A demanda vem de todos os lados. Investidores, sociedade civil e compradores estão mais atentos às políticas de sustentabilidade que guiam empreendimentos comerciais e residenciais. E a motivação, para além da responsabilidade em preservar e administrar melhor os recursos naturais, é também bastante pragmática: sustentabilidade é um bom negócio do ponto de vista econômico.

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Um levantamento de custos da construção civil, realizado pelo U.S. Green Building Council, informa que projetos verdes (aqueles certificados pela instituição) emitem 33% menos carbono, exigem 45% menos gasto de energia elétrica e usam 54% menos água no dia a dia em comparação com a média norte-americana.

Mas quando se observa economia e bem-estar, os números reforçam a aposta na construção sustentável. O mesmo levantamento indica que o custo de manutenção é 13% mais barato e que o índice de satisfação do morador é 27% superior à média do país.

Projetos sustentáveis no Brasil

O Brasil é o quarto colocado no ranking de projetos sustentáveis registrados pelo certificado mais relevante do setor, o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), atrás somente dos Estados Unidos, da China e índia. De acordo com o relatório do Green Building Council Brasil, ano base 2018, houve crescimento de 7% no volume de novos projetos registrados nos 12 meses.

O Estadão Imóveis falou com algumas das maiores construtoras e incorporadoras do País sobre suas políticas e ações de sustentabilidade para projetos residenciais.

Energia elétrica

Na lista das principais medidas, uma das mais recorrentes é a troca de lâmpadas convencionais por lâmpadas de led, que duram, em média, 24 vezes mais e gastam 85% menos energia elétrica. A substituição é geralmente coordenada também com a instalação de sensores de movimentos para áreas comuns, medida que, estima-se, reduz o consumo de energia em mais de 80%.

A construtora Even detalhou os números da economia para seu projeto Benedito Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. De acordo com a empresa, a troca simples de lâmpadas nas áreas comuns reduz, ao fim de dez anos, os custos de iluminação em R$ 200 mil e poupa mais de 420 hW/h, o equivalente ao abastecimento de 22 famílias de quatro pessoas no mesmo período.

Consumo de água

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Em relação ao consumo de água, na maioria dos projetos o reuso está restrito às áreas comuns, para trabalhos relativos à limpeza e ao paisagismo. Quando ações são levadas para as áreas internas, o foco são os banheiros: a instalação de equipamentos sanitários econômicos podem projetar economia de 30% no consumo doméstico de água.

Uso e descarte de materiais

Medida já adotada há mais de uma década entre os novos empreendimentos é o uso exclusivo de madeiras certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC) e a disposição de uma área dedicada à dispensa do lixo com distinção entre orgânico e reciclável. Tendências que vêm ganhando espaço são também dispositivos para rejeitos específicos, caso de lâmpadas, pilhas e óleo, substituição de alvenaria convencional por dry-wall e uso de tintas ecologicamente corretas, que emitem menos compostos orgânicos voláteis (COVs).

Conforto térmico e paisagismo

Sacadas e janelas amplas, além de proporcionar ambientes agradáveis, também têm função sustentável: colaboram para que a iluminação e a ventilação nos ambientes internos exijam menos suporte de lâmpadas ou ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Uma estrutura bem arborizada também ajuda a estabelecer temperatura adequada. Neste sentido, o cultivo de plantas nativas aparece como tendência. Mais adaptadas ao clima, exigem menos gasto com manutenção, adubo e água.

Sustentabilidade no canteiro de obras

Empreendimentos só são de fato sustentáveis se esta é uma preocupação do início ao fim do projeto. Hoje em dia, muitas construtoras se mobilizam para obter a certificação AQUA, dedicada às construções.

Em busca deste selo, a Tegra vem incorporando novos protocolos a seus canteiros de obras. Patrícia Domingues, diretora de construção, explica que agora são estabelecidos parâmetros rígidos de consumo de água por metro quadrado construído, há captação de água de chuvas, sistema de reuso, adoção de sensores de presença e painéis solares, além da incorporação de técnicas como previsão de ventilação cruzada e orientação solar nos projetos.

“Hoje, conseguimos reciclar 96% de todo resíduo que geramos. Blocos de concreto, sacos de argamassa e madeira são 100% retirados pelos fornecedores e retornam para a cadeia produtiva”, destaca Patrícia. A expectativa da empresa é, assim, obter a certificação até 2021.