O mercado imobiliário nacional teve aumento das vendas e dos lançamentos no segundo trimestre, com mais uma redução dos estoques, informou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) nesta segunda-feira, 23. As vendas de casas e apartamentos novos chegaram a 65.975 unidades no segundo trimestre de 2021. O montante foi 60,7% maior na comparação com o mesmo intervalo de 2020 e 7,2% superior ao primeiro trimestre deste ano.


Os lançamentos de imóveis residenciais alcançaram 60.322 unidades de abril a junho, 114,6% mais que no mesmo período do ano passado e 51,3% superior ao primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses até junho, as vendas totalizaram 237.157 unidades, crescimento de 23% em relação aos 12 meses anteriores.

Com mais vendas do que lançamentos, o estoque de imóveis (na planta, em obras e recém-construídos) encolheu 7,1% na comparação anual, chegando a 180.007 unidades. Considerando a velocidade atual de vendas, esse estoque é suficiente para abastecer o mercado por 8,3 meses. Um ano antes, estava em 12 meses. 

O presidente da CBIC, José Carlos Martins, alertou para essa descalibragem entre oferta e demanda no mercado imobiliário, que pode resultar em uma explosão no preço dos imóveis ao longo dos próximos meses.

Embora as vendas estejam em alta, os empresários estão adiando novos projetos por causa do aumento nos custos de construção. Como consequência, os estoques não estão sendo repostos para atender a procura dos consumidores.

“Estamos vendendo muito bem, não temos do que reclamar. O mercado é comprador”, disse Martins, durante coletiva de imprensa. “Mas estamos preocupados com os lançamentos. Não crescemos tanto os lançamentos quanto as vendas. E agora estamos preocupados com a redução dos estoques.”

Segundo Martins, o preço dos imóveis para o consumidor final não subiu “nada” se comparado ao aumento dos custos dos materiais, o que tem inibido a abertura de novos estandes. “É esse medo que faz as empresas recuar nos lançamentos. Muitas empresas recuaram porque as contas não param mais em pé”, explicou.

Como consequência da pressão de alta dos insumos e da mão de obra, combinada com redução dos estoques, há um risco de explosão de preços em determinados segmentos. Por outro lado, a renda da população não está crescendo no mesmo ritmo. “O futuro preocupa. Não adianta vender hoje uma coisa que vai dar problema lá na frente”, citou Martins.

Casa Verde e Amarela

Segundo o presidente da CBIC, o governo federal está preparando uma proposta de elevação do teto de preço e dos subsídios do programa Casa Verde e Amarela (como foi rebatizado o Minha Casa Minha Vida).

De acordo com Martins, a proposta será enviada entre esta segunda e terça-feira, 24, ao Conselho Curador do FGTS, órgão responsável pela gestão de recursos do fundo dos trabalhadores, que abastece o programa habitacional. O documento foi formulado pela Secretaria Nacional de Habitação, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), após consultas aos ministérios da Economia e Casa Civil.

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A iniciativa foi tomada depois de conversas com empresários e a constatação de que os custos de construção tiveram um crescimento recorde, puxado principalmente pelo avanço dos materiais. O INCC chegou a bater em 17,3% nos últimos 12 meses. Por sua vez, o último reajuste no programa ocorreu em outubro de 2016.

“Tem muitos lugares em que já não se consegue construir dentro dos valores praticados. O aumento nos custos desorganizou todo o setor”, disse Martins.

Ele não deu detalhes sobre o teorr da proposta que a entidade da construção fez aos representantes do governo, mas disse que a expectativa é que o governo implemente um aumento nas faixas de preços e subsídios.

O presidente da Comissão Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, disse estar otimista com o andamento do processo. “Minha expectativa é que os reajustes estejam implementados dentro de um mês”, afirmou.

Pesquisa divulgada nesta segunda pela CBIC mostrou que as vendas de unidades no Casa Verde e Amarela no segundo trimestre cresceram 2,1% em relação ao primeiro, para 32.349 unidades. Os lançamentos subiram 29,6% na mesma base de comparação, para 28.723 unidades.

As vendas do programa habitacional representaram 49% das vendas totais do mercado imobiliário no segundo trimestre, enquanto os lançamentos responderam por 48%.

Disputa entre poderes

Mesmo com as ameaças de Jair Bolsonaro às eleições em 2022 e a disputa entre os Poderes Executivo e Judiciário, o Brasil não corre o risco real de quebra das instituições, acredita o presidente da CBIC. “Na nossa opinião, há zero de chance de ruptura institucional”, declarou Martins.

“Se alguém tivesse preocupação com ruptura institucional não estaria vendendo imóveis. Estaria levando dinheiro para o exterior, que seria algo mais lógico a se fazer”, complementou, lembrando que o mercado imobiliário é um negócio de longo prazo, que demanda um grau importante de confiança nos rumos do País.

Martins disse que é preciso “separar as falas das ações” de Bolsonaro. E citou que o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é algo dentro da Constituição. “O Brasil vive uma democracia consolidada. Eu já vivi o passado. Hoje é diferente”, disse, dando a entender que se referia ao período da ditadura militar.

Conteúdo originalmente publicado em https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,venda-de-imoveis-novos-cresce-60-7-no-2-trimestre-queda-no-estoque-preocupa-empresas,70003818894