Quem circula hoje pelo Boulevard Pasteur, no bairro de Montparnasse, em Paris, dificilmente fica indiferente a um edifício recém-inaugurado que, em contraste com a elegância neoclássica de seu entorno, excede em exuberância e frescor. Tudo por conta de uma densa camada vegetal, formada por plantas dos mais diversos tamanhos, que pende de sua fachada, garantindo privacidade interna, e colocando o prédio em permanente destaque na paisagem. 


Nada, no entanto, que se associe diretamente aos já populares jardins verticais, que, nos últimos anos, passaram a revestir paredes cegas ao redor do globo. Com 8 mil m², o Villa M, edifício de uso misto – com hotel, restaurante, bar, salas de conferências, além de clínicas e startups de saúde –, se associa mais à ideia de uma “floresta vertical”, na qual a vegetação surge como um componente da arquitetura. E não apenas como uma simples cobertura verde sobreposta a ela.

“No caso é a própria estrutura, projetada especificamente com esta finalidade, que serve de suporte à vegetação. Com o tempo, esperamos que ela venha a dominar toda a fachada e, assim, se tornar a grande protagonista do projeto”, explica Guillaume Sibaud, do escritório franco-brasileiro Triptyque (triptyque.com), que, ao lado do sócio, Olivier Raffaëlli, assina o projeto. “Além de integrar o edifício à cidade, a fachada viva contribui com a sustentabilidade ao aprimorar as condições térmicas do edifício, ampliando sua eficiência energética”, assinala Raffaëlli.

Autossuficiente

O Villa M, de propriedade do Grupo Pasteur Mutualité – uma associação que reúne profissionais de diversas áreas médicas –, conta com sete andares, além de um jardim de plantas aromáticas e medicinais em seu rooftop. Afinados com a proposta sustentável da arquitetura, seus interiores ficaram a cargo de Philippe Starck (starck.com), que privilegiou em seu projeto materiais sustentáveis, cores orgânicas e produtos ecologicamente responsáveis.

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Como resultado, atende bem aos ideais ecológicos da atual prefeita de Paris, Anne Hidalgo, atualmente em seu segundo mandato e já apontada como um nome forte na disputa presidencial de 2022. Muito em função de suas plataformas verdes que preveem a vegetalização progressiva da cidade, com ênfase nas principais regiões turísticas: L’Opéra, Hôtel de Ville, Gare de Lyon e Montparnasse.

Dimensionadas para receber plantas de pequeno a médio porte – incluindo pequenas árvores e trepadeiras –, as plantas do Villa M são também autossuficientes em termos de consumo hídrico. Suas imensas jardineiras, com 80 cm de profundidade, foram conectadas a um sistema de ralos que capta a água das chuvas e proporciona a rega automática. Apenas três manutenções anuais serão suficientes para preservar a fachada. 

A escolha das espécies vegetais foi conduzida pelo paisagista Pablo Georgieff, do ateliê Coloco (coloco.org). “Na composição dos canteiros procurei realizar um mix de plantas medicinais, herbáceas e frutíferas. Todas são autóctones, mas procurei priorizar variedades que apresentassem boa performance em cada estação do ano, desabrochando na primavera e apresentando folhas amareladas no outono”, explica ele.

Conteúdo originalmente publicado em:
https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,no-coracao-de-paris-uma-floresta-vertical,70003891342