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Como poluição sonora desvaloriza imóveis residenciais

Barulho impacta qualidade de vida e bem-estar dos moradores de grandes cidades

Por:Breno Damascena 16/06/2023 2 minutos de leitura
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Ruídos na vizinhança tendem a ser ignorados por corretores de imóveis e imobiliárias no anúncio dos bens/ Crédito: Getty Images

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Morar em grandes cidades é uma escolha que vem acompanhada de diversos contrapontos. São filas na padaria, congestionamentos nas rodovias e barulho nas vizinhanças. Aliás, muito barulho. Tanto barulho que a poluição sonora é capaz de intimidar moradores e provocar a desvalorização de imóveis. Ainda que os ruídos sejam parte do dia a dia, eles podem assustar o mercado imobiliário. 

Um estudo realizado pelo Grupo Loft analisou os preços dos apartamentos vendidos no entorno do estádio Allianz Parque, em São Paulo, conhecido por ser um dos pólos de jogos de futebol e shows internacionais mais importantes da cidade.

De acordo com o levantamento, que avaliou 32 mil transações de apartamentos próximos ao local, à medida que os imóveis se distanciam do estádio, os preços sobem. Aqueles que estão localizados a cerca de 450m, tiveram preço de venda 2% maior do que os imediatamente vizinhos.

Por outro lado, porém, os apartamentos que estavam a mais de 900 metros do estádio tiveram preço 1,1% inferior aos imediatamente vizinhos. 

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“Um grande polo de ruído e aglomeração, como o Allianz Parque, traz incômodos para os vizinhos, desvalorizando o imóvel. Mas, por outro lado, essa estrutura também traz vantagens, como acesso fácil aos eventos”, afirma o gerente de comunicação de dados da Loft, Fábio Takahashi. “Estar a cerca de 450 m do estádio é o ponto ideal, por você não estar tão próximo da aglomeração, mas estar a uma distância confortável para aproveitar dos benefícios.”

Avaliação imobiliária

Apesar de ser um fator determinante para a qualidade de vida do morador, os barulhos que acontecem na vizinhança do imóvel são facilmente ignorados na hora de comprar ou alugar um imóvel. “O que a primeira vista é um conforto pode se tornar uma vivência de estresse”, resume a engenheira de produção e doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amanda Cossich, que observou a relação entre poluição sonora e a valoração de imóveis urbanos na cidade de Maringá, no Paraná.

“Como a poluição sonora não entra como um valor de avaliação de um imóvel, os compradores não se preocupam com isso. Eles estão mais focados em aspectos como o acabamento do imóvel, a churrasqueira na sacada, a qualidade do banheiro e as suítes. Priorizam as variáveis quantitativas, mas não nas qualitativas”, diz. “A qualidade de vida no local não é muitas vezes levada em conta.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a poluição sonora é um dos fatores ambientais que provoca mais problemas de saúde. Só na Europa, segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente (AEMA), o problema causa 12 mil mortes prematuras por ano. 

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Na prática, a poluição sonora causa indiretamente doenças cardiovasculares, insônia e estresse e quase um terço das pessoas no mundo têm perdas auditivas relacionadas ao ruído provocado pela mobilidade urbana. “O problema é que quando um bairro é silencioso, os corretores de imóveis destacam este ponto. Porém, quando é uma via com muito tráfego ou barulho, tendem a ignorar. A poluição sonora pode até não te deixar surdo, mas vai diminuir sua qualidade de vida”, alerta Amanda.

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