Na quarta-feira, 27, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou para 7,75% a taxa básica de juros (Selic). O setor imobiliário acaba sofrendo, o mercado deixa de investir em imóveis, já que alta de juros pode representar o congelamento dos financiamentos da casa própria.

Porém, mesmo com a sexta alta consecutiva em 2021, o momento ainda é propício para quem busca comprar ou investir em imóveis. 

É o que explica Eduardo Muszkat, sócio fundador da Kzas Krédito. “Ainda vale a pena investir em imóveis. A taxa de juros está mais alta do que seis meses atrás, mas ainda segue abaixo do que era há três anos”, diz. 

“A questão é buscar boas oportunidades, em endereços que estão em processo de valorização, como Pinheiros, Vila Mariana e Vila Madalena, por exemplo. Bairros com potencial de crescimento são sempre um bom investimento.”

Os endereços citados compõem parte do ranking com o metro quadrado mais caro da cidade de São Paulo. Segundo o especialista, os imóvel é um patrimônio a longo prazo e seguem essenciais na carteira de qualquer investidor.

“Considerando que estamos em um ambiente inflacionário, previsível por algum tempo por conta da política fiscal do governo, os empreendimentos têm a característica de acompanhar a inflação. Uma boa moradia sempre vai ter valor”, comenta.

Eduardo Muszkat, sócio fundador da Kzas Krédito/Crédito: Divulgação

Para quem pensa em financiar e diversificar gastos e investimentos, Muszkat recomenda ao cliente “contratar seu financiamento agora”, mesmo que tenha dinheiro para o pagamento à vista.

Se a taxa de juros cair, o cliente faz uma portabilidade do financiamento para encontrar as melhores opções. Caso os juros subam, você consegue travar o financiamento com uma boa taxa.

Ainda segundo o profissional, o financiamento é uma boa opção a qualquer momento. Se o interessado possui uma reserva para comprar a casa, pode optar por fazer o investimento, cujo retorno pode ser maior do que o custo do financiamento. 

“Imóveis de 800 mil a dois milhões podem ser financiados e, se a qualquer momento a taxa de retorno ficar muito abaixo da taxa de custo, o investidor pode fazer a quitação do financiamento, já que não terá nenhum custo adicional.”

Para o especialista, é esperado que a taxa Selic continue subindo enquanto o governo não apresentar uma visão mais cuidadosa sobre a economia. A expectativa é de que a inflação siga subindo.

Porém, Eduardo vê a elevação de juros com efeitos contrários. “Teoricamente, a Selic alta deve desaquecer a economia e diminuir a inflação, inclusive dos insumos. É para isso que o [governo] sobe a taxa de juros”, explica.

Sobre o mercado de locação, o setor tem se mantido “historicamente estável” com retornos entre 0,4% a 0,5 %, sobre o valor da moradia. “Se o preço do bem subir conforme efeito da inflação, o aluguel deveria subir junto.

Mas, na média, considerando taxas históricas, o custo deve se manter nessa faixa, de 0,3% a 0,6% ao mês sobre o valor do imóvel”, diz Eduardo. O IGP-M, famoso “imposto do aluguel”, subiu 0,64% em outubro, acumulando alta de 21,73% em 12 meses.


Em nota, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) considera que “a decisão de elevar a Selic para 7,75% foi importante diante da necessidade de controle do processo inflacionário no Brasil.

Com essa medida, será possível estabilizar os juros futuros de longo prazo, condição essencial para o crescimento econômico do País, do setor e para a geração de empregos”.