Um estudo recente da gestora Canuma Capital mostrou que as vendas on-line superaram as realizadas em shoppings no ano passado. Segundo o levantamento, as vendas no e-commerce atingiram R$ 260 bilhões em 2021, um avanço de R$ 160 bilhões em relação ao registrado em 2019. Já os shoppings faturaram aproximadamente R$ 190 bilhões em 2019 e a previsão é que tenham fechado 2021 em R$ 175 bilhões.

Diante desse crescimento acelerado dos canais digitais, investidores devem manter ou desfazer as posições em ações e fundos imobiliários (FIIs) de shoppings? Analistas consultados pelo E-Investidor estão confiantes de que o setor, que já vem apresentando sinais de recuperação em relação aos níveis pré-pandemia, zere as perdas acumuladas.

“Estou vendo 2022 como um ano de funcionamento pleno dos shoppings. Em 2021, eles ainda tiveram várias restrições, mas neste ano já devemos ver os shoppings funcionando a pleno vapor. E, por causa disso, devemos ver um número de receita vindo muito bom”, acredita Luis Assis, analista de real estate, educação e shoppings da Genial Investimentos.

A variante Ômicron do coronavírus, embora tenha gerado um expressivo aumento de casos de covid-19 no País, não é vista com o mesmo potencial de gerar impactos para os shoppings. “Ao que tudo indica, a nova variante é mais transmissível, porém menos letal. O cenário pode preocupar um pouco, caso surjam novas variantes mais resistentes à vacina. Mas, a priori, não parece ser o caso”, avalia Bráulio Langer, analista de investimentos da Toro.

Assim como Assis, Langer vê os papéis do setor na B3 ainda negociando com múltiplos descontados e, por isso, com espaço para valorização. “A Multiplan informou que as vendas no quarto trimestre de 2021 ultrapassaram pela primeira vez o nível de 2019, antes da pandemia. As vendas nos últimos três meses do ano somaram R$ 5,6 bilhões, alta de 8,1% sobre o faturado no mesmo período de 2019”, destaca Langer.

Para o analista da Toro, os papéis que podem performar melhor neste ano são os de Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3), “que têm mais resiliência, tendo em vista o público alvo de maior renda”. Embora tenha recomendação de compra para as duas ações, a aposta da casa é IGTI, diz Langer.

Além de não ver maiores riscos no radar de curto prazo, o analista da Genial afirma que, no longo prazo, o setor tende a uma consolidação dos shoppings, sobretudo por ainda ser muito pulverizado. “Em 2022, talvez seja esse início mais forte de consolidação, mas isso ainda não está no preço das ações”, diz Assis.

Como ficam os fundos de shopping?

Marcos Correa, especialista de fundos imobiliários na Suno Research, diz que a perspectiva para os FIIs de shoppings também é positiva, no sentido de que já estão dando sinais de melhora.

“Se comparar o final de 2021 com o final de 2019 dos nossos fundos imobiliários de shoppings, temos vários que já atingiram o mesmo nível de vendas daquela época ou até superaram. Em termos de venda, de ter fluxo de pessoas comprando, já está mais ou menos no que estava antes ou até, em alguns casos, um pouco melhor”, afirma Correa.

O analista reconhece, todavia, que nem todos os desafios foram superados. Apesar das vendas estarem se recuperando, ele sinaliza que nem todos os FIIs do segmento estão pagando o que pagavam antes da crise.

Apesar disso, ele é contrário à ideia de vender cotas de FIIs que estejam em baixa, exceto se a tese do produto tenha perdido sentido para o investidor. “Se não temos um colapso visto à frente, não faz sentido você simplesmente abrir mão do seu patrimônio, sendo que ele está descontado”, alerta Correa.


Para além da Ômicron, o analista da Suno diz que existem outros fatores que merecem atenção. “Estamos com inflação alta, que acaba afetando a atividade econômica e isso acaba afetando um pouco os shoppings. Mas a perspectiva é que até o fim do ano ela já entre em controle. Além disso é ano eleitoral, que tem essa tendência de bagunçar tudo, de criar volatilidade e isso pode afetar as cotações dos fundos imobiliários em geral, incluindo os de shopping”, diz.

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