Para algumas pessoas, ir para lugares afastados das grandes cidades e estar em meio à natureza pode significar uma experiência revigorante. Por outro lado, existe quem não suporte ficar longe da infraestrutura das cidades, com muito comércio ao redor e sem problemas para usufruir do sinal de internet por toda a parte. Felizmente, é possível unir o benefício das plantas com wifi abundante criando espaços verdes dentro de casa.

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“Atualmente, fala-se muito sobre design biofílico. É comprovado cientificamente que o contato com a natureza no dia a dia é muito benéfico à saúde e ao bem-estar. Em um mundo tão corrido, tão tecnológico, trabalhar com as plantas nos traz muita satisfação”, afirma a paisagista Alice Izumi. A gestora ambiental Carla Oldemburg sabe muito bem disso. Ela não teve dúvidas quando finalmente decidiu trocar de residência: o novo lar foi escolhido a partir da varanda, já que a ideia era ver flores por todos os lados.

Na varanda da Carla, que tem 4,48 m², há 38 espécies de plantas/ Foto: Arquivo pessoal

“Adquiri meu apartamento em junho de 2019, então meu jardim é novo. Quando me mudei já havia na varanda uma camélia toda seca, que cuidei com carinho e agora está começando a florir. Mas não planejei a varanda, amo folhagens e fui colocando algumas que compro, outras que ganho e instalando em conjunto ou separadamente. Hoje são 38 espécies ocupando uma área de 4,48 metros quadrados.”

Carla conta ainda que as primeiras espécies foram a jabuticabeira, o cacto pendente e algumas plantas que trouxe do antigo apartamento, integrando as cactáceas, flor-de-maio, comigo-ninguém-pode-mini, agapanto, russelia ereta e pendente, brinco de princesa, trepadeira chiclete, bouganville pendente, cacto rabo de macaco, algumas suculentas, espadas de São Jorge, begônia, ora-pro-nóbis dourada, as comestíveis tradicionais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), como manjericão, hortelã simples e trevinho, cavalinha, além de vários cactos pendentes em xaxins de fibra de coco.

“Reúno em vasos de tamanhos variados combinações de plantas, algumas de comer que se relacionam com ornamentais, uso hortelã como forração de uma frutífera, deixo uma PANC pendente se misturar e se agarrar a outras e assim vou criando meu bioma particular”, explica. Ela também usa plantas, como a bambusa gracilis, para formar uma barreira acústica e visual na fachada, “assim não preciso de cortinas, posso ter o verde o tempo todo interagindo com o ambiente interno e ganho diminuição de ruído através das folhas”.

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Aliás, se as plantas gostam de se relacionar com o restante do lar, as visitas também gostam dessa convivência. “Meus amigos e amigas adoram ficar lá, tomar chá e bater papo. Quando vêm ao meu apartamento acabam sempre levando uma mudinha de alguma coisa para suas casas”, fala Carla cheia de orgulho. “Aprendo muito com as minhas plantas, cada uma tem seu tempo de florescer, frutificar e se desenvolver. Minha casa tem personalidade e é habitada por seres verdes que interagem e vibram o tempo todo.”

Sempre verde

Quando a tradutora Elena Toral Bertolin veio de Brasília (DF) para São Paulo com o marido, sentiu falta das plantas. Ela, que é uma apreciadora das folhagens, optou por espécies mais fáceis de cuidar e sempre com a supervisão de mãos especializadas no assunto. “Colocamos inicialmente suculentas, antúrios, uma árvore dracena e um senhor italiano de aproximadamente 80 anos já bem conhecido aqui no prédio, Giovanni, para cuidar delas para nós. Agora temos até um jardim vertical e também um profissional que nos ajuda a deixá-lo charmoso”, brinca Elena.

O jardim vertical da Elena conta com irrigação automática/ Foto: David Haibara

O jardim preso à parede da varanda de 19,25 m² conta com uma irrigação automática que não dá nenhum trabalho. O sistema é composto de mini-mangueirinhas que são instaladas na própria estrutura para realização da rega sempre que necessário e dificilmente precisa de um acompanhamento rigoroso. “Mas como temos um ser vivo dentro de casa, ele precisa de cuidados. Porque as plantas vão crescendo mesmo, mudando, em algumas aparecem pragas. Para nos auxiliar, chamamos periodicamente a paisagista Alice. A folhagem continua impressionando a nós e nossas visitas. Muitos nem acreditam que são espécies verdadeiras.”

Segundo a paisagista Alice Izumi, para ter um jardim bonito e saudável no apartamento, a manutenção periódica pode ser mensal, a cada 45 dias ou, no máximo, a cada 2 meses (no caso de um jardim vertical pequeno). A manutenção consiste em limpeza das folhas secas, poda de manutenção no comprimento ou volume – para evitar sufocamento das plantas – fertilização orgânica e prevenção contra pestes e doenças. “Adubação e controle de pragas sempre com matéria orgânica, pois como se tratam de varandas residenciais, não podemos utilizar venenos ou substâncias com qualquer grau de toxicidade, pois pode haver contato com crianças, adultos ou animais. A irrigação automatizada deve ter controle de quantidade de água diferente no inverno e no verão”, explica a paisagista.

Profissionais como a Alice realizam esse tipo de gestão ambiental. Segundo ela, o custo depende muito do tamanho e da vegetação adotada. “Para um jardim vertical pequeno, pode variar de R$ 350 a R$ 550, e isso inclui adubação e controle de pragas e doenças, não incluso valor de substituição de alguma espécie que venha a perecer caso não tenha se adaptado ao ambiente.