Incêndios não têm hora nem lugar para acontecer. Além do tempo seco que deixava a vegetação vulnerável, o fogo intencional e criminoso pode atingir plantações e propriedades privadas. Mas muitos incêndios são frutos de acidentes e atingem mesmo estruturas maiores, como museus, edifícios e hospitais. Segundo dados estatísticos do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, em 2019 já foram registrados 4.498 incêndios em edificações no Estado até o mês de setembro. Em 2018, foram 6.641 no total.

Uma das principais causas desse tipo de acidente está relacionada a cabeamentos inadequados e ligações de fios clandestinos. Diversos equipamentos de alta potência conectados em uma mesma tomada do tipo benjamim podem apresentar perigo, já que eles consomem muita energia ao mesmo tempo em um ponto que pode não ter a capacidade de suportar tamanha carga.

Segundo o gerente de seguros da Cipa, administradora de Condomínios e Imóveis, Marlon Rosalvos, a questão se agrava ainda mais em prédios antigos, cuja dimensão do sistema está defasada e não atende às exigências atuais. O mais adequado é realizar a cada dez anos uma revisão elétrica em todos estes imóveis, devido ao avanço da tecnologia e de novos materiais que vão entrando no mercado. “Atualmente, temos um conforto elétrico muito maior do que no passado. Existem mais aparelhos plugados à rede. A sobrecarga pode causar danos incalculáveis. Muitos prédios antigos não tiveram os seus sistemas adequados a esta demanda crescente”, ressalta Rosalvos.

Para ele, a residência dá indícios de que algo está errado quando existem problemas. “As tomadas podem apresentar problemas e as lâmpadas podem diminuir um pouco a intensidade da luz”, afirma. A orientação do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo em um incêndio causado por motivos elétricos é não jogar água para acalmá-lo, pois isso pode provocar um choque. O ideal é utilizar um extintor de pó, que é muito comum em prédios, ou de Dióxido de Carbono (CO2). Aliás, na opinião do gerente da Cipa, toda casa deveria ter um extintor de pó.

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Outro perigo apontado por Marlon está ligado a viagens de longa duração. Ele explica que neste caso o condômino deve comunicar a ausência ao síndico e manter o disjuntor desligado durante o período, para evitar problemas. “Quase ninguém se dá conta do risco que é deixar o disjuntor ligado quando faz uma viagem de longo prazo. Seria necessário se programar para isso. As pessoas teriam, por exemplo, que desligar e esvaziar a geladeira. Com tudo desligado não há risco de acontecer algo”, conta ele.

Cozinha

Este cômodo merece muita atenção. Com certeza você já ouviu falar de alguém que esqueceu uma panela no fogão e quase ou, infelizmente, chegou a provocar um grande acidente. Por isso, cuidado ao colocar muita água para ferver: ela pode borbulhar e transbordar, apagando o fogo. Se o cozinheiro não estiver atento, pode começar um vazamento de gás que pode gerar um incêndio. Óleo quente que fica muito tempo sendo aquecido também pode pegar fogo. O Corpo de Bombeiro do Estado de São Paulo adverte que é fundamental que não se jogue água na panela quando estiver em chamas. Isso pode provocar um choque térmico que gera uma explosão.

Vazamento de gás também faz parte das principais causas de incêndios. É preciso que estejam bem ajustados o regulador de pressão do botijão, a mangueira e a abraçadeira. Para testar se há vazamento no botijão, é preciso passar uma esponja com detergente ou sabão nas conexões do regulador de pressão e mangueira. Se criar uma bolha, é sinal de que existe um micro vazamento. Caso isso aconteça, aperte as conexões da abraçadeira e a válvula de regulador de pressão. A troca do equipamento deve ser feita a cada cinco anos.

Quando notar um cheiro do gás forte, ande descalço para evitar atritos, desligue a chave geral e abra portas e janelas. Mais tarde, quando o ambiente estiver respirável, verifique de onde vem o vazamento. Se não for encontrado, coloque o botijão em local externo e ventilado. E lembre-se de não acender nenhuma luz, pois isso pode criar uma faísca e causar um incêndio.

Rosalvos destaca ainda a importância dos condomínios realizarem reuniões e treinamentos sobre possibilidade de incêndio, assim como ocorre em prédios comerciais. Dessa forma, ele esclarece, os moradores poderiam ter mais clareza sobre os riscos e conhecimento de como agir em uma ocorrência.

“Cada unidade é um universo e é fundamental que cada condômino entenda a responsabilidade que tem com o todo. Muitas pessoas acabam sendo, por desinformação e desconhecimento, relapsas, o que pode gerar acidentes graves. Uma ação coletiva pode ajudar a reduzir danos. Além disso, quando o pior acontece, é bom que cada um tenha noção do que fazer”, conclui o gerente da Cipa.