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Crise imobiliária da China não deve impactar mercado brasileiro, indica Roberto Padovani

Economista afirma que estabilidade da economia nacional vai aliviar diminuir potencial influência do País asiático

Por:Breno Damascena 26/03/2024 3 minutos de leitura
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Economista-chefe do BV entende que mercados globais estão menos integrados, o que favorece países emergentes/ Crédito: Divulgação BV

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O aumento da população, a urbanização e incentivos governamentais ajudaram o mercado imobiliário da China a crescer rapidamente por décadas. Este movimento foi responsável por um avanço sintomático da economia local que cresceu cerca de 9% ao ano desde 1989. Até que a pandemia de Covid-19 chegou e, em 2020, o país asiático começou a emergir em uma crise de proporções globais. 

As incorporadoras que surfaram os bons momentos da construção agora se viam em um País com a população diminuindo e empobrecendo, o que gerou a diminuição da demanda, a queda no preço dos prédios e o esvaziamento de edifícios. Esta crise imobiliária impulsionou empresas do setor a buscarem empréstimos para lidar com o cenário negativo enquanto a bolha estourava. 

Nos primeiros dois meses de 2024, as vendas de edifícios comerciais caíram cerca de 20,5% e os investimentos no setor registraram queda de 9%, segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas da China. Enquanto a crise imobiliária chinesa afeta o crescimento local, outras nações também já sentem os efeitos das instabilidades na segunda maior economia do mundo.

O Brasil, entretanto, não deve sofrer tanto com o declínio observado no mercado imobiliário chinês. É isso que afirma Roberto Padovani, Economista-chefe do banco BV. “Hoje somos menos dependentes do ciclo econômico da China, o que suaviza o impacto dessa desaceleração”, argumenta. “Pelo contrário, nos tornamos um grande exportador global de commodities para outros mercados”, acrescenta. 

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O economista observa que a diminuição do ritmo de crescimento da China está ligada à queda do poder de consumo da população e a necessidade das empresas locais de renegociarem suas dívidas. Este cenário faz com que o País demande menos matérias-primas do mercado brasileiro. Por outro lado, a diminuição da demanda chinesa contribui com o barateamento da matéria-prima global. 

+ Balança comercial tem superávit recorde de US$ 5,447 bi em fevereiro

Não à toa, a Balança Comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,504 bilhão na 3ª semana de março de 2024, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). “O Brasil tem conquistado mercados globais e isso vai atenuando a influência da crise aqui, além de manter espaço para o Banco Central continuar cortando as taxas de juros”.

Lições da crise chinesa

Padovani argumenta que a crise imobiliária em curso na China também não é capaz de influenciar o mercado brasileiro. “Há a impressão de que depois da pandemia, passamos a ter mercados globais menos integrados, o que favorece países emergentes”, adianta. “O cenário da crise imobiliária chinesa exerce o efeito contrário e gera fatores que alimentam a renda, o crédito e a confiança no Brasil.

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A justificativa é que a queda de juros fomenta a preservação da renda e de crédito, fomentando o consumo do brasileiro a longo prazo. “Se a crise imobiliária chinesa se recuperar rapidamente poderia gerar alguma pressão por commodity no mundo. Porém, nem assim eu vejo o BC impedido de cortar os juros”, pontua o economista.

Ele avalia, entretanto, que um cenário de recuperação repentina é improvável. “O que estamos vendo na China não é novo. É algo comum a países que crescem muito rápido em pouco tempo, como já aconteceu no Japão e na Coréia do Sul. Fatores como crédito forte e renda favorável vão criando uma bolha e quando você desacelera o crescimento, a bolha fura. Estamos vivenciando um longo período de ajustes até a normalização”, observa. 

Para Padovani, a experiência chinesa deve seguir um processo lento de redução de endividamento das empresas. “A crise imobiliária tem convencido os investidores que a desaceleração que tem sido vista na China desde 2012 vai continuar. O debate é quanto. Ao invés de crescer 9% ao ano, pode ser 3%. É um mundo em que teremos commodities com um preço mais estável e isso constrói um cenário para o futuro sem uma exuberância”.

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