Já faz tempo que o mercado de luxo em geral passou a sofrer forte pressão da sociedade pela adoção de práticas socioambientais mais responsáveis. No setor imobiliário a história não é diferente. Cada vez mais, as construtoras e incorporadoras são cobradas para diminuir o impacto negativo de seus empreendimentos na natureza e na vida das pessoas. Na faixa dos imóveis de alto padrão algumas empresas estão indo além e passaram a investir em práticas que não só reduzem o impacto da chegada dos empreendimentos, como melhoram a qualidade de vida da região.


É o caso da F2, que está erguendo o residencial Alma Maraú na praia de Cassange, no litoral da Bahia, perto de uma área de preservação ambiental. A sofisticação do empreendimento está presente em cada detalhe, com serviços inspirados na hotelaria que podem ser contratados, cozinhas 4.0 e mobiliário e decoração planejados com exclusividade para o condomínio pela mineira Tessaro.

Mas a sofisticação aparece principalmente nos cuidados com o lugar. A construção é toda feita com unidades modulares, que geram menos resíduos e gastam menos água do que a construção convencional, e o residencial terá água e esgoto tratados, energia renovável em cada uma das casas e captação da água da chuva, que será usada no sistema de irrigação.

“Quando cheguei em Maraú, foi amor à primeira vista. O local é um verdadeiro paraíso”, afirma François Rahme, presidente da F2. “Eu sabia que queria construir um empreendimento à altura da região, que só viesse a agregar positivamente. E não tem como construir no paraíso sem preservá-lo em todos os aspectos.”

Ele explica que aquela parte da península é preservada pela Área de Proteção Ambiental (APA) de Maraú, por conter reservas de Mata Atlântica. “Então eu não queria fazer como muitos outros empreendimentos, tirando as espécies nativas e depois indo a uma empresa comprar novas, como se aquilo não fosse fazer diferença”, afirma o executivo.

A solução encontrada com o trabalho do paisagista Ricardo Cardim e da arquiteta Adriana Machado, responsável pelo projeto, foi construir um viveiro onde todas as espécies retiradas serão mantidas durante a construção. “Tomamos todo o cuidado para que, na hora de tirá-las do local de origem, as raízes sejam mantidas intactas para que elas possam continuar crescendo fortes no viveiro”, afirma o empresário. As 31 espécies manejadas incluem bromélias e árvores de gabiroba seculares, que farão parte do paisagismo do residencial. Ao todo, o viveiro vai preservar mais de 6 mil plantas. “Nos orgulhamos em dizer que nosso paisagismo é 100% nativo e preservado”, diz Rahme.

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Em harmonia com a natureza local

Outra preocupação foi fazer uma parceria com a iniciativa Coração de Tartaruga, quando a construtora descobriu que os 360 metros de praia que fazem parte do empreendimento são local de desova de algumas espécies. O time do projeto explicou que as tartarugas são atraídas pela luz mais forte quando nascem. Como utilizam a luz refletida no mar para se guiar “para casa”, qualquer outra luz direta mais potente, seja de lâmpadas ou fogueiras, pode fazer com que mudem o caminho, levando-as até a morrer.

“Em parceria com a iniciativa, fazemos o mapeamento dessas áreas, identificando os locais onde as tartarugas desovam e marcando-os para proteger os ovos, de forma que não aconteça algum acidente”, afirma o presidente, acrescentando que o Alma terá uma iluminação indireta por toda a extensão da praia e nas proximidades, com luminárias especiais que evitam o reflexo da luminosidade em direção ao mar e não prejudicam os animais.

Contribuição para a comunidade

Outra iniciativa que a construtora busca apoiar é a Escola Comunitária Maramar, que atende crianças da região com disciplinas convencionais e atividades musicais, ecológicas e profissionalizantes. Segundo Rahme, a parceria ainda está no começo, com ações pontuais como a ida de um circo à escola no Dia das Crianças, mas uma das metas é oferecer uma cozinha industrial totalmente equipada para a Maramar.


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