Com ou sem crise econômica, as grandes marcas de luxo nunca deixam de ser objeto de desejo e consumoa agora imóveis associados a grifes, mesmo que para uma parcela muito reduzida da população mundial, são realidade.

Em plena pandemia, enquanto praticamente todos os setores da economia suaram a camisa para sobreviver, algumas dessas grifes se tornaram até mais valiosas. 

É o caso da Porsche, que ocupa o primeiro lugar disparado no ranking do Luxury & Premium 50 de 2021, levantamento feito pela consultoria internacional Brand Finance.

A marca alemã foi avaliada em mais de 34 bilhões de dólares – 12% a mais do que no ano anterior -, enquanto a Dior, avaliada em 7,8 bilhões de dólares, teve crescimento de 13,9% e a italiana Ferrari, cujo valor aumentou 2,1%, bateu os 9,2 bilhões.

Prosperar em um mundo onde apenas 1% da população é milionária, porém, requer jogo de cintura. E isso tem feito com que essas marcas se lancem em novas modalidades de negócios, que vão das colaborações estratégicas com marcas de massa, conhecidas como collabs, às empreitadas em setores diversificados – entre eles, o mercado imobiliário.

“É uma tendência que já existe lá fora e começou a surgir no Brasil”, observa Robinson Silva, diretor da GRI Club Real Estate.

Ele fala que em cidades que têm uma demanda grande por produtos imobiliários de luxo e empreendimentos de alto padrão, como Miami e Dubai, algumas incorporadoras já buscavam diferenciar seus empreendimentos com a assinatura de marcas renomadas ou através de bandeiras hoteleiras de luxo que acabam agregando valores e serviços aos residenciais.

Ele cita alguns exemplos já consolidados na ensolarada cidade da Flórida, como Porsche TowerFendi Château Residences e Armani Casa.

No Brasil, especialmente em São Paulo, no Balneário Camboriú e em Itajaí, Silva conta que também já existem lançamentos e empreendimentos em construção que utilizam alguma bandeira de luxo atrelada ao projeto de imóveis associados a grifes. Segundo ele, esse tipo de parceria ajuda a maximizar o preço de venda dos imóveis porque cria um desejo. “Pode também auxiliar na velocidade de vendas, já que sabemos que os empreendimentos de alto padrão têm uma curva de venda um pouco mais lenta do que os econômicos ou de médio padrão”, argumenta.

Ele menciona ainda o diferencial dos serviços, principalmente quando grandes marcas hoteleiras, como Fasano ou Emiliano, assinam contratos com as incorporadoras para que os projetos sejam de uso misto – residencial e hoteleiro. “Aí a bandeira consegue prestar serviços parecidos aos da parte hoteleira a quem mora nas residências”, exemplifica. “Arrumação de área, enxoval, mobiliário padrão assinado, restaurantes, delivery, serviço de quarto, valet e por aí vai. As áreas comuns podem até ser divididas, com elevadores, estacionamento e lazer exclusivos para uma e outra parte, mas esses serviços são oferecidos para todos.”

Projeto único

À frente da construtora catarinense Pasqualotto&GTAlcino Pasqualotto Neto conta que a empresa identificou em 2012 a oportunidade de fazer grandes projetos de imóveis associados a grifes em termos de design e verticalização no Balneário Camboriú, onde está erguendo três empreendimentos residenciais assinados pela Pininfarina, responsável pelo design de marcas automobilísticas como Ferrari, Alfa Romeo e Maserati

“São projetos que atingem um nível de público específico, então existe uma intenção muito fora do convencional em termos de acabamento, design, ferramentas e materiais”, ele diz. “Essa questão do design de luxo está presente na moda, no automobilismo e até na gastronomia. Através dele as pessoas percebem que existe uma linha de qualidade e inovação”, acrescenta.

Um dos projetos, batizado de YachtHouse by Pininfarina, fica dentro da Marina Tedesco. Enquanto a construtora foi responsável por toda a estrutura, sistema e equipamento internos, a Pininfarina trouxe o design do prédio, cuja base faz referência a um iate de luxo. 

“É uma parceria muito importante para conectar tudo e deixar orgânico”, diz o empresário. Entre os diferenciais desenvolvidos para transformar o empreendimento em ícone atemporal, de acordo com ele, há também itens de tecnologia e confortabilidade, como vidros duplos autolimpantes preenchidos por ar, que garantem conforto térmico e suportam grandes rajadas de vento, e elevadores com pé direito alto que levam 6 segundos para chegar ao último andar. 

Outro destaque é a parte inferior do embasamento, toda revestida em fibra náutica.

Apesar do custo alto de imóveis associados a grifes, o produto tem público cativo. Dos 264 apartamentos do residencial, com valores entre R$ 6 milhões e R$ 9 milhões, 70 já foram entregues aos proprietários e apenas 12 ainda estão à venda. 

O empresário fala, no entanto, que erguer uma obra idêntica hoje seria financeiramente inviável no Brasil. “Conseguimos fazer esses projetos na época graças ao valor mais baixo do dólar. Tudo que a gente trouxe de tecnologia e inovação era em dólar”, observa, dizendo que o custo de finalização foi calculado em 2014 e mais do que dobrou de lá para cá. “É um projeto único. 


Pode até ter um empreendimento parecido, mas não igual. Tivemos a grande felicidade de fechar tudo antes da pandemia porque, unindo os três empreendimentos, estamos falando de um milhão de metros quadrados de obra.”

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