Tartaruga, peixe, coelho, cão, gato, passarinho… Você mora em apartamento e está indeciso sobre qual bichinho de estimação adotar? O Magno Nunes, radialista de 33 anos, sempre teve pets. Na dúvida, não excluiu ninguém: cuida ao mesmo tempo de dez passarinhos, quatro cachorros, dois gatos e um papagaio, todos vivendo em harmonia num apartamento de 75 metros quadrados, onde Magno mora com os pais, na região central da cidade de São Paulo.

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Magno Nunes tentando tirar uma foto boa com os 4 cachorros e não conseguindo/ Foto: arquivo pessoal

“Eu gosto, porque a gente cria uma relação de família. Se um tá ruim, a gente sai correndo para levar no veterinário. Tem a hora da fruta, aí precisa se preocupar com o menor, que come mais devagar.” O Telê (Labrador, 9 anos), o Lemmy (Jack Russel, 3), o Tico (Spitz, 2) e o Iggy (sem raça definida, 2) passeiam cinco quilômetros sempre ao final do dia. Já os felinos Simon e Gato (ambos sem raça definida) preferem passar o tempo nos dormitórios da residência. Simon foi adotado quando ainda era um filhote e hoje tem 16 anos. O felino chamado “Gato” não tem idade precisa. Chegou na porta do Magno pela primeira vez há 10 anos, recebeu comida, foi embora, voltou e foi ficando até se instalar definitivamente com seus pertences.

“Os cachorros dormem comigo na cama. Todos. Ao mesmo tempo. Só não dormem quando eu bloqueio a subida deles, mas só faço isso quando está muito calor”, conta Magno. Todos os cachorros foram adotados (ou seja, não foram comprados) e receberam microchips subcutâneos (instalados sob a pele, superficialmente), com as informações de residência e tutela. Os pássaros, sem exceção, possuem anilha, um anel na pata que garante a procedência de um criador certificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Hebe: agitada e ciumenta, a fêmea de 3 anos não deixa ninguém se aproximar do Magno/ Foto: arquivo pessoal

Além da Hebe – diva que anda e voa pela casa inteira, embora tenha uma gaiola exclusiva – estão distribuídos em cinco ambientes uma calopsita chamada Roberto, um Red Rumped chamado Dolly e a Rosela Amy; o periquito e os agapornis (viveiro com 6 indivíduos) não têm nome. Pergunto se nunca aconteceu de um felino ou um dos cachorros tentar provar o sabor dessas aves tão graciosas. “Nunca. Inclusive, quando cobrimos as gaiolas por causa do vento, o Gato fica em cima às vezes a noite toda, o dia todo, tomando conta dos passarinhos.”

Manter essa galera saudável e feliz exige uma rotina intensa de cuidados e manutenção. Assim que acorda, Magno vai até a área, limpa o piso, troca os jornais dos cachorros, verifica a comida e água disponível para os pássaros e recolhe as cascas de sementes. “Se é o dia da fruta ou do legume, coloco o alimento além da ração… faço isso três vezes por semana. E a lavagem dos bebedouros todos os dias.” O poleiro da Hebe é um trabalho à parte. Por ser uma espécie grande, exige mais espaço, para não estressar o animal.

Veterano na família, o imponente Simon é o ancião de 16 anos/ Foto: arquivo pessoal

Para os cachorros, existe uma ordem na hora de servir a ração: primeiro o Labrador, que é maior. Em segundo lugar é o Jack Russel e os menorzinhos vêm depois. “O Tico come sempre por último, porque ele não gosta de comer com outros vendo. Ele espera todo mundo terminar. Quando todos os cachorros saem da área, aí ele começa a comer. Se algum deles volta ou se eu fico olhando, ele para. Depois eu limpo o recipiente deles e troco a água. Aí sim começo o dia.”

Escolhendo seu companheiro ideal

Ter uma família tão grande pode ser gostoso, mas exige dedicação constante, disponibilidade e condições financeiras para oferecer cuidados médicos, alimentação adequada, banho, tosa e equipamentos, como brinquedos, caixinhas para transporte, abrigos e circuitos de diversão para os gatos, por exemplo. Espécies como o papagaio do Magno são consideradas selvagens, porque grande parte da sua população está livre na natureza, embora indivíduos possam ser criados como pets.

A veterinária Amanda Simões, especialista em clínica e cirurgia de animais silvestres, alerta que o tratamento entre as espécies – domésticas, selvagens e exóticas – é totalmente diferente. Existem mais informações disponíveis a respeito dos animais domesticados, enquanto o conteúdo sobre as espécies exóticas (originárias de territórios internacionais) são mais escassos. “Sobre os animais domésticos muito se sabe da biologia, como se cria, alimentação específica. Sobre os animais silvestres, o maior número de atendimentos clínicos é por erro de manejo: alimentação, suplementação e local inadequados. Além do tratamento característico, eles requerem um profissional especializado, porque têm outra fisiologia.”

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Veja agora um pequeno guia que pode ajudar você a encontrar seu próximo melhor amigo:

Cão: cada raça de cachorro terá exigências diferentes com relação à ração específica e rotina de passeios. Mas o que deve ser observado para todos os tipos é o calendário de vacinação anual, vermifugação de acordo com resultados de exame de fezes e afeto. Os cães em geral gostam muito da companhia humana e podem ser adestrados para participar de atividades domésticas, como fazer companhia às crianças. É importante notar que eles não devem comer alimentos industrializados. Precisam receber frutas na alimentação cotidiana (com exceção da uva, carambola, do abacate e de frutas ácidas). Também é fundamental realizar uma consulta de rotina anual e banho uma vez por mês.

Gato: os felinos são animais territoriais e não precisam de passeios na rotina. Ao contrário, ficam mais seguros dentro de casa. A exigência é que todas as janelas tenham redes de proteção e as portas sejam controladas, para evitar fugas. Com eles também é necessário observar ração específica, vacinação e vermifugação, bem como consulta de rotina anual. Mas atenção: nada de banho nos felinos! Eles se mantêm limpos lambendo o próprio pelo, sem a necessidade de água ou produtos industrializados, salvo em casos em que a sujeira pode ser considerada um risco à saúde dos bichanos.

Coelho e porquinho-da-índia: dóceis e fofinhos, os coelhos e os porquinhos-da-índia podem facilmente se adaptar a espaços reduzidos. Normalmente ficam em gaiolas, mas não devem permanecer nelas o tempo todo, para não gerar lesões nas patas. No entanto, também não é aconselhável que eles fiquem soltos na casa sem supervisão, sobretudo na presença de outros animais que, por representar perigo, são estressantes, como cães e gatos. Brincalhões, eles gostam de mastigar brinquedos de madeira (sem tinta!), para desgastar os dentes incisivos. É importante lembrar de dar ao coelho ou ao porquinho-da-índia uma casa própria, além da sua. Eles precisam de um abrigo de madeira com teto plano, para se esconder e ter um pouco de privacidade longe de olhares humanos. Eles se alimentam basicamente de feno, verduras escuras, frutas, legumes e ração específica.

Cágado: diferente dos jabutis, que precisam caminhar sobre a terra (não o piso, terra mesmo, sabe?) e a grama, os cágados são semiaquáticos e podem viver em aquaterrareos com equipamento de aquecimento da água e filtragem mecânica, química e biológica, além do apoio de área seca com fácil acesso, para que o animal possa tomar banho de sol diariamente por no mínimo 15 minutos. A rotina de consulta médica deve ser realizada a cada seis meses. O cágado se alimenta de ração específica, verduras escuras, frutas e peixe. Além do filé, a alimentação exige peixes vivos uma vez por semana. Importante notar que este animal deve ser mantido longe do alcance de cães, para evitar acidentes que podem causar até… bom. Você sabe.

Hamster e twister: pequeninos, são facilmente mantidos em gaiolas diminutas. Exigem poucos equipamentos. Um abrigo, uma rodinha para exercícios, dispensador de água e brinquedinhos para distração e desgaste dos dentes bastam. A consulta de rotina deve ser feita a cada seis meses. A gaiola pode ser higienizada uma vez por semana, mas comedouro, bebedouro e abrigo devem ser higienizados todos os dias. São animais solitários, então não é recomendável ter mais de um na mesma gaiola, a menos que se esteja tentando fazê-los procriar. Alimentam-se de ração, verduras escuras, legumes e frutas. Embora não devam ficar na gaiola todo o tempo, também não é recomendável soltá-los sem supervisão. Ratinhos adoram cantinhos e esconderijos. Caso perca um de vista, você pode acabar levando horas para encontrá-lo dentro de algum móvel.

Periquito, calopsita e agapornis: acordar ao som de passarinhos no meio urbano parece um conto de fadas. Por serem espécies de tamanho pequeno, periquitos, calopsitas e agapornis se adaptam facilmente às gaiolas domésticas, mas são aves que vivem em bandos na natureza, por isso precisam de atenção. Se deixadas muito tempo sozinhas, entram em sofrimento. Os recipientes de comida e água devem ser higienizados diariamente. Importante notar que as gaiolas não devem estar em local que receba corrente de vento, gases da cozinha, fumaça de cigarro e outros poluentes. Jamais podem consumir alimentos industrializados, como bolacha, salgadinho ou pão. Para estarem saudáveis, precisam de rotina: dormir e acordar todos os dias no mesmo horário e dormir por no mínimo 12 horas. Devem tomar banho de sol diariamente e visitar o veterinário a cada seis meses.

Peixe: o tratamento varia de acordo com a espécie. Enquanto betas vivem solitários em aquários pequenos por até dois anos, sem a necessidade de bomba ou filtro, espécies maiores ou ornamentais exigem equipamentos e controle constante da química da água. Como regra geral, deve-se observar o tamanho do aquário necessário para cada espécie e não misturar raças que podem brigar entre si. Também é importante adotar sempre a troca parcial da água, já que ali, além dos peixes, vivem espécies de bactérias necessárias à saúde do ecossistema. A depender do tamanho do tanque, a troca parcial da água e a limpeza do vidro podem ser trabalhosas, mas observar peixinhos brilhantes flutuarem tranquilamente tem um efeito relaxante. A alimentação normalmente é feita por ração específica e o procedimento é simples, ideal para crianças pequenas aprenderem a se dedicar a um bichinho de estimação.

*Observação: as informações gerais aqui mencionadas não dispensam a orientação específica de um veterinário