Um dos setores mais afetados com o aumento da taxa de juros é o imobiliário. Com os valores mais altos, a compra de imóveis pode ficar para segundo plano. Entretanto, muitos brasileiros têm o sonho da casa própria e planejam dar este passo em algum momento.


Para se ter ideia, mesmo com a pandemia, a venda de imóveis cresceu no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos imobiliários para aquisição com recursos da poupança somaram R$ 110,7 bilhões no acumulado anual. Só em agosto deste ano, o valor foi de R$ 21 bilhões, maior número na série histórica desde 1994.

Os números da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) do primeiro semestre deste ano mostram que a venda de imóveis pelas incorporadoras foi 25,9% maior que o mesmo período de 2020. No acumulado dos últimos 12 meses até julho, o crescimento foi de 32,1% em relação ao período anterior.

Segundo a Abrainc, os dados também representam o melhor resultado da série histórica. Vale ressaltar que no período de junho de 2020 até março de 2021 a Selic (taxa básica de juros) esteve na casa de 2%, um valor atrativo para o setor imobiliário.

No entanto, agora, com a Selic a 7,75%, os cuidados na hora de financiar um imóvel para quem decidiu dar esse passo devem ser redobrados para não acabar pagando mais caro. O primeiro passo, para especialistas em educação financeira, é pesquisar e planejar.

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“Um dos principais sonhos do brasileiro é ter a casa própria, mas, muitas vezes, não há planejamento para isso. Juntar um valor para dar uma entrada nem sempre está acompanhado com o peso da responsabilidade de ter uma dívida por 30 anos”, destaca Bruna Allemann, educadora financeira da Acordo Certo.

Segundo Allemann, mesmo com o aumento dos juros, ainda é possível fazer pesquisas e comparações para realizar boas negociações. Ela alerta que, em geral, buscar a instituição financeira na qual o interessado tenha relação duradoura pode ser mais vantajoso na hora da comprovação do histórico de crédito, apesar de não ser uma regra.

Para o CEO e fundador da ATTA Renato Caporrino, a separação de documentos para comprovação de crédito, a pesquisa de cenários e a compreensão das possibilidades de amortização e de portabilidade de financiamento são as principais dicas para uma negociação.

“Ainda que as expectativas para a Selic sejam de aumento, este é um momento propício para financiamentos de imóveis, uma vez que as taxas ainda estão baixas. Porém, é importante ter em mente o valor do crédito imobiliário que será concedido antes de procurar o imóvel, assim é possível se manter dentro do orçamento, sem comprometer mais dinheiro no processo”, diz o executivo da empresa de financiamento imobiliário.

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