Depois do baque dos primeiros meses de quarentena, quando a maioria dos hotéis do País foi fechada, o setor de hotelaria começa a ver uma tímida reação com a retomada das atividades. Mas o desempenho ainda está muito distante do período pré-pandemia e do potencial do setor, o mais afetado pela covid-19 entre os demais segmentos da economia.

De março a junho, o turismo como um todo, incluindo hospedagem, fluxos de passageiros nos aeroportos, já perdeu quase R$ 122 bilhões de faturamento, nos cálculos do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes.

Abril foi o fundo poço para a atividade, que voltou a crescer 6,6% em maio na comparação com o mês anterior, segundo Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da pequena reação, atividade turística está 66% abaixo do nível registrado em fevereiro deste ano.

Fundo do poço

Jorge Arthur Girelli, administrador dos hotéis Vila Inglesa, em Campos do Jordão (SP), e Fazenda Mazzaropi, em Taubaté (SP), vive duas realidades distintas entre os hotéis do grupo reabertos em junho. Em Campos do Jordão, onde as regras da prefeitura são mais rígidas e não permite o uso de áreas comuns do hotel, a demanda neste mês está 70% abaixo de julho do ano passado. “A prefeitura autorizou 60% da ocupação e hoje estou com 12%”, conta o administrador.

No hotel de Taubaté, onde as regras locais são mais flexíveis por causa da situação sanitária local, Girelli diz que foi surpreendido com a procura. “Reabrimos com 30% de ocupação e temos fila de espera para os finais de semana.”

Otimista, Ricardo Roman Jr., presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Estado de São Paulo (ABIH-SP), diz que a situação hoje está “ótima dentro do possível”. Ele admite que a pandemia foi horrível para o setor. “Hoje estamos comemorando alguma coisa perto do que estávamos.”

Com a reabertura, segundo Roman Jr, os hotéis do litoral norte de São Paulo já atingem o limite da ocupação permitida, que é de 50%. Movimento semelhante ocorre no interior do Estado. E os hotéis do Guarujá, no litoral sul de São Paulo, começam a ter uma retomada muito boa, diz. “Há uma demanda reprimida muito grande.”

Segundo o presidente da ABIH-SP, os hotéis investiram em protocolos e, na sua avaliação, hoje é mais seguro se hospedar num hotel do que em uma residência alugada. No entanto, o próprio Airbnb, plataforma online de reserva de hospedagem em moradias, criou, no fim de abril, um protocolo de higienização de residências sob orientação de autoridades médicas dos Estados Unidos, que deve ser seguido pelos donos dos imóveis disponíveis no site.


Resiliência e adaptação

Os primeiros sinais de reação sentidos pelos hotéis em destinos próximos da capital paulista  ainda são uma miragem para o empresário Caio Fonseca, sócio do grupo Juma Hotéis, com um  hotel boutique na cidade de Manaus (AM) e outro na selva amazônica. O hotel de selva está há três meses fechado. O da cidade foi reaberto este mês, mas com 5% da ocupação. “A ocupação está baixíssima e o que tem mantido alguma receita é o restaurante do hotel”, conta Fonseca. Quando começou a pandemia, ele tinha acabado de inaugurar o hotel boutique, onde investiu R$ 25 milhões.

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