Cidades Inteligentes

Cidade para os idosos

Espaços urbanos ainda não estão preparados para acompanhar o envelhecimento da população

Por:Breno Damascena 17/11/2022 3 minutos de leitura
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Brasileiros estão cada vez mais velhos e cidades precisam se adaptar a esse fenômeno social. Crédito: Getty Images

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A população do Brasil está envelhecendo rapidamente, dia após dia. Isso não significa, porém, que envelhecer no Brasil é algo simples ou fácil. Urbanistas, movimentos sociais e o Poder Público debatem iniciativas e propostas para melhorar a relação das pessoas com as cidades. A realidade, no entanto, mostra que a vida para os idosos ainda precisa melhorar bastante.

A estimativa da OMS é de que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos, no mundo, vai duplicar. No Brasil, um em cada três brasileiros deverá ser idoso. Se as prospecções estiverem corretas, a população brasileira será a sexta mais envelhecida do planeta. Esse cenário interfere em questões relacionadas à saúde, à previdência e a inúmeros outros aspectos, mas, também, à habitação e à mobilidade urbana.

Envelhecimento escancara desigualdades

As projeções do Seade para a população paulista em 2021 indicam que existem 83 pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 jovens com menos de 15 anos. Os idosos, entretanto, não estão distribuídos de forma hegemônica pela capital. O levantamento de indicadores sociodemográficos da população idosa, divulgado pela prefeitura de São Paulo em 2020, mostra que 27,9% dos moradores do Alto de Pinheiros são idosos, enquanto a proporção corresponde a apenas 8,1% no distrito de Anhanguera.

Essa assimetria é reflexo da expectativa e da qualidade de vida das pessoas que vivem nessas regiões. Para ter ideia, o Mapa da Desigualdade 2021, realizado pela Rede Nossa São Paulo, mostra que a idade média ao morrer, em Alto de Pinheiros, é de 80,9 anos. Ao passo que, em Anhanguera, as pessoas morrem, em média, com 58,6 – à frente, apenas, do distrito de Cidade Tiradentes (58,3).

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Alto de Pinheiros 80,9 
Jardim Paulista 80,4 
Itaim Bibi 80,3 
Moema 79,5 
Pinheiros 79,5 
Vila Mariana 79,0 
Santo Amaro 78,7 
Consolação 78,6
Perdizes 78,2
Lapa 77,9
Campo Belo 77,8
Saúde 77,7
Mooca 77,6 
Butantã 76,7
Santana 75,7
Tatuapé 75,5
Morumbi 75,3
Água Rasa 75,1
Tucuruvi 74,9
Cursino 74,7
Vila Leopoldina 74,6
Carrão 74,4
Ipiranga 74,3
Bela Vista 74,1
Socorro 74,0
Barra Funda 73,6
Santa Cecília 73,3
Cambuci 72,8
Penha 72,7
Vila Prudente 72,5
Casa Verde 72,3
Jaguara 72,3
Vila Guilherme 72,2
Vila Matilde 72,1
Vila Formosa 72,0
Campo Grande 71,8
Liberdade 71,8
Mandaqui 71,8
Vila Sônia 71,8
São Lucas 71,6
Rio Pequeno 71,2
Jabaquara 70,7
Limão 70,6
Aricanduva 70,5
Belém 70,5
Vila Medeiros 69,8
Freguesia do Ó 69,6
Bom Retiro 69,3
Jaguaré 68,9
Pari 68,9
Ponte Rasa 68,8
São Domingos 68,8
Artur Alvim 68,6
Vila Maria 68,5
Pirituba 68,0
República 67,9
Sacomã 67,7
Cangaíba 67,3
Jaçanã 67,3
São Miguel 67,3
Cidade Dutra 66,5
São Mateus 66,1
Tremembé 66,0
Vila Andrade 65,9
Sapopemba 65,6
Marsilac 65,5
Cidade Ademar 65,4
Parque do Carmo 65,4
Cachoeirinha 65,1
Vila Curuçá 65,1
Ermelino Matarazzo 65,0
Raposo Tavares 64,8
Cidade Líder 64,7
Jardim São Luís 64,7
Itaquera 64,5
Vila Jacuí 64,4
Brás 64,3
Sé 64,3
José Bonifácio 64,1
Campo Limpo 63,5
Jardim Helena 63,2
Guaianases 62,9
Pedreira 62,7
Itaim Paulista 62,6
Capão Redondo 62,5
Brasilândia 62,3
Perus 61,4
Jardim  ngela 61,2
Lajeado 61,2
Jaraguá 61,1
Grajaú 60,4
São Rafael 60,3
Iguatemi 60,1
Parelheiros 59,2
Anhangüera 58,6
Cidade Tiradentes 58,3
Fonte: Média de idade com que as pessoas morreram, por distrito. Fonte: Mapa da Desigualdade 2021 / Rede Nossa São Paulo

“A cidade é desigual e as questões relacionadas à mobilidade, infelizmente, ainda variam muito, a depender de onde a pessoa mora”, lamenta Renato Souza, coordenador de Políticas para Pessoas Idosas, da prefeitura de São Paulo. “Se o indivíduo mora na região central, a qualidade de acesso é bem melhor do que a de quem vive numa periferia”, exemplifica.

Ele explica que o mesmo acontece com tópicos, como a arborização das calçadas, os meios de cultura, de lazer, e a distribuição de serviços para essa população. Porém, para ele, essa transformação é um projeto em andamento. “São Paulo tem melhorado nos últimos anos. Pensando em segurança no trânsito, acessibilidade em esquinas e outras intervenções que podem melhorar a relação dos idosos com a cidade”, pontua.

Transformações urbanas para atender a população idosa

“A questão passa por entender melhor as necessidades dos vários tipos de cidadão. A cidade precisa estar mais preparada para os idosos e, dessa forma, estará também pronta para atender melhor a outros públicos, como crianças e deficientes físicos”, defende Karin Regina de Castro Marins, professora do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (USP).

A professora desenvolveu uma cartilha que busca orientar o desenho urbano das cidades para melhorar a qualidade de vida da população idosa com base na caminhabilidade, ou seja, na concepção de espaços que possam ser acessados a pé. Na prática, isso significa reorganizar parâmetros que vão desde o alargamento e a implantação de corrimão nas calçadas até as mudanças nos projetos de pavimentação públicos.

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Essas sugestões se estendem a bancos espalhados ao longo do trajeto para que os idosos possam descansar, aumento da arborização para incentivar as caminhadas, adaptações na iluminação pública, gerenciamento eficiente do tempo em que o semáforo fica aberto para atender à velocidade de caminhada desse público e espalhamento de comércios e serviços de lazer.

“Existe a necessidade de aprimoramento em diversas instalações, sistemas de serviços e da própria estrutura urbana”, aponta Marins. “É importante propiciar uma mobilidade mais autônoma aos idosos, criando percursos que eles possam fazer de forma segura. A população idosa precisa de facilitação, inclusão, aproximação social”, arremata.

Para mais informações sobre mobilidade, acesse:
https://mobilidade.estadao.com.br/

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