A rodada final do 4º Fórum Brasileiro de Incorporadoras (Incorpora), em São Paulo, evento promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), trouxe entre os convidados a participação online do ministro da Economia, Paulo Guedes.


O ministro tentou passar confiança dizendo estar “muito seguro” e que está fazendo esforços para manter o “ duplo compromisso” com o público mais vulnerável e o equilíbrio fiscal.

“O Brasil caiu menos, na média, que as economias mais avançadas e emergentes. E se recuperou mais rápido, está crescendo mais que a média na zona do Euro, da América Latina, criando empregos e fazendo investimentos”, comenta Guedes, afirmando que o Brasil possui 540 bilhões já contratos para o próximos anos, efeito do desbloqueio dos investimentos com a reforma de marcos regulatórios, em saneamento, gás natural e concessões de aeroportos, portos e ferrovias. E existe ainda a expectativa de entrada de mais 500 bilhões de expansão até o final de 2022. 

A principal fala do ministro Paulo Guedes foi sobre a PEC dos precatórios e a reforma do Imposto de Renda, para bancar o programa social de Renda Básica Familiar, que não foi aprovado pelo Senado. “Ficamos sem fonte”, disse. O governo já confirmou o pagamento do auxílio de R$400 reais, porém, não informou como o programa será sustentado. É previsto que o benefício atenda a 16,9 milhões de pessoas. “Essa camada de proteção é transitória, vai até dezembro do ano que vem”, explicou.

Déficit habitacional é oportunidade para investimentos

Na abertura, o presidente da Abrainc, Luiz França, destacou que o Brasil precisa trabalhar a imagem negativa do País para investidores externos e lembrou o déficit habitacional brasileiro, que em 2019 estava em torno de 11,5 milhões de moradias. “Os investidores olham as ações das empresas, o potencial real de negócios, o déficit de novas moradias, mas ainda pensam: será que invisto meu dinheiro no Brasil?”, comenta.

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Para ele, a nação precisa entrar nos trilhos para ter estabilidade econômica e crescer pensando nas futuras gerações. “Há anos atrás, falava-se que o Brasil seria o País do futuro. Nós estamos velhos e esse País do futuro não chegou.” Já Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, fez elogios à atual gestão do governo pelas privatizações, como da Eletrobras, dos Correios, leilões de portos e ferrovias. “De 2018 à 2021, a Caixa cresceu 585% entre 2018 a 2021, com lucro recorde e participação de 99% no financiamento de imóveis de habitação popular”, diz. 

Acesso à aquisição de imóveis

O evento também ofereceu dados da Abrainc e Fipe sobre affordability – resultado da integração entre fatores e agentes econômicos que atuam em diferentes mercados (Mercado de Trabalho, Mercado Imobiliário e Mercado Financeiro (crédito) e considera a variação de condições para compra de imóveis ao longo dos anos: condições de financiamento, renda das famílias e preço dos imóveis. 

“O imóvel é acessível, mas para uma parcela muito pequena da população”, conclui Eduardo Zylberstajn, economista e head de Pesquisa e Inovação da Fipe. Na média, a família brasileira consegue comprar um imóvel de 66 metros quadrados. Em 2018, a média da possibilidade era de 58m². Considerando famílias das 16 maiores capitais, o poder de aquisição passou de 42m² para 55m², em 2021.

Quando olhamos para a questão da distribuição de renda, vemos uma grande desigualdade no acesso à moradia. Os 10% mais pobres conseguem comprar em média apenas 11m², enquanto os 10% mais ricos conseguem comprar 130m². Para as 16 principais capitais do País, a possibilidade de aquisição é de 6m² para os 10% mais pobres e quase 100m² para os mais ricos. Na cidade da Federação com menor affordability, o Maranhão tem acesso a apenas 34m². Já no Distrito Federal, a cidade com maior affordability, a média da possibilidade de aquisição é de 105m².