, com todo tipo de segmentação possível. Para quem quer Carnaval raiz, no domingo (23), às 15h, o Na Manha do Gato reproduz, a partir da Rua Martim Francisco, as músicas e a festa de Pernambuco. Para o público LGBT, o Chacoalha Bichona (domingo, 16, às 14h, a partir da Martim Francisco) e o Dramas de Sapatão (sábado, 22, às 10h, a partir da Rua Rêgo Freitas) prometem muito glitter e espaço garantido para toda forma de amor.

Até mesmo as crianças têm bloco especial. O Emílias e Viscondes (sexta, 21, às 13h, a partir da Rua Major Sertório) homenageia os 70 anos da Biblioteca Monteiro Lobato. O Charanguinha do França (sábado, 29, às 9h, também na Major Sertório) oferece uma versão kids do charmoso Espetacular Bloco Charanga do França (segunda, 24, às 9h, a partir da Rua Imaculada Conceição).

“A ideia do bloco infantil surgiu do nascimento da minha filha”, explica Thiago França, músico e fundador do bloco. “A Charanga toca repertório clássico de Carnaval, com marchinhas, sambas antigos e composição autoral. O cortejo é liderado pela nossa banda de oito pessoas, mas estamos esperando mais de 100 músicos para acompanhar”, conta. A versão infantil segue da mesma forma, com mais espaço para crianças e letras adaptadas para fugir de temas como consumo de álcool ou sexo.

LUZ

A Avenida Tiradentes vai receber multidões durante os dias de folia. O endereço será palco de quase uma dezena de desfiles, entre eles três “arrasa-quarteirão”. É o caso do Bloco da Pabllo, no qual um trio elétrico percorre a via com Pabllo Vittar no comando e seus maiores sucessos na caixa de som (terça, 25, às 14h). No pós-Carnaval, sábado (29), às 11h, a avenida é tomada pelo Navio Pirata, bloco da banda soteropolitana BaianaSystem, e, às 13h, é a vez do Troça Elétrica, no qual a Nação Zumbi reproduz os blocos de Recife e Olinda, com bonecos gigantes e maracatu.

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Além de curtir o show de Pabllo, o público LGBT encontra também o bloco Love Fest (segunda, 24, às 13h), com música internacional, artistas da cena e muita diversidade. E quem procura algo mais tradicional, encontra na Praça da Luz o Samba da Luz em versão bloco, no domingo (23), às 14h – o repertório traz Beth Carvalho, Bezerra da Silva, Demônios da Garoa, Dona Ivone Lara, entre outros.

PINHEIROS

Além dos limites do centro, não há em São Paulo bairro mais carnavalesco que Pinheiros. A mineira Silvia Guerra, que mora na região há cerca de dez anos, já conhece bem as dores e as delícias desses dias de folia. “O acesso fica mais difícil, mas na rua onde moro, mesmo com a passagem de blocos, não fica caótico”, conta. “E eu gosto daqui porque faço a rota da festa a pé, tenho sempre minha casa por perto e é ótimo para receber e reunir amigos”.

Fã de blocos menores, Silvia diz que tem como principais opções o Bloco 77 – Os Originais do Punk, que desfila no sábado (22, às 14h) e na segunda (24, às 14h), a partir da Rua Simão Álvares, com repertório de clássicos do punk rock. Além disso, ela curte o Arrianu Suassunga, que sai da Rua Padre Carvalho, no sábado (15, às 12h), com uma orquestra de alfaias que toca maracatus, caboclinhos e outros ritmos tradicionais.

Pinheiros concentra ainda grande parte das produções com mega estrutura. É o caso do Sargento Pimenta, bloco carioca que deve receber 50 mil fãs de Beatles (cujas músicas são tocadas ao ritmo do Carnaval) a partir das 9h do sábado (15) na Av. Brigadeiro Faria Lima. O também carioca Bangalafumenga, que transforma um repertório de canções regionais e MPB em marchinhas, está marcado para o mesmo dia e local, mas começa às 14h30. Na Faria Lima, às 14h de domingo (16), o DJ Alok leva música eletrônica ao foliões.

LAPA

Região tradicional do Carnaval de rua de São Paulo, a Lapa e seus vizinhos Barra Funda, Pompeia e Perdizes irão sediar aproximadamente 50 blocos – a maioria deles com vocação para resgate e valorização das raízes da música brasileira e negra.

Promovendo a mistura de sons de Brasil e África, o bloco BrasAfro Tô Na Rua ocupa a Av Marquês de São Vicente a partir das 11h de sábado (22). No mesmo dia e no mesmo endereço, mas às 14h, começa o BeatLoko, bloco cujo repertório homenageia ícones da música black, como 2PAC, James Brown e Beyoncé, com muito rap. No pós-Carnaval, o bloco Nu Vuco Vuco começa o cortejo na Praça Cornélia (às 14h de sábado, 29) com um mix de sambas-enredo, sambas-reggae, afro-sambas, afoxés e marchinhas.

Já o Saia de Chita brinca o Carnaval em duas versões este ano. No pré-Carnaval, (sábado, 15, às 10h30) será o desfile infantil Sainha de Chita, no entorno da Praça Rio dos Campos. No domingo de Carnaval (23), às 11h, começa na Rua Ministro Sinésio Rocha o desfile dos adultos, regado a marchinhas e músicas da MPB.

VILA MARIANA

A Avenida Pedro Álvares Cabral, em frente ao Obelisco e ao Monumento Mausoléu ao Soldado do Parque, do Ibirapuera, é o endereço dos mega blocos do Carnaval 2020. E a folia de alto nível começa cedo, já no pré: sábado (15), a avenida recebe às 11h o Bloco Frevo Mulher, puxado pela presença de Elba Ramalho e seus principais sucessos ao longo dos 40 anos de carreira. Às 13h tem início o Bloco Bicho Maluco Beleza, no qual Alceu Valença canta clássicos como “La Belle De Jour”, “Anunciação” e “Coração Bobo”. Domingo (16), a partir das 13h, é a vez do Monobloco – seus 170 integrantes garantem repertório que vai de Cartola a Raul Seixas, passando por Luiz Gonzaga e Tim Maia.

A lista de shows comandados por grandes artistas que desfilam na mesma avenida tem muito mais. Domingo (23), às 13h, Michel Teló lidera o Bloco Bem Sertanejo, com hits de sua carreira. Sábado de pós-Carnaval (29), às 13h, Bell Marques importa a música baiana para o trio elétrico. E no domingo (1), a expectativa é de lotação máxima: às 8h, Anitta pega o microfone para agitar o Bloco das Poderosas. Às 14h Preta Gil canta músicas próprias e recebe outros grandes artistas da MPB em seu trio.

No mesmo local, durante os quatro dias de Carnaval também serão realizados blocos que devem atrair dezenas de milhares de foliões. É o caso do Agrada Gregos (sábado, 22, às 14h), de perfil LGBT+ friendly, do Vou de Táxi (segunda, 24, às 10h), que toca hits inesquecíveis da década de 90, e do Galo da Madrugada (terça, 25, às 9h), um dos maiores e mais famosos blocos de Carnaval do mundo, original de Recife, que faz sua estreia na capital paulista.

SANTANA/TUCURUVI

A zona norte de São Paulo vai representar a região norte do País. É isso que esperam os organizadores do Bloco do Boi, uma homenagem à festa de Parintins, no Estado do Amazonas. “Nossa ideia é brincar de boi e apresentar o ritmo da toada para os paulistanos”, explica Adão Modesto, um dos fundadores. “Escolhemos Santana porque estamos perto de muitos barracões de escolas de samba, onde trabalham muitos artistas de Parintins. Queremos oferecer a eles a oportunidade de aproveitar a festa também.” Adão estima que sejam até mil profissionais que vêm trabalhar no Carnaval paulistano. O bloco, com trio elétrico e banda, está marcado para às 14h da segunda (24), na Rua Viri.

Mais três grandes blocos irão movimentar Santana. Domingo (23), a Avenida Luis Dumont Vilares recebe o Bloco Ritaleena, homenagem em ritmo de Carnaval à cantora Rita Lee, às 11h. Às 14h é a vez do Bloco QuilomboLAB, estreia do Laboratório Fantasma nos festejos de rua de São Paulo – Emicida, Drik Barbosa, Rael e seus convidados especiais cantam rap, reggae e samba. No pós-Carnaval, o Pipoca de Edu Casanova, cantor e compositor da folia de Salvador, ocupa o mesmo endereço a partir das 11h de domingo (1).

PENHA/VILA MATILDE

Desde 2016, o Bloco da Banda das Cachorras fincou bandeira na Vila Matilde. “Nossa banda existe desde 2013 e sobrevive de seus shows. Mas no Carnaval, faço questão do nosso bloco ser aqui e brincar a festa com nosso público mais fiel”, explica Emerson Nunes, fundador e presidente da iniciativa, que nasceu a partir da ONG Associação São Paulo Diferenciados, trabalhando com movimento de moradia. O show eclético toca marchinhas, sucessos da MPB, funk e conta com uma bateria de 100 ritmistas comandados pelo Mestre Mi. A apresentação está marcada para às 14h do sábado (29) na Praça do Toco, com expectativa de 5 mil foliões.

Na Penha, o bloco Tá com Medo Porque Veio? promete muito samba e alegria com o que chamam de “o maior baile de Carnaval a céu aberto da zona leste”, na agenda para sábado (15), às 14h, na Rua Otília. Já o Bloco Toca Raulzito terá cortejo com rock do compositor e cantor brasileiro e um time de motociclistas em paralelo. Começa às 14h do sábado (29), na Av. Governador Carvalho Pinto, 2480.

SANTO AMARO/BROOKLIN

Durante semana, entre os prédios espelhados da Avenida Eng. Luis Carlos Berrini o visual é tomado por terno e gravata. Durante o pré-Carnaval, a música baiana promete mudar tudo e a vestimenta mais popular será o abadá. No sábado (15), a partir das 14h, a Banda Eva sobe ao trio elétrico do bloco Beleza Rara e toca seus maiores sucessos. No mesmo dia, a avenida recebe também o Bloco da Favorita, às 11h, com hits do funk carioca. No pós-Carnaval é a vez do Bloco Vou de Táxi – Olha a Onda: a banda Tchakabum lidera o microfone com canções próprias a partir das 13h de domingo (1).

Na região mais residencial de Santo Amaro, os bloquinhos têm perfil de passeio em família. Dois exemplos são o Bloquinho Ocupababy (sábado, 15, às 9h, na Praça Haruo Uoya), quando a banda As Siricuticas tocam marchinhas clássicas em versão infantil. E o Bloco É O Que Faltava (sábado, 15, às 13h, na Av. Prof. Alceu Maynard Araújo), estreia no Carnaval da cidade propondo uma Olinda Paulistana, com bonecos gigantes do artista plástico Ricardo Cruz.