Na cidade de São Paulo, o campeão brasileiro em população é a Cidade Tiradentes, com 228.854 mil pessoas distribuídas por 14,9 km², segundo levantamento da Geofusion, que busca entender onde estão esses “mares de gente”, em que os cidadãos estão concentrados. “O estudo tem a intenção de mostrar para as empresas de diversos ramos os pontos que devem ser considerados na hora de escolher uma região para abrir um negócio. Primeiro a marca deve entender quem é seu público-alvo e depois buscar essas pessoas pelas diversas áreas do Brasil. O número de habitantes ou a densidade demográfica são apenas alguns dos dados relevantes para este levantamento”, explica a diretora de Inteligência de Mercado da Geofusion, Susana Figoli.


Regiões

O bairro Cidade Tiradentes, localizado no extremo leste da capital paulista, abriga um dos maiores conjuntos habitacionais da América do Sul: o Fazenda Santa Etelvina tem 40 mil unidades e construído no início da década de 80, pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB) em parceria com Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

O distrito, apesar de ser um dos dez mais populosos de São Paulo, ainda guarda características de cidade dormitório, já que a oferta de empregos na região não alcança a demanda populacional. Hoje, são 7.495 habitantes com carteira de trabalho assinada. Além disso, os moradores enfrentam problemas com mobilidade, já que as linhas de ônibus são reduzidas e o metrô não chega. Em dezembro de 2019, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, informou que até dezembro de 2022 será viabilizada a expansão do novo trecho do monotrilho da linha 15-Prata, que deve atender entre as estações Jardim Colonial e Hospital Cidade Tiradentes. Mesmo há apenas 35 quilômetros do marco zero da cidade de São Paulo, são pelo menos duas horas nos coletivos para chegar à praça da Sé. Na área da saúde pública, são oito Unidades Básicas (UBS), duas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAS) e um hospital municipal para atender a população.

Situação parecida ocorre no Cocaia (2° lugar), o bairro de manancial cercado pela Represa Billings, o Grajaú (3°) e o Jardim Miriam (5°). Todos pertencentes à zona sul de São Paulo. Das 224.228 mil pessoas que vivem no Cocaia, apenas 12.834 mil trabalham. Já no Grajaú, o número de trabalhadores chega a 19.390 mil e, no Jardim Miriam, dos 142.110 mil moradores somente 13.651 mil têm empregos formais. A moradora do Cocaia e Tecnóloga em Logística, Flávia Norma da Silva, de 29 anos, afirma que assim como o transporte público, a saúde e a segurança, o emprego também é precário. “Cocaia é carente de transporte, educação, áreas de lazer. As pessoas que trabalham no bairro estão nos mercadinhos locais, mas a maioria, assim como eu, precisa se deslocar para áreas mais distantes. Trabalho no bairro Jurubatuba, região de Interlagos, e estudo fora de Cocaia. Levo duas horas para chegar da faculdade, na Paulista, até minha casa. Isso sem mencionar o trânsito, que tem piorado a cada dia na Avenida Dona Belmira Marin”, desabafa Flávia, que encontrou no território moradia mais barata após ser despejada com a família do Campo Belo, zona sul, em razão da construção de piscinões em 1996.

Já o motorista e morador do Grajaú há 42 anos, Jefferson Nogueira Santos, considera boa a infraestrutura de seu bairro. “Tem colégios, mercados, até mesmo o posto de saúde é bem próximo. Mas para chegar aqui é complicado. Dependemos da Avenida Dona Belmira Marin, que hoje em dia tem um asfalto que mais parece um queijo suíço”, confidencia. Ele conta ainda que os moradores sofrem com a falta de atendimento no posto de saúde e com o transporte público. “O posto aqui leva de quatro a cinco meses para realizar uma consulta e o retorno é marcado para depois de três meses. O transporte público infelizmente é escasso.”

Um pouco mais distante, na zona noroeste de São Paulo e ocupando o 4° lugar no ranking dos bairros mais povoados está a Parada de Taipas. O bairro também sofre com a falta de saneamento básico, esgoto sem tratamento, vias esburacadas, não tem área de lazer, pontos com pobreza extrema e transporte público insuficiente. A região é servida por duas linhas de ônibus: Parque de Taipas Terminal Cachoeirinha (9008/10) e Parque de Taipas Terminal Pirituba (9023/10).

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Representando a zona leste em tamanho populacional vem o bairro Iguatemi, na 6ª posição. A falta de empregos formais é um dos problemas que atinge mais fortemente o distrito. Dos 138.136 residentes, apenas 10.821 mil possuem registro na carteira de trabalho. Enquanto isso, o Sacomã, ligado ao distrito do Ipiranga, aparece em sétima posição. Ele tem uma área de 6,8 km², população de 132.515 mil, 46.746 domicílios e 36.316 trabalhadores com renda média de R$ 5.415,83. Diferente dos locais anteriores, o território é mais privilegiado. Quem mora no Sacomã tem acesso ao metrô, ônibus e também ao Expresso Tiradentes, que liga a região ao Parque Dom Pedro II, no centro. A região é atendida pelas estações Sacomã e Alto do Ipiranga, ambas pertencentes à Linha 2 – Verde do metrô.

Ocupando a 8ª posição está o Centro Empresarial, nomenclatura oficial junto à prefeitura de São Paulo. O bairro está localizado na zona sul, próximo a Santo Amaro. Sua construção foi iniciada em 1974, mas foi questionada até 1986, quando o conjunto já era considerado um êxito imobiliário. O investimento total foi de 12 milhões de dólares e o patrimônio era avaliado em duzentos milhões de dólares em 1987. Muitas empresas que tinham diversos escritórios na capital paulista optaram por agrupar suas atividades ali. O conjunto de empreendimentos é considerado um dos que influenciaram no desenvolvimento da Marginal Pinheiros como área empresarial. Porém, com o aumento da oferta de imóveis corporativos na extensão da Marginal, diversos locatários passaram a se mudar do aglomerado de empresas, atraídos por edifícios mais modernos e bem localizados. Hoje, de acordo com a consultoria imobiliária Engebanc, o empreendimento tem cerca de 30% dos seus locais vagos.

Em seguida vem a Vila Zatt, perto de Pirituba (zona oeste), que oferece residências de classe média e média baixa, além de algumas áreas carentes, com a presença de pequenas comunidades. A renda média domiciliar é de R$ 4.776,63 e a população é de 127.315 mil. Já a Vila Terezinha (zona norte), 10ª posição, é um bairro relativamente pequeno, com 4,71 km², que começa no trecho médio da Rua Conselheiro Moreira de Barros, perto da Alameda Afonso Schmidt, e termina na Avenida Engenheiro Caetano Álvares.

No Brasil

Em dados gerais, o campeão é o bairro Campo Grande, no Rio de Janeiro, que está no topo do ranking dos distritos mais populosos do País, com 336.484 pessoas – número maior do que o de 98% das cidades brasileiras. A capital fluminense também abriga o segundo bairro mais populoso: Bangu, onde vivem 249.133 pessoas em uma área de 37,8 km², segundo a Geofusion.

Dos dez bairros brasileiros mais populosos, cinco estão na cidade maravilhosa. Depois de Campo Grande e Bangu vem o Santa Cruz em 4° lugar, Realengo em 8° e Tijuca em 10°. A cidade de São Paulo, apesar de ser a mais populosa do Brasil, tem apenas dois locais no ranking: Cidade Tiradentes em 3º e Cocaia em 5º. Das dez regiões listadas, nove estão no sudeste do Brasil.

Bairros são divisões criadas pelas prefeituras para administrar os municípios. É o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que divulga a delimitação dos bairros brasileiros, depois de fazer sutis ajustes para que o desenho dessas áreas fique em harmonia com o desenho dos setores censitários. No Brasil, existem 719 municípios com bairros oficiais divulgados pelo IBGE. O restante dos municípios não tem delimitação oficial de áreas. São Paulo é um deles. Porém, para 40 cidades do Estado de São Paulo, incluindo a capital, a Geofusion utilizou o desenho das Unidades de Informações Territorializadas  (UITs), feito pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa). Assim, esse estudo considerou 15.409 bairros de 759 municípios.