Se tudo estivesse normal, Camila Amaral, o marido e os três filhos estariam agora de férias em Orlando, nos Estados Unidos, numa rotina intensa entre hotel, visita aos parques da Disney, restaurantes, compras e outros programas típicos de turista. Mas a pandemia mudou os planos da família, que optou por alugar um casa confortável num condomínio em Itatiba, a menos de 100 quilômetros da capital paulista, e lá ficar por dez dias descansando e curtindo a natureza. 

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“Fazia pelo menos uns cinco anos que não tirava férias para ficar em casa”, diz Camila. Ela teve receio de ir para um hotel porque a avó, que a acompanha na viagem, faz parte do grupo de risco para covid-19.

A escolha de Camila está sendo seguida por milhares de turistas que decidiram nessas férias escolares não ir tão longe nem se hospedar em hotéis. Em maio, a busca por acomodações em cidades brasileiras num raio de até 300 quilômetros de distância de grandes centros urbanos cresceu 150% em relação a igual período do ano passado, segundo a Airbnb, plataforma online de reserva de hospedagem em moradias.

A 97 quilômetros da capital, Sorocaba foi o grande destaque. As buscas por hospedagem no município triplicaram em maio na comparação com mesmo mês de 2019 e a cidade subiu 44 posições no ranking dos destinos mais procurados para hospedagem. 

No mesmo período, a procura de imóveis para locação de temporada em São José dos Campos (SP) dobrou e cresceu 150% em Campinas. O movimento se repete em outros Estados para as cidades de Uberlândia (MG), Imbituba (SC), Criciúma (SC) e Capão da Canoa (RS).

Com afrouxamento da quarentena, a retomada do turismo era esperada que começasse por cidades pequenas, localizadas perto de grandes centros, onde o viajante pode ir com o próprio carro. Esse movimento já vem sendo observado também nos Estados Unidos.

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Surpresa

Quem ganhou com a nova tendência foram os proprietários de casas de campo, que se surpreenderam com a forte procura. “Já tenho locação fechada para o Natal”, conta o engenheiro Marcos Marini, dono de uma casa de 400 metros quadrados e sete dormitórios em Campos do Jordão (SP).

Antes da pandemia, ele fechava, em média, uma ou duas locações do imóvel por mês. Neste ano, julho foi lotado, assim como agosto e setembro. A procura se manteve forte, mesmo ele tendo aumentando em cerca de 15% o valor da diária. O engenheiro diz que segue protocolos de higiene contra a covid-19 na limpeza da casa.

“A minha casa de campo virou um business”, comemora Clarice Alvarez Valenti, que mora nos Estados Unidos e é dona de um imóvel de 400 metros quadrados, com quatro suítes, em Itatiba (SP). A procura tem sido tão intensa que ela já fechou contrato para o fim do ano e tem locações acertadas até meados de setembro. Apesar da correria, ela reforça que mantém intervalos entre as locações para fazer a higienização dos ambientes.

Em sete meses deste ano Clarice já faturou com casa o que ganhou o ano passado inteiro. “Não esperava por esse boom na pandemia.” Tanto é que ela estava decidida a colocar o imóvel à venda.

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