Eu me lembro de pensar nisso como um exagero dos meus pais, quando eles gritavam meio sussurrando, entre dentes, “tem gente que mora aqui embaixo, Camila!”. Mas e daí? Quando criança, na sala mesmo eu pulava corda, andava de patins, triciclo, skate, dançava, derrubava o banco de madeira que eu fingia ser um barco para navegar em um mar bravo… e eventualmente até quebrava pratos e copos – sem querer, é claro.

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Agora, mãe, aqueles apelos desesperados ganharam cores. Meu coração dispara quando minha filhinha, tão calmamente, decide escalar a estante de livros com seus pezinhos de pãozinho e mãozinhas fofinhas. Dá frio na barriga pensar na estante virando em cima dela, mas o que normalmente acontece é só o estrondo de livros caindo, brinquedos batendo no chão, móveis se deslocando ruidosamente pelo taco. “Tem gente morando aqui embaixo, pelo amor de Deus, filha!” Eu repito o ritual dos meus pais, tensa, pronunciando as palavras pausadamente e entre dentes, implorando que ela compreenda o conceito de moradia vertical e o que isso significa em nossas vidas.

“Minha bebê tem 4 meses agora e alguns vizinhos, quando eu saio na rua, falam: ‘e essa chorona aí?’ Isso me irrita profundamente. Como se o choro não fosse a comunicação dos bebês”, conta Cristina da Costa Santos, 33 anos, pedagoga. Minha angústia pelo barulho da filhinha, então, não é só minha afinal de contas. “Minha vizinha de baixo reclamava dos barulhos altíssimos da minha TV. Ela dizia que eu passava a madrugada com a TV em alto volume. Acontece que eu não gosto de assistir TV e por isso não tenho aparelho em casa. Mas ela deixou um bilhete na minha caixa de correio reclamando.” A vizinha da Cristina, convencida da culpa, chegou a formalizar uma reclamação contra ela junto à imobiliária antes mesmo de confirmar a causa do barulho. “Eu passei a rir disso e depois pensei que teria relação com a minha bebê, porque o quartinho dela fica bem próximo à janela que era o quarto da vizinha. Acho que o canal de bebê que venho assistindo há 4 meses deve, de fato, incomodar!”

De fato, incomoda

A tensão constante das mães pode ser opressiva, não só para elas, mas para as crianças também. No entanto, a fonoaudióloga Andrea Cintra Lopes, professora associada do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo em Bauru, conta que o choro de um recém-nascido pode chegar ao volume de 100, até 110 decibel (medida utilizada para quantificar a intensidade sonora). Para efeito de comparação, um liquidificador emite em média 75dB, uma rua com trânsito intenso produz ruído de 85dB, uma britadeira fica em torno de 100dB e uma turbina de avião chega até 130dB. Aos 140dB o volume é considerado ensurdecedor. “É por isso que os aeroportuários trabalham com dupla proteção auditiva.”

Barulhos de crianças correndo, pulando e jogando bola dentro de casa durante o dia e também durante a noite, somados às festas de madrugada, causaram perturbações profundas a Carlos Alberto Macedo, de 48 anos, coordenador de implantação e suporte de sistemas ERP. “O caso mais delicado são as crianças, pois os pais acham que, por se tratar dos pequenos, tudo é permitido. Quase sempre levam até mesmo uma conversa amistosa para o lado pessoal.” A esposa de Carlos tentou conversar com os vizinhos de cima para tentar administrar os pulos constantes do menino, mesmo altas horas da noite. Ao ver que nada mudava, foram juntos conversar com a família e explicar a razão do incômodo. 

“Fomos recebidos com muita hostilidade. Os pais alegaram que não deveriam repreender o filho por ser criança, porque criança brinca, pula, grita e, para eles, era uma situação normal. Mas assim como a criança brinca, um cão late e um passarinho pia. Quem quer um passarinho cantando, um cachorro latindo ou uma criança pulando dia e noite no seu ouvido sem parar? Qual é o limite da tolerância e reação ao esgotá-la?” A pergunta de Carlos é pertinente.

O que diz a lei brasileira

A Associação Brasileira de Normas Técnicas define, na NBR 10.151, de junho de 2000, a aceitabilidade do ruído em comunidades, independente da existência de reclamações. Para regiões urbanas mistas, mas com vocação predominantemente residencial, a Norma define como aceitável o ruído de 55dB para o período diurno e 50dB para o noturno. Ou seja, o choro de uma criança pequena ultrapassa em muito o limite avaliado, mas barulhos de crianças maiores também podem exceder largamente o volume normatizado como o que se pode aceitar ou conviver.

Já o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão regulatório vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, emitiu a resolução N.º 001, de 08 de março de 1990, declarando que “a emissão de ruídos em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, obedecerá, no interesse da saúde e do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes estabelecidos”. O Conama considera que a deterioração da qualidade de vida causada pela poluição é agravada nos grandes centros urbanos pelos níveis excessivos de ruído e abriga a questão sob sua responsabilidade junto ao Controle da Poluição do Meio Ambiente.

O Conama afirma ainda que são prejudiciais os ruídos com níveis superiores aos considerados aceitáveis pela NBR 10.152. Esta, por sua vez, normatiza os níveis de pressão sonora em diferentes ambientes, como hospitais, bibliotecas, apartamentos, dormitórios e cinemas (de 35 a 45dB). No entanto, na prática, como saber se tais locais estão dentro dos parâmetros considerados saudáveis? “Alemanha, Dinamarca, Holanda e Nova Zelândia são países mais conscientes e exigentes com relação ao ruído, têm uma população ligada à questão ambiental. Isso é cultural e depende da percepção do respeito. A poluição sonora não fica restrita, ela se propaga imediatamente”, explica Gilberto Fuchs de Jesus, engenheiro mecânico e especialista em acústica e vibrações.

A legislação brasileira classifica como contravenção penal a perturbação do sossego alheio com gritaria ou algazarra; exercício de profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; abuso de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; provocar ou não procurar impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda. A pena pode variar entre prisão simples, de quinze dias a três meses de retenção, ou multa, que pode chegar à casa das centenas de milhares de reais. A forma de observar o cumprimento da constituição é ligar para a polícia e pedir intervenção. Se o problema for persistente, é necessário realizar o Boletim de Ocorrência e mover uma ação judicial.

Danos à saúde física e mental

Caroline Burgos Martins da Costa, 23 anos, mora com o marido, de 27, um gato e a cachorrinha do casal em um sobrado na Vila Nova Esperia, Jundiaí. Ela conta que quando a vizinha tinha apenas o primeiro filho, hoje com 7 anos, a situação parecia tranquila. Mas com a chegada da bebezinha as coisas ficaram mais complicadas. “A filha dela chora muito, mas tem os gritos da minha vizinha também. Ela grita o tempo todo com as crianças. O menino, quando se junta com o amiguinho, fica batendo garrafa pet na parede de noite. Meu marido e eu não conseguimos dormir.” Ao tentar uma conversa sobre os incômodos, não foram bem recebidos e não perceberam qualquer cuidado da família com relação ao barulho. “É uma situação bem chata mesmo. Vamos ver este ano o quanto o aluguel vai subir e, dependendo do valor, vale a pena trocar nossa casa por um apartamento.”

Os efeitos negativos no organismo decorrentes da exposição ao barulho constante podem variar em cada indivíduo, mas é certo que a saúde é afetada no médio e longo prazo. Alguns sintomas podem ser observados de maneira imediata, como dores de cabeça. Mas outros problemas, como a perda auditiva precoce, avançam muitas vezes sem serem notados. Além disso, o desconforto acústico pode causar transtornos como distúrbios do sono, estresse, alteração do humor, irritabilidade, aumento da frequência cardíaca, surdez, zumbido no ouvido, distúrbios digestivos, falta de concentração, pressão alta, fadiga, alergias… a lista é longa.

Carlos é testemunha do desgaste físico e psicológico não apenas dos barulhos, mas também dos conflitos. “O resultado dessa longa batalha com vizinhos deixa um rastro de questões psicológicas. O stress, a ansiedade, o pânico deixa gatilhos escondidos que você, mesmo estando bem, passa mal do nada.” Marcel Fulvio Padula Lamas, médico com formação em psiquiatria, explica que as doenças psiquiátricas são causadas por múltiplos fatores. Entre os principais estão os grandes estresses agudos e imediatos (como assaltos, perda de familiares ou de emprego), estresses crônicos de intensidade leve e moderada (trabalho estressante, bullying e também os barulhos frequentes causados por vizinhos) e fatores genéticos, como familiares que já possuam desequilíbrio da saúde mental.

“Existem, é claro, fatores como o uso de substâncias e outras motivações. Mas a questão é que, quando a pessoa já tem o estresse do dia a dia, ela chega em casa buscando o aconchego para relaxar, ver um filme, focar em outras coisas. O problema da criança gritando, desse estímulo constante, é que acaba sendo algo irritativo, que gera estresse. No momento em que a pessoa deveria estar se tranquilizando, dormindo de forma adequada, ela não consegue”, reflete o médico.

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Carlos e seus familiares enfrentaram problemas que, com o tempo, acabaram se tornando crônicos. “No meu caso, tive que levar gente da família às pressas ao menos três vezes em pronto socorro de madrugada. Exames completos, complexos e periódicos passaram a ser realizados a partir de então e você não acha nada, absolutamente nada, porque é psicológico. Todos somos ansiosos, mas ninguém vai entender a que nível me refiro se não viver isso. A vida muda, o vizinho sem noção vai embora, o problema fica. Estamos com traumas. Vencemos todas as batalhas, todas, sem exceção. Recusei-me a mudar por conta de vizinhos, mas hoje acredito que o melhor caminho seria ter vendido o imóvel.”

Poluição sonora

A Organização Mundial da Saúde considera a poluição sonora um problema de saúde pública desde 2011. Ao lado da poluição do ar e das águas, o excesso sonoro foi considerado como uma das três prioridades ecológicas. A Agenda 21 Brasileira, que tem entre suas prioridades o fomento às cidades sustentáveis, propõe “implementar campanhas de esclarecimento à população sobre a produção de ruídos, divulgando o valor médio de decibéis toleráveis relativos ao tipo de área e período do dia”. A poluição sonora já é entendida como um dos maiores problemas ambientais dos grandes centros urbanos e é caracterizada quando o som excessivo altera a condição tolerável de audição e o funcionamento de organismos vivos ao redor.

Embora não se acumule no meio ambiente como outros tipos de poluição, ela realmente causa danos não apenas aos seres humanos, mas também aos animais. “A gente vive numa sociedade que cultua o barulho. Todas as atividades de lazer estão relacionadas à intensidade sonora elevada. Isso em qualquer faixa etária. Desde criança até adulto. As academias de ginástica, corridas de Fórmula 1, corridas de moto, as baladas… todas têm intensidade sonora bem elevada. Porque isso dá prazer”, reflete Andréa. A médica alerta que é preciso preservar as crianças não só dos barulhos urbanos contínuos, mas também do ruído causado pelas atividades das próprias crianças e do que propomos a elas como brincadeira.

“Brinquedinhos de vinil que a gente dá para recém-nascidos têm intensidade sonora superior a 90dB. Os carrinhos com motor, caminhão de bombeiro que tem sirene, ambulância, também são ruidosos. E essas intensidades sonoras variam de 80 até 110dB.” Na minha casa, carrinhos não costumam ser um problema. Eu sou o tipo de mamãe que compra brinquedos pensando no meu próprio gosto para a hora de brincar, afinal, minha filhinha solicita companhia com frequência. Brinquedos de madeira, quebra-cabeça, lousa para desenhos grandes e cartas de mímica estão entre os meus preferidos. Meus esforços, no entanto, não impediram que chegássemos à era do Luccas Neto, com sua atuação teatral que envolve aventuras com muitos gritos!

Nada acolhedores

Rosemeire de Fátima C. G. de Almeida, de 51 anos, é mãe do Mateus, de 17. Agora a situação com os vizinhos está apaziguada, mas Rose, como é conhecida no prédio, e Mateus já foram tema de diversas assembleias condominiais. As reclamações são várias, vindas de diversas unidades, sempre a respeito do barulho, da bola na parede, das palmas, de coisas atiradas pela janela e dos gritos do menino. “Às vezes eu fico até com dó dos moradores, sabia? Mas é uma coisa que eu não tenho muito como controlar.” Além dele, Rose tem outros cinco filhos, dois deles morando fora. As mais novas são as duas gêmeas, Alice e Rebeca, com 11 anos.

Os problemas ocorrem principalmente na área privativa externa de onde mora a família. Como acontece em alguns apartamentos no térreo ou primeiro andar, existe um pequeno espaço, como um quintal, nos fundos do prédio, incluído na estrutura de uma unidade. Neste caso, trata-se de uma área de 28m² adicionais aos 70m² da área interna. “Uma coisa é as meninas. Você não as vê lá fora, eu não deixo. Agora, o Mateus eu não tenho como proibir, porque é o único lugar que ele tem do apartamento. Pra você ter uma ideia, ele faz a refeição dele lá fora, não senta com a gente na mesa. Come lá de pé. Ele é autista. Eu troquei o remédio, então ele ficou calmo alguns dias, mas agora tá a mesma coisa. Fica gritando lá fora, gritando. Acho que ele quer se expressar e não sabe como. De vez em quando eu até pego a dona do segundo andar, dona Cacilda, dando uma dura nele lá de cima, né? ‘Mateus, fica quieto! Para de fazer barulho!’”

Apesar das dificuldades, Rose diz que ela e o marido, Nivaldo, procuram ser compreensivos e atender de maneira educada quem os procura com reclamações. Mantêm a rotina de colocar o Mateus para dormir cedo e a escola especial, que ele frequenta. Apesar disso, ele não fala, não lê, não escreve, não distingue cores. Eventualmente, acorda antes do amanhecer. Desenhos na TV e bolacha recheada seguram o menino no sofá até o horário comercial. Mais do que isso, só se estiver dopado. “Até falei para o médico: eu não dou mais o comprimido assim inteiro, eu dou metade, porque senão meu filho passa a maior parte do tempo vegetando.”

Novamente, os limites entre a tolerância e o intolerável parecem borrados: a preocupação de quem precisa dizer o tempo todo “não grite”, “não corra”, “não pule”, “não jogue”, “não suba”, “não derrube” e a vida possível para as crianças que, naturalmente, têm energia. Todo o adulto foi criança um dia e também sentiu a necessidade da expansão. Cristina, mãe da bebê a quem os vizinhos chamam de “chorona”, conta que vive tão tensa que, ao primeiro resmungo na madrugada, já se coloca em pé ao lado do berço, acolhendo qualquer iniciativa de choro. “É engraçado isso, né? Por exemplo, agora que não é horário de verão, 5h da manhã o sol já está raiando e minha vizinha coloca as roupas pra lavar. Ela tem uma máquina absurdamente barulhenta e tá tudo bem. Minha outra vizinha que fala também que minha bebê é chorona, acorda por volta desse horário, cantando alto e fazendo um atropelo dentro de casa e também tá tudo bem. Vizinhos da casa de cima brigam e os gritos deles chegam a assustar minha bebê e tudo bem. O problema são os barulhos das crianças, que realmente têm essa necessidade. Até na escola, onde teoricamente é um espaço para crianças, elas não podem ser barulhentas. Os espaços em geral não são nada acolhedores com as crianças.”

Inimigo invisível

“Tudo vai depender do conforto do ambiente acústico. Se estão brincando numa salinha fechada, o desconforto é maior, porque a reverberação do som fica dentro daquele ambiente.” Andrea tocou no tema central: o quanto nossas paredes foram pensadas para o volume de nossa vida doméstica? Como nossos lares podem proteger nossas intimidades ruidosas? As nossas salas podem promover nosso convívio social sem interferir no direito do vizinho à tranquilidade?

Talvez não. Mas existem metodologias de construção que garantem isolamento e conforto acústico, mesmo que a edificação já esteja pronta. Gilberto Fuchs me explica que é possível diminuir o tempo de reverberação ainda que o ambiente esteja em uso, desde que seja feita uma avaliação profissional e que se esteja disposto a encarar uma reforma, que pode não ser básica. “Quando é o ruído de uma parede pra outra, você tem que aumentar o isolamento, que geralmente está associado à massa, ao peso. Se você faz uma parede muito levinha, com um gessinho casquinha, ele é transparente em termos sonoros.” Aparentemente, os materiais leves, como as divisórias de gesso acartonado, têm feito sucesso na construção civil, por serem fáceis de lidar e muito rápidas de colocar no lugar.

“É um excelente material, desde que bem aplicado. Mas precisa ter uma espessura mínima de gesso de cada um dos lados, com preenchimento de materiais para absorção. A nossa alvenaria tradicional é muito boa, só que é um método muito mais caro do que os modernos. Estão fugindo da alvenaria porque é pesada, sobrecarrega a estrutura do prédio.” O profissional afirma ainda que a engenharia civil brasileira é referência no desenvolvimento de técnicas de construção com concreto armado, estruturas extremamente eficientes, avaliadas entre as melhores do mundo. “Uma laje fina pode funcionar muito bem, é firme, você coloca peso, uma maravilha, não cai. Mas, opa! É um tamborim. Se alguém caminha em cima, você ouve tudo embaixo.”

Mas a questão do barulho não se restringe ao som em si. A informação que um barulho nos traz aos ouvidos pode, eventualmente, ser mais perturbadora do que o volume. Ao ouvir o choro de uma criança, a mensagem pode ser entendida como “tem uma criança que precisa de ajuda!” ou “ah, meu Deus! Alguém está maltratando uma criança!” ou ainda “coitada dessa criança… não sabem cuidar dela…”. A interpretação é livre e o julgamento pode ser infinito, ainda que a real motivação do escândalo seja uma cólica, gripe, um machucado no dedinho ou simplesmente manha.

“Psicoacústico, que chama. Não é só a questão física, do espécime do ruído, mas do que ele traz de informação para quem está escutando isso. Se você está na sua casa, alguém liga um forró e você não gosta, vai ficar injuriado. Se gostar de forró, vai fazer um joinha pro vizinho. Mas hoje em dia, pesquisadores do mundo inteiro já estão estudando paisagem acústica, como criar espaços na cidade com conforto acústico, qual ruído é benéfico às pessoas e como se deve tratar a questão da suscetibilidade do ser humano aos diferentes tipos de ruído. Aqui no Brasil ainda estamos brigando com o bebê. Estamos na idade das cavernas em termos de acústica.”