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OPINIÃO: Falta de mão de obra traz inovação aos canteiros

Fernando Scheffer é fundador da Espaço Smart

Por:Fernando Scheffer 05/04/2025 2 minutos de leitura
“Para um setor dependente de força física, essa combinação representa um desafio estrutural que não pode mais ser ignorado”/ Crédito: Diego/AdobeStock

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O futuro da construção civil no Brasil enfrenta um impasse: enquanto a demanda por habitação cresce e novos investimentos se expandem, o setor lida com um desafio crítico: a falta de mão de obra qualificada. A escassez, somada ao aumento da idade média dos trabalhadores do ramo, acende um alerta.

Dados recentes ajudam a dimensionar o problema. Segundo a Sondagem da Construção realizada pelo FGV IBRE, cerca de 71,2% dos empregadores da construção civil relataram dificuldades para contratar trabalhadores qualificados entre junho de 2023 e junho de 2024. 

Em contrapartida, o setor emprega hoje 2,8 milhões de pessoas com carteira assinada, número 12% inferior ao registrado em 2010. A média etária dos profissionais da área também representa um desafio geracional, uma vez que ultrapassa os 40 anos, de acordo com informações da Autodoc. 

Para um setor dependente de força física, essa combinação representa um desafio estrutural que não pode mais ser ignorado. Um dos passos para a resolução desse contexto passa por entender a motivação para ele. 

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Fato é que a construção civil, apesar de sua importância econômica, ainda é marcada por condições de trabalho adversas. Trata-se de uma atividade física desgastante, muitas vezes exposta ao clima, com riscos elevados de acidentes, contato com produtos químicos e sobrecarga ergonômica. Tais fatores tornam a profissão menos atrativa, especialmente para as novas gerações. 

Paralelo a isso, alternativas de trabalho com aplicativos de transporte e entrega, por exemplo, oferecem ganhos semelhantes, com entrada mais fácil e menor desgaste físico. Outro ponto que distancia a construção civil dos mais jovens é o baixo nível de inovação. Enquanto outros setores caminham para a digitalização e automação, os canteiros de obras ainda operam, em grande parte, com métodos tradicionais e artesanais, dificultando o desenvolvimento pessoal ansiado pelos que estão iniciando a carreira profissional. 

A escassez de trabalhadores já compromete diretamente a eficiência e os resultados do setor, levando a atrasos e custos elevados. Para cumprir cronogramas, muitas empresas recorrem a profissionais com menor qualificação, aumentando os custos com retrabalho e comprometendo a qualidade dos empreendime

A busca por soluções e melhorias passa pela aceleração da adoção de novos métodos construtivos. Construções industrializadas, como o steel frame, por exemplo, reduzem a demanda por mão de obra, além de reduzir o tempo médio para execução. Tais métodos modernizados são mais leves, rápidos e seguros, o que torna a atividade civil menos extenuante e mais atrativa para profissionais.

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A evolução dos projetos também contribui para a transformação do setor. A compatibilização proporcionada desde as etapas iniciais permite que o planejamento do empreendimento saia do papel com mais precisão, reduzindo erros de execução e otimizando os processos. 

A construção civil brasileira está diante de um divisor de águas. Ignorar os sinais de esgotamento da força de trabalho já tem comprometido a produtividade e a competitividade do setor. Ao investir em métodos construtivos mais modernos e tecnológicos, será possível atrair novos profissionais, reduzir os impactos da escassez e elevar a qualidade das entregas.

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