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Procura-se: cachorro para apartamento

Algumas raças podem ser mais dóceis e independentes, mas todas exigirão adaptação do espaço, do cão… e do dono


Verônica Lima

13/02/2020 - 8 minutos de leitura


Adestramento, brinquedos inteligentes e enriquecimento ambiental são excelentes formas de gastar a energia mental do bichano/ Foto: Getty Images

Para os brasileiros, os pets vão muito além de meros animais de estimação. São considerados parte importantíssima da família. Prova disso é que, de acordo com a pesquisa Proteção Animal Mundial, realizada em 2019 em cinco países (Brasil, China, Índia, Quênia e Tailândia), nós aparecemos no topo da lista como os que mais possuem cachorros em casa, com 77% dos respondentes. O resultado, no entanto, não chega a ser uma surpresa, já que um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito em 2013 apontava que os lares brasileiros tinham mais animais de estimação do que crianças – 52 milhões de cães contra 45 milhões de crianças.


A tendência é um alerta para que tutores tenham cuidados e planejem o lar para receber seus pets com segurança. “Os cuidados são parecidos com os de um bebê que começou a dar seus primeiros passos e a explorar tudo. Lixeiras devem ter tampas ou serem postas em local suspenso para o cachorro não mexer. Materiais de limpeza devem estar guardados em armários, fora do alcance do bichinho. E é preciso tomar cuidado com fios e cabos conectados à tomada, porque o cão pode roer e levar um choque”, explica a digital influencer Halina Medina, fundadora do portal Tudo Sobre Cachorro. Ainda no primeiro semestre deste ano, Halina lançará o projeto “CãoSultoria”, com o objetivo de auxiliar pessoas que querem ter um animal de estimação, desde a escolha da raça até o preparo do local, passando pelo convívio com o filhote.

Halina Medina e Cléo/Foto: Arquivo pessoal

Ainda segundo ela, que vive em um apartamento na cidade do Rio de Janeiro com o marido Roy, três cachorros – Pandora (bulldog francês), Cléo (cavalier king charles spaniel) e Brunello (bernese mountain dog) – e dois gatos Sem Raça Definida (SRD) – Theo e Íris –, é importante que as pessoas dispostas a abrir as portas para um filhote entendam que precisarão abrir mão de algumas coisas, como uma festa ou viagem marcada para o final de semana com amigos, para ficar em casa e dar atenção ao novo morador de quatro patas. “Decisão consciente, é o que sempre digo! Comprar ou adotar por impulso e sem preparo acarreta em negligência e abandono. Por isso, luto para que as pessoas entendam que cão exige dedicação, não é só pegar e jogar dentro de casa”, garante Halina.

Entre as principais recomendações, a tutora destaca que é bom estar preparado para alguns incidentes, como roídas no rodapé ou em algum móvel. “O filhote não sabe nada ainda, cabe ao tutor ensinar. É importante separar um local do apartamento onde o cão fará as necessidades e onde você pode mantê-lo quando sair de casa. Ele precisa desde cedo aprender a ser independente para que não tenha ansiedade de separação, o que pode ocasionar destruições, automutilações e/ou latidos excessivos na ausência do dono.”

Halina garante, no entanto, que os cães são extremamente adaptáveis, mesmo os adultos. Depois que um deles chega a uma nova casa, filhote ou não, ele vai demorar de três dias a uma semana para se acomodar ao novo ambiente, salvo em casos que envolvam algum tipo de trauma. Se a situação for esta, será preciso fazer um trabalho mais minucioso. Se um cachorro que sempre viveu em casa, ou nas ruas, vai para um apartamento, o maior desafio para o tutor não é a questão dos passeios – uma vez que ele precisará passear pelo menos duas vezes por dia ou até mais, dependendo do nível de energia –, mas ensinar o animal a fazer as necessidades fisiológicas no tapetinho higiênico.

“Não recomendo que o bicho crie o hábito de fazer apenas nos passeios, pois ele acaba prendendo o xixi, correndo o risco de ter problemas urinários e renais. Além disso, se acontece algo com os tutores, doença, falta de tempo, ou mesmo uma chuva torrencial, o bichinho acaba não indo passear e também não faz xixi, pois não aprendeu a fazer dentro de casa. Então, a primeira coisa quando chega um cão, seja filhote ou adulto, comprado ou adotado, vira-lata ou de raça: ensinar a fazer as necessidades no tapetinho.”

Raças

Existem algumas raças que se adaptam mais facilmente aos apartamentos. Elas costumam estar entre os bichanos de porte pequeno e médio. É possível ter um golden ou labrador em apartamento? Até é. Mas o tutor precisa estar consciente que esse cão precisará de três longos passeios por dia, enriquecimento ambiental e adestramento para gastar energia física e mental. “As pessoas também podem se enganar pelo tamanho. Existem raças médias e até pequenas que parecem ser boas para apartamento, mas na prática não são recomendadas, como o jack russel, que tem alto nível de energia, apesar de pequeno”, ressalta Halina.

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Já a avaliação dos SRDs vai depender de cada indivíduo, já que o nível de energia pode variar bastante. Alguns SRDs são tranquilos e se adaptam muito bem em apartamentos. Outros são super elétricos, precisam de mais espaço e exercício. Neste caso, adotar um adulto é mais seguro, pois você já conhece o porte e o perfil do cão. Segundo a profissional, qualquer cachorro pode morar em apartamento se o tutor estiver preparado para oferecer o que o animal necessita para ter saúde e qualidade de vida. “Lembrando que eles precisam gastar não apenas energia física, mas também mental. Adestramento, brinquedos inteligentes e enriquecimento ambiental são excelentes formas de gastar a energia mental do bichano e assim ter um amigo de quatro patas mais calmo e equilibrado.”

Adestramento

É importante ensinar comandos para melhorar a comunicação com os bichos. Os mais importantes, na avaliação da publicitária, são: senta, fica, vem e solta. “O tutor precisa caprichar muito na educação do seu amigo peludo. Ensinar o que pode e o que não pode fazer (sem bater e sem brigar), para que ele tome as decisões corretas no futuro. Não é fácil, requer paciência, mas é totalmente possível e o resultado é um cão equilibrado e uma pessoa feliz e em paz”, explica. Halina conta que enxerga o adestramento como o ensino de comandos e a educação como a conduta que o animal tomará de acordo com o que surge em sua vida. “Se você deixa um pacote de bolacha em cima da mesa, um cão educado não irá pegar. Um cão adestrado vai pegar se você der o comando ou vai pegar por força do hábito, e o comando ‘solta’ irá fazê-lo largar o pacote”, completa.

Dicas para a nova vida com o seu pet

Um cão não destrói a casa porque está revoltado de morar num local pequeno. Ele destrói as coisas por outros motivos, como falta de atenção do dono, falta de brinquedos suficientes e diferentes, falta de enriquecimento ambiental, energia mental acumulada ou ausência de passeios. “Tenho duas cachorras que nunca destruíram nada e cresceram em apartamento”, garante Halina. Confira as dicas e se prepare antes de compartilhar o lar com um bichinho de estimação:

  • Oferecer brinquedos de tamanhos, formatos e texturas diferentes para ele roer e se distrair. Os modelos em nylon são mais resistentes.
  • Oferecer a ração em brinquedos inteligentes, como quebra-cabeças, pet ball ou kong, ajuda a gastar energia mental, porque faz com que o cão trabalhe pela comida.
  • Nunca brigar quando pegar o cão destruindo algo (muito menos quando você chegar depois do ocorrido!). Se pegar seu bichinho fazendo algo que não deve, chame ele e ofereça um dos brinquedos. Mude o foco e a atenção do objeto errado para o objeto certo.
  • Assim que puder sair de casa (21 dias depois da última dose da vacina), passear com o cão pelo menos duas vezes por dia (alguns cães precisam de três vezes, a depender do nível de energia). Os passeios devem ser mais curtos para filhotes e, conforme vão crescendo, podem ser mais longos.
  • Não estafe seu cachorro. Se sentir que ele já está cansado, volte para casa. E não passeie em horário de sol forte e chão quente.
  • Dê atenção ao cão, brincando com ele, fazendo carinho e massagem.
  • Adestre seu animal! O adestramento é importante não apenas para que você crie uma comunicação saudável com seu pet, mas também para o gasto de energia mental. Sessões de 15 minutos são ótimas.

Condomínios

É importante salientar que nenhum condomínio pode proibir cães, pois as regras não estão acima da Constituição Federal, que assegura o direito de propriedade (Art. 5º, XXII e Art. 170, II), ou seja, a pessoa pode ter cachorro em seu apartamento, contanto que a permanência dele não atrapalhe ou coloque em risco a vida de outros moradores.

Por isso, saia sempre com coleira pelo elevador de serviço, de acordo com as normas do prédio. Se pela lei seu cão precisa usar focinheira na rua, coloque o equipamento. Para algumas raças, como mastim napolitano, pitbull, rottweiller e outras, o uso da focinheira é obrigatório, segundo estipula a Lei nº11.531, de 11 de novembro de 2003.

“Outra coisa importante é que nem todo mundo gosta de cachorro e ninguém é obrigado a gostar. Além disso, algumas pessoas têm medo de cães. Por mais que você saiba que seu cãozinho é lindo, fofo e super dócil, é preciso respeitar as pessoas. Por isso, ao transitar com ele pelo condomínio, mantenha-o na coleira próximo a você e só permita que interaja se a pessoa tomar a iniciativa de vir falar com ele. Para mim, é uma questão de respeito”, conclui a digital influencer.

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