O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu a nova Selic nesta quarta-feira, 15, aumentando a taxa em 0,50%, conforme expectativa do mercado, fixando os juros em 13,25%, uma trajetória de 11 aumentos consecutivos. Assim, a Selic atinge o maior nível desde 2016, o que levanta a expectativa sobre quando esse aumento terá fim.

Para o Luís Toscano, vice-presidente de negócios da Embracon, o Copom avalia o comportamento da economia quanto à inflação, nível de atividade e mercado monetário. A instituição tem autonomia para traçar e acompanhar a política monetária. “No contexto econômico atual, a expectativa é que a trajetória de elevação da Selic permaneça até o final deste ano”, diz.

Segundo o economista Vitor Miziara, partner da Criteria Investimentos e Câmbio, o BC deve “deixar a porta aberta” para novos aumentos dos juros, que deve ser de até 0,75% na próxima reunião, em setembro – baseado no que o mercado precifica, que já coloca a Selic próxima dos 14%.

“O que preocupa hoje é a inflação nos EUA, que pode pedir um aumento de juros maior e mais rápido. Talvez tenhamos que ajustar nossos juros, para o diferencial da taxa Brasil e Estados Unidos não cair muito, por isso pode aumentar mais”, explica.

Mercado imobiliário

A taxa impacta diretamente as transações de crédito, pois o custo do dinheiro fica ainda mais alto para muitos brasileiros que necessitam contratar financiamento. “O impacto desta elevação no custo de vida inibe o crescimento da economia. Neste cenário, os consórcios são a melhor alternativa para aquisição de um bem”, afirma Luís. 

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), nos primeiros quatro meses de 2022 as vendas de novas cotas atingiram R$1,18 milhão, avanço de mais de 15% no total de negócios realizados nos quatro primeiros meses do ano, além de aumento de mais de 12% no ticket médio até abril.

As vendas de cotas para imóveis, por exemplo, cresceram 20,3%. “O consórcio não possui juros como financiamento, as parcelas não sofrem alterações pela Selic e o reajuste é anual, baseado no Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) para imóvel e no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para automóveis”, indica.

O cenário para quem busca a casa própria se mantém negativo. A elevação dos juros impacta diretamente nas linhas de crédito imobiliário, encarecendo os custos dos materiais da construção, o que encarece o valor dos imóveis novos. “O cenário trouxe insegurança tanto para o consumidor quanto para as construtoras, mas a procura continua alta e o consórcio se tornou um atrativo meio para aquisição da casa própria, pela ausência de juros”.

Miziara reforça que o consórcio pode ser uma alternativa, pensando que a taxa do consórcio e os custos administrativos são muito mais baixos do que um financiamento imobiliário. Além disso, com um pouco de sorte ou um lance na mão, é possível adiantar o momento de ser contemplado com o adiantamento do valor. “É uma ótima alternativa para quem não tem pressa de mudar ou para quem possui um valor razoável e pode alavancar o lance, que é uma prática muito comum”, afirma.

De acordo com Luís, o aluguel segue como “alternativa passageira” para quem sonha em conquistar o primeiro imóvel. Porém, a inflação de correção do aluguel pode comprometer uma fatia significativa da renda e atrasar o objetivo da compra. “Com um bom planejamento financeiro é possível avaliar a porcentagem da renda que pode ser comprometida em função do desejo de aquisição da moradia”, diz.


Previsões da Selic 2023

Fundos de investimentos imobiliários perderam destaque desde que a taxa Selic superou os 9%. Com isso, investir em renda fixa se tornou um meio vantajoso e seguro em um cenário volátil. “Neste momento de alta, a recomendação são os fundos referenciados DI que acompanham a alta dos juros”, comenta Toscano.

Para o especialista, a expectativa de queda da taxa de juros está prevista para 2023, com projeção de 9,75%. “Isto é, considerando que a inflação e o nível de atividade econômica podem contribuir para este recuo”, explica. “É esperado que a inflação até o ano que vem esteja controlada, projetando algo em torno de 8%. Então, seria natural ver um movimento dos juros para baixo, o próprio relatório Focus já aponta os juros na casa dos 9%”, conclui.