Sumário

    Desde a fundação da MRV & Co, no fim dos anos 70, os lançamentos e as vendas de imóveis no segmento econômico sempre representaram o negócio principal da companhia. Mas o jogo virou.

    O balanço operacional referente ao segundo trimestre deste ano mostrou que os projetos enquadrados no Casa Verde e Amarela (novo nome do Minha Casa Minha Vida) e financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) representaram 48,3% do volume comercializado.

    A maior parte dos negócios da MRV, 51,7%, ficou espalhada entre os demais braços imobiliários do grupo, que se estendem pela venda de imóveis para a classe média e financiados com recursos da caderneta de poupança, além de projetos de locação residencial no Brasil e nos Estados Unidos.

    “É a primeira vez que isso acontece na história da companhia”, disse o copresidente da MRV & Co, Rafael Menin, em entrevista ao Estadão/Broadcast. “Sempre tivemos foco na linha econômica. Isso ainda permanece, mas tem um aspecto conjuntural em andamento”, apontou.

    A mudança no mix é resultado do aumento generalizado de custos de materiais, serviços e mão de obra nos últimos trimestres, que inviabilizou boa parte dos empreendimentos planejados para o segmento econômico, dentro do programa habitacional, que tem limites de preços.

    Outro aspecto foi o esforço da própria companhia para diversificar as suas linhas de negócios, entrando em mercados que até então não fazia parte das suas atividades, como a produção de imóveis para locação em vez de venda.

    Os empreendimentos econômicos devem voltar a ganhar tração gradativamente, como reflexo das rodadas de estímulos do governo federal ao Casa Verde e Amarela. Nos últimos meses, houve aumento na curva de subsídios, redução dos juros e ampliação da faixa de renda da famílias elegíveis.

    Outras iniciativas estão em via de ser instauradas por meio de edição de Medida Provisória – que ficou para agosto. Uma delas é a extensão de 30 para 35 anos no prazo total de financiamentos com recursos do FGTS, o que ajuda a diluir mais o valor das parcelas. Outra a é a possibilidade de que a contribuição mensal dos trabalhadores para o FGTS seja revertida para pagamento da prestação dos financiamentos – algo que foi apelidado de “consignado do FGTS”.

    Reforço

    Menin antecipou ao Estadão/Broadcast que o governo federal está preparando uma instrução normativa para elevar em cerca de 20% os subsídios no programa, o que deve sair logo – possivelmente na semana que vem.

    “Esses movimentos combinados devem aumentar a capacidade de pagamento dos clientes em torno de 15% a 20%”, estimou Menin. “O programa foi reduzido numa magnitude importante, mas houve sensibilidade do poder público para fazer ajustes. Com isso, esperamos que as condições de mercado se estabilizem ao longo do segundo semestre”.

    Na sua avaliação, fica faltando apenas elevar o limite de imóveis dentro do programa, algo que está na agenda da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) para um momento mais pertinente.

    O copresidente da MRV & CO disse que tende a realizar novos aumentos nos preços finais dos imóveis para compensar as subidas nos custos de construção e recuperar as margens perdidas nos últimos trimestres.

    O preço médio dos imóveis lançados no segundo trimestre já subiu 30,5% em um ano, para R$ 219 mil. Daqui para frente, novas altas devem ser mais moderadas. Segundo o executivo, é importante também voltar a ampliar os volumes de negócios.

    No primeiro semestre, os lançamentos do grupo encolheram 6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas ele acredita que é possível acelerar os lançamentos e até mesmo ampliar o volume de 2022 ante 2021.


    “Deixamos de fazer muitos lançamentos porque muitos projetos perderam a margem mínima necessária para o momento. Os ajustes no Casa Verde e Amarela nas últimas semanas vão permitir que o setor volte a ter mais dinamismo”, estimou.

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