Sumário

    Em busca de métodos mais sustentáveis que agilizem o processo de construção e entrega para habitar, empresas investem em novas formas de morar que se baseiam no minimalismo e na sustentabilidade como pilares essenciais. Essas companhias apostam em tecnologia e na fabricação própria para acelerar as obras e as entregas ao proprietário.  

    Segundo relatório produzido pela 360 Market Updates em avaliação global, o mercado de casas modulares foi avaliado em US$ 45.380 milhões em 2019. De acordo com a estimativa, o setor chegará a US$ 55.560 milhões até o final de 2026. Outro dado da Swift Line calcula que ​​o mercado global de construção de habitações pré-fabricadas e modulares multifamiliares e sustentáveis cresça de US$ 38,50 bilhões em 2021 para US$ 41,18 bilhões somente este ano de 2022.

    De olho nesse mercado, o canadense François Turgeon fundou, em parceria com o franco-brasileiro Gaetan Mahe, a Constellations Kujuk Ecopod, empresa que cria casas autônomas, ecológicas e baseadas no conceito de geometria sagrada das mandalas.

    Porém, o modelo não é pensado para ser uma moradia fixa. A ideia é que a acomodação possa abrigar um camping ecológico que oferece uma experiência diferente na natureza. 

    “Nosso Ecopod – estrutura de estadia curta ou habitação ainda menor que uma tiny house – é construído com materiais ecológicos e geração de energia autônoma. A cabana é equipada com painel de energia solar de 12 volts, tanque de água de 20 litros e um estilo de casa minimalista de 9,2 m² com preço acessível e operação rápida, excluindo custos que moradias maiores geram”, explica Gaetan.

    As casinhas sustentáveis têm custo inicial de 35 a 55 mil dólares canadenses, cerca de R$143.150 a R$224.950 respectivamente. “Nosso objetivo é reduzir ainda mais”, pontua.

    Segundo o cofundador, o foco é o cliente final e o principal desafio do negócio da Constellations Kujuk Ecopod é que o projeto respeite o meio ambiente – o que encarece o produto. “Nosso esforço é ter projetos 100% sustentáveis, acessíveis e com matéria-prima ecológica, mas ainda temos um longo caminho a ser trilhado. Precisamos ter o controle desde a compra dos insumos à construção e entrega”.

    O material usado para a construção das casas é, principalmente, madeira de vários tipos e plywood (madeira de compensado) para a estrutura. O acabamento é de cedro, mas a dupla já está desenvolvendo maneiras de usar materiais com estéticas melhores para o interior, além do poliuretano – garrafa pet reciclável e lã ecológica para o isolamento acústico.

    O modelo Kujuk Ecopod, que possui um design mais complexo, leva dois meses para ser concluído, mas a startup também estuda formas de acelerar o processo e diminuir o tempo pela metade. “Estamos pensando em pré-fabricar os materiais e criar casas modulares que poderiam ser enviadas para qualquer lugar. Seriam peças como um lego, que o comprador ou uma equipe monta em uma semana, já que tudo está pronto.”

    Tiny house: casas para nômades

    O conceito Tiny House surgiu nos EUA como uma opção de moradia acessível que cresceu em 2008, durante a forte crise econômica americana. Aos poucos, foi sendo adaptada para uma filosofia de vida minimalista, com espaços funcionais e sem exageros, que se espalhou por países como Austrália, Canadá e Brasil. 

    De acordo com João Vitor M. Lopes, proprietário da Timber Homes, o conceito é um tipo de construção modular que utiliza dois sistemas construtivos: Light Steel Frame (aço galvanizado) e/ou Wood Frame (estrutura toda em madeira).

    “Os projetos têm tamanhos compactos, entre 15 e 40 m², podem ser construídos nos modelos fixos ou sobre rodas – que permite mobilidade para diferentes destinos. Porém, os módulos móveis devem respeitar a legislação vigente Brasileira de homologação (INMETRO e DETRAN), além de veículo apropriado para rebocar a casa”, explica.

    O objetivo da empresa é que este movimento ganhe ainda mais adeptos no Brasil, mostrando que é possível viver com menos e ter uma vida mais simples, minimalista e em contato com a natureza. “A casa sobre rodas Avanguardia foi projetada e construída para ser uma Tiny House Conceito: moderna, aconchegante e sustentável, atendendo todas as normas e certificações nacionais que permitem que ela possa se deslocar em todo o território brasileiro”, explica Lopes.

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    Avanguardia, modelo feira para a feiras, tem um valor estimado de R$ 180.000,00/Crédito: Divulgação

    O projeto Tiny House Avanguardia tem um terreno móvel (chassi) de 6 metros de comprimento por 2,40 metros de largura e conta com dois mezaninos que podem acomodar de duas a quatro pessoas.

    O modelo é composto por uma área útil de 13,20 m² no térreo (banheiro, cozinha e uma sala multiuso que pode se transformar em quarto), um mezanino (quarto) acima da sala de 5,28 m² e um segundo mezanino de 2,40 m² acima do banheiro (área de leitura), totalizando uma área de 20,88 m². Além dos dois decks para descanso, relaxamento, lazer, que coloca o morador em contato com o ambiente exterior.

    “A Avanguardia foi projetada para ser mais leve (3.000 kg) que modelos nacionais, permitindo melhor mobilidade, mas sem perder o conforto e processos sustentáveis. O veículo apropriado para rebocá-la seria uma caminhonete a diesel, 4 x 4”, diz o proprietário.


    Segundo informações da Timer Homes Brasil, empresa que idealizou o projeto Avanguardia, ele foi construído com o processo em Light Steel Frame (aço galvanizado), toda revestida em madeira de pinus e eucalípto de reflorestamento. Isso permite um sistema construtivo totalmente sustentável. A casa também recebe mantas internas, promovendo excelente conforto termo-acústico, favorecendo a economia de recursos energéticos.

    Este conteúdo foi atualizado em 07.08.2022 às 23h45