Desde 08 de novembro os Estados Unidos abriram as portas para turistas totalmente vacinados. A reabertura das fronteiras ocorre após 20 meses de fechamento, desde a gestão Trump. A medida foi imposta pelo ex-presidente republicano devido à pandemia do coronavírus. E muitas pessoas desejam não apenas passar alguns dias no país, mas fixar moradia atrás de mais qualidade de vida, oportunidades de trabalho, educação formal e segurança.

Para quem tem interesse em se mudar por um período prolongado, existem algumas opções de vistos que permitem morar de forma legal nos EUA, mas eles são para quem busca investir naquele país. Existem opções mais limitadas ou com maior flexibilidade. Bruna Allemann, especialista em investimentos internacionais, explica sobre as 3 principais opções para solicitar um visto dos EUA. “Para quem deseja se mudar por tempo indeterminado ou definitivamente, é necessário o auxílio de um advogado de imigração para estudar a melhor forma de fazer o processo.”


E2: visto de empreendedor

Esta modalidade é destinada para quem possui dupla cidadania. Porém, o território de segunda origem precisa estar na lista de países que assinam o Tratado de Comércio e Navegação com os Estados Unidos, que não é o caso do Brasil nem de Portugal, por exemplo.

O visto E2 permite empreender nos EUA através de negócio próprio ou franquia, porém não permite trabalhar em outra empresa, apenas onde possui seus investimentos. O visto possibilita a permanência enquanto o proprietário seguir o Business Plan (Plano de Negócio) apresentado para imigração, como geração de empregos, receita e pagamento dos impostos.

O E2 não oferece o mesmo benefício que um residente. Não permite trabalho formal de familiares, mesmo que o visto possa abranger toda a família. Filhos beneficiados, ao completarem 18 anos no País, precisam de renovação do visto, caso contrário precisam deixar o território.

O custo para o processo de aquisição do Visto E2 é de aproximadamente 150 mil dólares, cerca de R$823.500,00. “Acredito que seja difícil construir um negócio viável e, economicamente falando, interessante”, comenta Bruna.

EB-5: visto de investidor de alta renda

Este tipo foi criado para atrair investidores de alto potencial financeiro para injetar capital na economia norte-americana e está vinculado a projetos imobiliários específicos, exclusivamente de Centros Regionais — empresas por trás de incorporadoras e construtoras responsáveis por criar projetos imobiliários, disponibilizando cotas para investidores. Essas empresas lideram o processo de construção e implementação do empreendimento, enquanto os investidores entram apenas com uma cota financeira. Essa cota não torna o investidor sócio e não oferece nenhum tipo de garantia de retorno.

O EB-5 pode ser uma boa opção para famílias com capital, mas que não possuem uma capacitação acadêmica para outros tipos de vistos. O investidor não precisa se preocupar em gerir um negócio, já que todos os membros da família adquirem o Green Card. Porém, é importante lembrar que o empreendimento em questão precisa ser aprovado pela imigração. A aprovação final pode levar 5 anos, com retorno inicial do investimento em até 6 anos. Outros custos são com o advogado de imigração, cerca de 35 mil dólares, e a taxa de administração do Centro Regional, que varia de 40 a 65 mil dólares.

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Principais pontos deste tipo de investimento são: a cota deve ser de 500 mil, 900 mil ou 1,8 milhões de dólares; precisa gerar o mínimo de 10 empregos para cidadãos americanos em um período mínimo de 2 anos; o investimento não precisa ter garantias financeiras de retorno do capital investido, mas precisa garantir segurança e qualidade de execução do projeto.

EB-2 NIW: visto de qualificação extraordinária

Seria o caminho mais econômico para adquirir um Green Card, mas não é o mais fácil. Este visto exige que o candidato — um profissional ou acadêmico com qualificação — demonstre para imigração dos Estados Unidos que é um potencial necessário para o mercado norte-americano. O processo possui 1o pontos importantes, sendo necessário o candidato preencher 4.

Investimentos imobiliários

Existem diversos investimentos imobiliários nos Estados Unidos. Eles são chamados de “REITs” (Real Estate Investment Trust): são empresas que têm suas ações negociadas na bolsa. Existem mais de 250 REITs transitando na bolsa norte-americana. “É uma forma mais simples, rápida e acessível para fazer investimentos imobiliários no País”, afirma William Castro Alves, economista, estrategista-chefe e sócio na Avenue Securities.

“O investidor abre uma conta em uma corretora norte-americana e pode começar comprando ações ou participações em empresas, como é feito em fundos imobiliários brasileiros. Pode-se comprar e vender ações normalmente no mercado por meio do ETFs, exchange-traded fund”, explica Castro. O maior ETF com pacote de REITs é o Vanguard  Real Estate ETF (VNQ). Entre as maiores holdings imobiliárias que possuem participação nesse fundo de investimento estão a American Tower Corporation, Prologis, Inc., Crown Castle International, Digital Realty Trust, SBA Communication, Welltower, Inc. “Outra opção é comprar um imóveis nos EUA, porém, é mais apropriado para quem quer morar mesmo, já que um imóvel tem menos liquidez que os investimentos”, diz. 

Bruna destaca um ponto importante para quem planeja esse movimento: “qualquer tipo de visto, seja de investidor ou imigração para residência nos Estados Unidos, requer a permanência no país por no mínimo 18 dias no ano. Caso contrário, eles podem entender que não houve interesse em morar no país e retirar sua residência”, explica Allemann.

A profissional alerta ainda que investir por investir não habilita um brasileiro a ter direito ao Green Card, independente do tamanho do capital ou propriedades nos Estados Unidos. Para ser um residente, você precisa atender aos requisitos de cada visto. “O investidor precisa estar atento a promessas enganosas, para não cair em golpes. Pesquise advogados de imigração sérios e é essencial ter uma reserva de 50 mil dólares”, completa.