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O que é o tijolo sustentável e quais as suas vantagens?

Resgate de processos artesanais se une às novas tecnologias químicas para impulsionar a sustentabilidade no canteiro de obras


Da Redação

26/03/2020 - 2 minutos de leitura


Uso de materiais naturais e diminuição na geração de resíduos dá suporte à construção civil mais sustentável/ Crédito: Getty Images

As soluções mais eficientes muitas vezes são encontradas em práticas simples e tradicionais, embora precisem de nova roupagem e outras aplicações. É o caso do tijolo de adobe, que é artesanal, natural e gera menos resíduos. Embora totalmente eficaz na hora de erguer uma edificação, o uso de adobe requer cuidados especiais. Para começar, ele precisa ser aplicado rapidamente após a produção, o que significa que o tijolo deve ser feito no próprio canteiro de obras. Além disso, a edificação precisa ser permanentemente protegida de umidade. Depois de seco, ele pode se desintegrar quando em contato com as chuvas. Por isso, é necessário fazer uma proteção de telha ampla.

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Outros modelos de tijolos ecológicos já estão sendo aproveitados em larga escala. Apesar de serem um pouco mais caros, eles não passam pela etapa de queima e se colam uns aos outros, ou seja, não empregam argamassa. Mas o design inteligente também pode dar uma forcinha para a construção civil: algumas marcas oferecem tijolos com um furo no meio, o que permite o encaminhamento de pilares e vigas entre os tijolos, facilitando o trabalho e gerando menos detritos ao final do processo.

Biotijolo: a última novidade

Um grupo de pesquisadores da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, criou um tipo de tijolo cuja produção é 100% responsável, do ponto de vista ambiental. A matéria-prima do tal tijolo é, pasme, a urina humana! O professor Dyllon Randall e os estudantes de Engenharia Suzanne Lambert e Vukheta Mukhari primeiro utilizaram o insumo orgânico para desenvolver uma fórmula de fertilizante sólido. Mas houve sobra de líquido, que não deveria ser desperdiçado. A equipe então desenvolveu um novo processo biológico que envolve a urina somada à areia e bactérias, o que resulta nos chamados “biotijolos”.

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O processo biológico pelo qual urina, areia e bactérias são submetidas se chama “precipitação de carbonato microbiano”. Funciona assim: o conjunto de areia é colonizado por bactérias que produzem a enzima “urease”. A enzima decompõe a ureia presente na urina formando a substância “carbonato de cálcio”. Esta complexa reação química solidifica a areia tornando o composto tão duro quanto as rochas. Em média, cada “fornada” exige de quatro a seis dias para ficar pronta. Toda urina usada no experimento foi coletada em banheiros coletivos masculinos. Cada biotijolo exige de 25 litros a 30 litros de urina para ser produzido.

O que faz dos biotijolos tão sustentáveis do ponto de vista ambiental é mais do que seus insumos: é seu modo de fazer. A fabricação de tijolos convencionais exige a queima de materiais em fornos a temperaturas de aproximadamente 1.400°C, o que produz grande quantidade de dióxido de carbono, substância que colabora com o processo de aquecimento global. Produzidos a partir da precipitação de carbonato microbiano, os biotijolos precisam apenas da temperatura ambiente para curar. No entanto, como o processo produz um pH muito alto que mata todos os tipos de patógenos e bactérias, após 48 horas o odor amoníaco é dissipado. Assim, os biotijolos não oferecem qualquer risco à saúde nem ofende as narinas de quem os utiliza na construção.

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