Estudo aponta que quase metade da água tratada no Brasil é desperdiçada na distribuição, por meio de vazamentos e irregularidades Você sabia que quase metade da água tratada no Brasil é desperdiçada por falhas de abastecimento? Estudo do Instituto Trata Brasil mostra que de cada cem litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, os brasileiros deixam escorrendo pelo ralo 38,29%.

É tanta água que daria para encher mais de sete mil piscinas olímpicas por dia, o bastante para abastecer três em cada dez brasileiros – 60 milhões de pessoas. E quer saber qual o custo da água jogada fora? Mais de R$ 11 bilhões ao ano, mais do que foi investido em água e esgoto no Brasil, aponta o levantamento.

Só no Estado de São Paulo, cerca de 34,35% da água distribuída é desperdiçada, conforme a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado (Arsesp), o que atinge um total de 990 bilhões de litros perdidos. Em países como os Estados Unidos e Alemanha, o nível de desperdício no abastecimento de água não ultrapassa os 9%.

De acordo com professora doutora em ciências ambientais e mestre em engenharia ambiental, Viviane Japiassú Viana, cabe destacar que o maior consumo de água no Brasil e no mundo decorre do setor da agropecuária e das indústrias. Dados da EOS Organização e Sistemas apontam que 72% da vazão consumida no País vai para a agricultura, 11% são para o consumo animal, 9% para o abastecimento urbano, 7% para uso industrial e 1% para abastecimento humano rural.

Portanto, são necessárias medidas de manutenção da tubulação comprometida, além de mais fiscalização sobre conexões hidráulicas irregulares para mudar esse cenário. “O primeiro passo é incentivar a adoção de processos e equipamentos mais eficientes que consumam menos água para produzir. Isto passa pela modernização dos setores que demandam investimentos dos empresários. Neste sentido, o poder público deve estabelecer exigências legais de reuso de água e de reaproveitamento da chuva, além de apoiar com redução de impostos e facilitação a linhas de financiamento”, afirma Viviane.

Evite o desperdiço!

Em casa, é preciso estar sempre atento aos vazamentos, seja em tubulações, seja em torneiras. Uma gotinha pingando durante um dia inteiro em uma torneira pode resultar em desperdícios consideráveis no mês. “Fora isso, vale sempre lembrar de fechar a torneira enquanto escova os dentes e também enquanto passa o sabão na louça, além de desligar o chuveiro enquanto se passa shampoo. Reutilizar a água da máquina de lavar para fins não potáveis, como limpar o chão, também é uma possibilidade”, ressalta a engenharia ambiental.

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Uma prática cada vez mais comum é o reaproveitamento da água de chuva, que pode ser feito com um projeto acompanhado por um engenheiro para captar água dos telhados, ou de formas mais simples, usando recipientes para armazenamento. “Em todos os casos é preciso tomar cuidado para os recipientes de água não se tornarem locais de proliferação do mosquito da dengue”, esclarece a professora.

Outra dica é aderir à descarga com dois fluxos. Quase um terço da água consumida em residências é proveniente da descarga. Em média, uma casa com quatro pessoas gasta 20 mil litros de água por mês. Para reduzir esse consumo vale trocar o sistema pelo mecanismo que oferece a opção de dar uma descarga parcial (três litros) para eliminar os resíduos líquidos ou uma descarga completa (seis litros) para eliminar resíduos sólidos.

Dessa forma, ao final do mês, é possível ter uma economia de até 35% da água utilizada nas descargas, o que leva a uma redução de 10% a 15% na conta de água da residência. Esse sistema poupa, em média, 2 mil litros de água por mês!

Além disso, o uso de arejadores nas torneiras é muito importante, porque reduz significativamente a vazão da água. Essas peças são encaixadas na saída de água da torneira e provoca a sensação de que muita água está saindo, mas na verdade a quantidade é menor. Uma torneira de pia, por exemplo, com vazão de 13,8 litros por minuto, reduz o consumo para 6 litros/minuto com a instalação de um arejador (economia de 57%), segundo a Sabesp.

De acordo com o Albélio Dias, diretor executivo do condomínio Parque Avenida, em Belo Horizonte, uma outra maneira de economizar é instalar pequenas estações de tratamento de água em condomínios e empresas, para o reaproveitamento da “água cinza” do ar-condicionado. “Tudo começa pela educação ambiental. É preciso campanhas que promovam o uso consciente da água para despertar a responsabilidade individual e coletiva com o meio-ambiente”, afirma o diretor.

E quem já faz a sua parte sabe que dá certo. É o caso do empreendimento Place Madalena, da Construtora Trisul, que faz o reuso de águas cinzas, aquela proveniente de chuveiros, torneiras de banheiros e máquinas de lavar. De acordo a empresa, a iniciativa leva a uma economia de aproximadamente 6.650.000 litros por ano. O racionamento do empreendimento poupa R$ 135.600 por ano.

“É importante que a sustentabilidade esteja dentro do projeto desde o início, evitando, assim, problemas de compatibilizações na execução da obra. O reuso de águas cinzas é uma das práticas que trarão resultados positivos para os futuros moradores do empreendimento da Trisul”, conta o gerente de obras da Construtora Trisul, Robson Artélite dos Santos.