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Por que o agronegócio gosta tanto de Balneário Camboriú?

Segmento impulsiona estratégias de vendas e desenvolvimento de produtos na região

Por:Breno Damascena 02/04/2025 4 minutos de leitura
Fatores econômicos e aspirações emocionais são justificativas para interesse na região/ Crédito: Rurikdrone/AdobeStock

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Acostumados a lidar com terras férteis, o agronegócio brasileiro encontrou em Balneário Camboriú a oportunidade de investir seus ativos com terrenos supervalorizados. À medida que arranha-céus dominam o horizonte do litoral catarinense, a região se consolida como um destino atrativo para empresário do agro e as incorporadoras se adaptam para atender este público.

Segundo a construtora Procave, que atua na região há mais de 45 anos, 30% dos seus compradores atuais são investidores do setor agrícola. “É um interesse que tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Os compradores buscam um estilo de vida que encontram nos próprios empreendimentos e no entorno”, comenta Clóvis de Albuquerque Filho, diretor comercial da construtora.

Estratégias de venda

De olho neste público, a companhia passou a analisar o desempenho das safras de milho e soja ou os resultados periódicos das colheitas realizadas pelo País para investir em ações com foco no agro. “Sabemos que este ano, a produtividade foi excelente em Mato Grosso e em Chapadão do Sul, mas não tão boa do Paraná para baixo”, ilustra Filho.

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A partir desta análise, a incorporadora desenha a estratégia de vendas, que passa pela participação e desenvolvimento de eventos voltados para o agronegócio, encontros de relacionamento e visitas pontuais a regiões específicas para divulgar novos lançamentos.

Preço do metro quadrado valorizou 11,16% nos últimos 12 meses e agora está avaliado em R$ 14,3 mil, segundo Índice FipeZAP/ Crédito: João Martins Neto/AdobeStock

Não é só a Procave que surfa no interesse do agro pela região. Atualmente, 50% dos compradores de imóveis da JA Russi, incorporadora com atuação em Balneário Camboriú e na vizinha Itapema, são oriundos do agronegócio e da pecuária.

O segundo setor mais significativo entre seus clientes é composto por industriais (13,33% dos compradores), seguido pela área metalúrgica (10% dos compradores).

Apesar da abertura ao segmento, a empresa não investe em ações para atrair este público. “Nossa única estratégia é aquisição de terrenos bem localizados, o que gera interesse de clientes de diferentes setores”, garante Felipe Reis, diretor comercial da construtora. 

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Por vezes, o caminho também se faz na direção contrária. É o caso de Embraed Empreendimentos, incorporadora fundada há mais de 40 anos em Balneário Camboriú. Cerca de 40% dos clientes atuais da empresa são oriundos do agronegócio brasileiro.

A participação ativa deste grupo fez com que a empresa começasse a investir em outras regiões. Ao notar que grande parte dos clientes são oriundos do Paraná, a empresa resolveu lançar empreendimentos em Maringá e Curitiba também.

Comportamento do público

A busca pela diversificação de investimentos e a valorização contínua do mercado imobiliário da região impulsionada pelo forte apelo turístico ajudam a explicar o interesse do agro por Balneário Camboriú. Clóvis, porém, afirma que a escolha dos moradores também é motivada por aspectos emocionais.

“Quando o Centro-Oeste começou a ser desbravado, muitos migrantes sulistas se mudaram para lá. Essas famílias já tinham em Balneário um dos seus destinos preferidos. E quem não conseguia vir, tinha o sonho de frequentar”. 

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Destino de férias do agronegócio, BC tem o metro quadrado mais caro do País/ Legenda: Eduardo Valente/Estadão

Quanto mais ricos estes empresários ficavam, maior o interesse em retornar à região, o que ajudou a impulsionar o boom imobiliário de Balneário Camboriú, acredita Clovis. “Hoje, vemos a cidade se tornar um ponto de encontro entre empresários do setor em períodos sazonais. É comum ver pessoas que enxergam a compra de um imóvel aqui como ticket de entrada em grupos seletos”.

Aspiração emocional

Para Fernando Calvetti, doutor em planejamento urbano e professor do departamento de arquitetura e urbanismo da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), observa-se razões práticas e subjetivas para justificar a decisão nada simplória de gastar alguns milhões de reais na compra de um apartamento em Balneário Camboriú.

“O setor do agronegócio, tradicionalmente sujeito a variações sazonais e riscos climáticos, encontra no mercado imobiliário uma forma de equilibrar a carteira de investimentos”, analisa. No entanto, as motivações vão além disso.

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O professor destaca a sinergia da cidade com o perfil do agronegócio. “BC é frequentemente vista como um símbolo de sucesso. O cenário atrai investidores que se identificam com a ideia de um desenvolvimento urbano acelerado e bem-sucedido, característica que também é exaltada em discursos ligados à direita e ao liberalismo econômico”, pontua.

“Muitos representantes do agronegócio defendem modelos de desenvolvimento que priorizam o investimento privado e a redução da intervenção estatal. Assim, investir em Balneário Camboriú pode ser interpretado como uma extensão dessa visão política e econômica”, observa o professor. 

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