As vendas e os lançamentos de imóveis novos na cidade de São Paulo surpreenderam positivamente no começo deste ano.

Pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi) antecipada para o Estadão/Broadcast mostra que foram vendidos 6.494 apartamentos novos na capital paulista em março, um avanço de 36,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os imóveis novos deram um salto ainda maior, subindo 96,4%, para 6.969 unidades.

“Tinha uma expectativa ruim lá em dezembro e janeiro. Mas o mercado não está se mostrando assim. Não tem nenhum desastre como se imaginou que fosse”, afirmou o presidente executivo do Secovi, Ely Wertheim.

A principal explicação para o crescimento está na base de comparação mais fraca, uma vez que boa parte dos negócios em março de 2021 acabaram represados por conta da onda de covid naquele período. “Isso explica grande parte do crescimento dos números”, ponderou Wertheim.

Ainda assim, o presidente do Secovi acredita que o mercado permanece saudável. Ele admite que houve uma deterioração da capacidade de compra da população por conta da subida dos juros e da inflação, que elevaram tanto o preço dos imóveis quanto os custos dos financiamentos.

Mas disse que essa perspectiva negativa está menos acentuada agora do que uns meses atrás. Ele lembrou que a Selic deu um salto em 2021, passando de 2% em janeiro para 9,25% em dezembro. Hoje está em 11,75%, mas não deve ir muito além, na sua opinião.

“Não vai ter novos saltos, não vai chegar a 15%, a 17%. E acreditamos até que vai começar a cair ano que vem”, avaliou Wertheim, acrescentando que também espera uma trégua da inflação.

Paralelamente, a taxa média dos financiamentos cresceu de 7% para 9,5%. Trata-se de um aumento que impacta o poder de compra dos interessados na casa própria, mas chega a ser algo tão desastroso, na sua avaliação.

“Nós tivemos recordes de lançamentos e vendas nos últimos dois anos. Agora baixou, mas segue em um platô. Com a deterioração do mercado, é algo natural”, afirmou o presidente executivo do Secovi.

Para os próximos meses do ano, Wertheim diz que não está “empolgado, mas também não está desanimado”. A perspectiva é que haja um recuo nos indicadores de lançamentos e vendas a partir deste segundo trimestre, na comparação anual.   

Ele também reiterou a projeção divulgada pelo Secovi em fevereiro. O sindicato estima que os imóveis novos laçados devem alcançar 65 mil a 70 mil apartamentos em 2022. O ponto médio da projeção aponta para uma queda de 17,5% em relação a 2021, quando foram lançadas 81,8 mil unidades. 

No caso das vendas, a previsão é que fiquem entre 55 mil a 60 mil unidades em 2022, o que indica uma expectativa de baixa na ordem de 13% ante 2021, quando chegaram a 66,1 mil unidades.  

No acumulado dos últimos 12 meses até março, as vendas de imóveis novos para moradia na capital paulista totalizaram 67.248 unidades, expansão de 22,3%, enquanto os lançamentos totalizaram 86.061 unidades, crescimento de 36,9%.

A velocidade de vendas (indicador que contabiliza o total de unidades vendidas em relação ao estoque disponível) recuou para 9,3% em março ante 10,2% um ano antes. Em 12 meses, a velocidade de vendas baixou para 52,6% ante 56,8% no período anterior.

O estoque total (imóveis na planta, em obras e recém-construídos) chegaram a 63.540 unidades, crescimento de 51,7% em um ano.


O presidente executivo do Secovi disse que o nível mais alto de estoques não liga um sinal de alerta, uma vez que a maioria das unidades estão na planta ou em obras. E no ritmo atual, esse estoque poderia ser liquidado em cerca de um ano – patamar próximo da média histórica.

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