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Consumidor já busca renegociação de imóveis comprados na planta

Queda na renda em virtude da crise do coronavírus reacende um velho temor do mercado imobiliário: os distratos de aquisições de imóveis novos


Circe Bonatelli e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

12/04/2020 - 3 minutos de leitura


Preocupação em identificar demandas legítimas favorece clientes que realmente sofreram impacto financeiro/ Crédito: Getty Images

A queda na renda de boa parte dos brasileiros, em função da diminuição da atividade econômica frente à necessidade de medidas de isolamento para conter a epidemia do coronavírus, reacendeu no mercado imobiliário o temor de enfrentar de novo um problema antigo do setor: os distratos, jargão usado pelas empresas para devolução de imóveis comprados na planta. Esse foi o pesadelo de incorporadoras e proprietários de imóveis novos durante a recessão iniciada em 2014, quando o setor registrou recordes históricos no volume de devoluções.

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Agora, diante da pandemia, muitos brasileiros já estão procurando as construtoras para renegociar condições de pagamento do imóvel. Os pedidos de rescisão ainda são poucos. No entanto, as empresas admitem que, se a crise se prolongar, há potencial para os distratos crescerem. Após sofrer um corte de 25% em seu salário por conta da crise do coronavírus, o economista Alex Agostini, da Austin Rating, está entre os que pediram revisão no contrato.  Ele procurou a construtora Eztec para tentar postergar as parcelas de abril e de maio.

“A empresa onde trabalho reduziu os salários como forma de preservar empregos. O mercado financeiro está um caos e as operações diminuíram”, conta Agostini. “Então pedi uma revisão do contrato à Eztec. Não estou querendo me aproveitar da situação. É uma medida preventiva”, explica. A resposta que recebeu por e-mail foi que o fluxo de pagamentos está mantido por enquanto, mas o caso será analisado. “Até agora, o problema não se aprofundou. Mas, quanto pior a crise, pior será esse problema”, afirma o diretor de Relações com Investidores da Eztec, Emilio Fugazza. A companhia tem recebido demanda de consumidores para postergar parcelas e diluir as próximas faturas no saldo devedor, entre outras medidas para ganharem fôlego.

O plano da Eztec é atender essas demandas desde que o consumidor comprove que perdeu renda. Mas com todas as equipes de atendimento em home office, a construtora não conseguiu responder aos pedidos recentes. “Ainda precisamos de um tempo para dar andamento a essas renegociações”, disse Fugazza. “O mundo mudou numa velocidade espetacular. Há duas semanas estávamos lançando novos projetos e com vendas aquecidas”, relembra.

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O presidente da Trisul, Jorge Cury, diz que identificou duas vertentes. Clientes de imóveis de alto padrão (acima de R$ 650 mil) estão buscando renegociar os pagamentos, enquanto aqueles de médio padrão (entre R$ 250 mil e R$ 650 mil) começaram a pedir o distrato. “A amostragem é pequena, pois a crise veio há apenas duas semanas, mas a tendência é que esses distratos se acentuem. A classe média vinha se recuperando, mas muita gente vai perder emprego e profissionais autônomos vão perder renda”, estima. Em relação aos pedidos de flexibilização dos pagamentos, a intenção da Trisul é atender os consumidores. “Vamos buscar um rearranjo. E nós faremos sem multa e juros, porque temos interesse em manter a venda”, promete Cury.

Na Setin, o volume de distratos ainda é irrelevante, mas os pedidos de renegociações já começaram. “Foi pequeno em março, mas para abril as renegociações podem chegar a 10% da carteira de clientes”, conta o dono da construtora, Antônio Setin. “Se essa crise durar até maio, muita gente vai sentir isso no bolso. Aí todos nós vamos pagar caro. Não adianta o setor de construção produzir se o cliente não tem receita. Aí vai ser dramático.”

Ele afirma ainda que há uma preocupação em identificar demandas legítimas, de consumidores que de fato foram afetados pela crise. “Desta vez, entendemos que as pessoas serão afetadas de verdade. Vamos dar um espaço para que elas ajeitem sua situação. Já na crise iniciada em 2014, 80% dos distratos da Setin eram de especuladores que compraram até cinco apartamentos e decidiram desfazer o negócio quando não tiveram o retorno esperado, relembra.

Leia a matéria completa em https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,consumidor-ja-busca-renegociacao-de-imoveis-comprados-na-planta,70003267275

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