A incidência da luz do sol é um dos fatores mais importantes a ser confirmado na hora de comprar ou alugar um imóvel. Ela define grande parte do conforto térmico que você terá dentro da sua casa ou escritório e, consequentemente, influenciará o preço. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, um bom ângulo para receber os raios solares valoriza o local em relação aos prédios com pouca iluminação.

“Quando projetamos uma propriedade, levamos em consideração a posição solar para boa implantação no terreno. Ressaltamos a importância também em prever aberturas, utilizar elementos vazados e janelas que aproveitem ao máximo a iluminação e ventilação naturais. Isso será determinante não só para a economia de energia, mas também no bem-estar dos moradores”, comenta a arquiteta e diretora do SPARQ Arquitetura, Brunaliza Almeida Firmino.

Entenda cada face

  • Norte: recebe mais insolação diária. Além de economizar na energia elétrica, é possível garantir conforto térmico.
  • Leste: recebe sol da manhã com raios solares menos intensos e calor ameno.
  • Oeste: recebe sol da tarde e tende a ser mais quente.
  • Sul: recebe menor quantidade de raios solares.

Posicionamento

Como o Brasil está localizado no hemisfério sul, ter uma das faces do imóvel voltada para o norte significa mais sol durante o dia. Isso porque ele nascerá a leste e permanecerá mais a norte durante o dia, para se pôr a oeste. Em regiões úmidas, a orientação solar pode ajudar a evitar problemas com fungos e mofo. Além disso, deixa os ambientes mais agradáveis e com mais exposição durante o inverno.

Vale ressaltar que um imóvel não tem apenas uma face. Por isso, além da posição para o norte é importante observar o planejamento da casa ou apartamento. Os cômodos de maior permanência, como quartos e salas, ficam mais confortáveis recebendo mais sol durante o dia, o que acontece quando eles estão voltados para a face leste ou norte, garantindo luminosidade e calor na medida certa. Já banheiro, cozinha e lavanderia não necessitam de tanto conforto térmico, afinal, são ambientes eventualmente ocupados, enquanto se está preparando algo para comer ou colocando a roupa para lavar, por exemplo. Por outro lado, em regiões quentes a face norte pode não ser a melhor opção, pois os ambientes ficam abafados e desagradáveis.

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Segundo a diretora do SPARQ Arquitetura, os ambientes que recebem sol por muito tempo e em alta intensidade podem apresentar problemas nos pisos e na pintura das paredes, que ficam desbotados. A exposição também reduz a vida útil das cortinas e tapetes, além de aumentar consideravelmente o consumo de energia pelo ar condicionado.

Se não houver como conter a grande incidência de raios solares no ambiente, Brunaliza explica que existem algumas soluções. Uma delas é utilizar persianas, telas solares e até brise soleil – expressão francesa cuja tradução literal seria quebra-sol. Eles servem para controlar a incidência de luz e garantir conforto térmico à edificação. Outra medida seriam os vidros especiais que permitem a iluminação, mas vetam o calor. Para os terraços, a dica é investir em vegetação, como uma maneira de refrescar o ambiente.

“Caso o imóvel esteja pronto, faça visitas de manhã e no final do dia para avaliar a incidência do sol e não ter surpresas. Se tiver menos radiação solar, o ambiente está mais sujeito a fungos e ácaros e, consequentemente, problemas respiratórios para quem mora ali. Distâncias pequenas de um prédio para outro, terraços muito grandes e árvores grandiosas podem impedir que os raios solares cheguem aos cômodos, e isso acaba sendo uma desvantagem mesmo que o imóvel esteja na face norte.

Alguns imóveis, mesmo voltados para a face norte, não são bem iluminados. Em alguns prédios, até mesmo o tamanho e posição da sacada pode fazer sombra no piso inferior. Por isso, mesmo que o imóvel seja bem projetado, é importante verificar a planta, o andar que ele ocupa e o seu entorno, garantindo que a incidência solar seja adequada.

Para os patrimônios voltados para a face sul ou aqueles localizados nos andares mais baixos, a dica da arquiteta é: nas estações mais frias do ano, melhor desencostar camas e armários das paredes. “O lado bom é que temos opções para melhorar os ambientes internos, como considerar tecidos sintéticos para almofadas, cortinas e tapetes. Em relação ao revestimento de piso, sugiro vinílico, e nas janelas usar vidros duplos para melhora térmica e acústica do espaço”, revela Brunaliza.