As empresas do setor de construção na Bolsa devem continuar a sofrer nos próximos meses, como efeito da conjuntura macroeconômica. No terceiro trimestre, a prévia dos resultados operacionais de grande parte delas já mostrou um arrefecimento das vendas, apesar de o ritmo de lançamentos ainda resistir.


As perspectivas são negativas e o principal motivo é a alta dos juros, que desestimula os financiamentos imobiliários, um importante combustível para o setor. Há ainda a inflação e o desemprego que comprometem o orçamento das famílias, e a projeção de baixo crescimento do País.

Contribui ainda para o cenário desafiador o aumento dos preços dos materiais de construção, sobretudo o aço, causado pela alta recente do minério de ferro. As empresas talvez não consigam repassar os reajustes para os preços finais, comprometendo suas margens. E, se repassarem, podem encontrar menos compradores dispostos a pagar por eles.

Os efeitos devem ser diferentes de acordo com o segmento do imóvel. O analista Pedro Galdi, da Mirae Asset, avalia que os empreendimentos que ainda serão construídos ou estão em construção tendem a ser mais prejudicados, enquanto os que já estão prontos podem continuar a ter demanda normal, até para atender ao consumidor que busca proteção de seu patrimônio no mercado imobiliário. Álvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, acrescenta que a demanda de imóveis de alto padrão pode ser afetada pela concorrência com aplicações financeiras em renda fixa, que se tornam mais atraentes frente à escalada dos juros. “Será um passo atrás do setor no processo de recuperação”, afirma, em referência à expansão registrada na primeira fase da pandemia.

Para o analista do Banco Daycoval, Vitor Suzaki, construção tende a ser um dos destaques negativos na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que começa na semana que vem. Ele ressalta que os dados operacionais prévios já apresentados apontam uma velocidade de vendas (VSO) em queda.

“De modo geral, as empresas com exposição ao programa de habitação do governo tiveram melhora em vendas e lançamentos. Já as empresas voltadas à média e alta renda tiveram fortes recuos”, afirmou.

Suzaki avalia que esta conjuntura pode levar ao aumento nos distratos à frente, com perdas financeiras às companhias. As menos alavancadas tendem a se beneficiar no curto prazo, pois podem resistir mais ao cenário macro, oferecer melhores condições aos consumidores ou evitar fazer liquidações dos imóveis, impactando menos suas margens.

Com relação às recomendações da próxima semana, a Ativa manteve apenas Vale ON em sua carteira. Saíram B3 ON, Eztec ON, Ultrapar ON e Weg ON e entraram Alliar ON, Qualicorp ON, Hypera ON e Klabin ON.

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O Banco Daycoval fez duas trocas. Retirou Ser Educacional ON e Sequoia ON e colocou Copasa ON e Eneva ON, mantendo Assaí ON, CCR ON e Lojas Renner ON.

A Guide substituiu Assaí ON por B3 ON e manteve Irani ON, Itaú PN, Rede D’Or ON e 3R Petroleum ON .

A Mirae trocou apenas Ferbasa ON por Braskem PNA e deixou as demais: Gerdau PN, JBS ON, JHSF ON e Randon PN.

Na carteira da MyCap ficaram Bradesco PN, Dexco ON e Grupo Soma ON, e saíram Multiplan ON e Tegma ON. Entraram no lugar Assaí ON e Vale ON.

A Órama promoveu apenas uma alteração na carteira, com a troca de Minerva ON e Totvs ON por JBS ON e Telefônica ON.

Conteúdo originalmente publicado em: https://economia.estadao.com.br/noticias/mercados,top-picks-cenario-segue-desafiador-para-construtoras-na-bolsa