Nascido em 15 de dezembro de 1907 no Rio de Janeiro e falecido na mesma cidade, em 5 de dezembro de 2012, Niemeyer deixou contribuições à arquitetura nacional que convidam o País a uma urbanidade curvilínea e sofisticada, resolvendo a paisagem com linhas abertas à participação das pessoas às suas criações. “Ele realizou uma antropofagia junto ao modernismo europeu de excessivo racionalismo e adaptou essa escola a uma linguagem muito peculiar, brasileira”, conta o professor Rafael Perrone, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). “Não dá para dizer se todas as obras dele são boas ou ruins. Mas com certeza todas elas são inovadoras.”

Na cidade de São Paulo, o traço de Niemeyer se destaca entre as torres cinzas e similares entre si, preenchendo de cores e formas distintas as propostas que criou como estruturas que simbolizam a metrópole. Conhecer a arquitetura paulistana é impossível sem passar não só pelas construções, mas pelas obras de arte que fazem refletir sobre a cultura constituinte da locomotiva brasileira: a São Paulo do século XX. Por isso, separamos alguns lugares que os paulistanos não podem deixar de reconhecer como legado deste que foi o arquiteto brasileiro de maior proeminência, nacional e internacionalmente.

Parque do Ibirapuera

Embora não seja o maior parque da cidade, o queridinho dos paulistanos conta com 158 hectares de vegetação exuberante e lagos, além de abrigar o maior conjunto de obras de Niemeyer na cidade. Inaugurado em 1954, o Parque do Ibirapuera foi aos poucos recebendo cinco edifícios conectados pela marquise: Museu AfroBrasil, MAM, OCA, Bienal e o Auditório, que foi finalizado apenas em 2005, a mais recente entre as estruturas.

Auditório Ibirapuera/ Foto: Caio Pimenta, Divulgação SPTuris

Memorial da América Latina

A fim de localizar o Brasil no continente e incentivar o diálogo intercultural, o Memorial da América Latina, localizado na Barra Funda, foi inaugurado em 1989. Além de ser o arquiteto responsável pelo projeto, Niemeyer incluiu no pátio uma grande mão aberta com uma mancha vermelha que vai da palma ao braço. O monumento com sete metros de altura remete ao sangue dos mártires latino-americanos que perderam sua vida em prol da liberdade no continente.

Praça Cívica/ Crédito: Memorial da América Latina, Divulgação

Edifício e Galeria Califórnia

Na região da Praça da República, centro da capital paulista, a passagem da galeria liga as ruas Barão de Itapetininga e Dom José de Barros. As colunas em V dão o tom autoral de Niemeyer, que idealizou o projeto em parceria com Carlos Alberto Cerqueira Lemos. Edifício e galeria ficaram prontos em 1955 e desde então abrigam estúdios de artistas plásticos que consideram o espaço uma inspiração. No saguão, um painel de mosaico do artista Cândido Portinari se destaca para apreciação pública e gratuita.


Edifício e Galeria Califórnia, na Barão de Itapetininga/ Crédito: Wikipedia Commons/ CC 4.0

Edifício Copan

Projetado na década de 50 em colaboração com Carlos Alberto Cerqueira Lemos, o edifício de 35 andares conta com 1.160 apartamentos de diferentes metragens distribuídos em 6 blocos, além da área comercial no térreo, com 72 lojas. A estrutura em forma de onda se destaca na paisagem e concretiza a ideia de diversidade, bem como a metrópole, que recebe migrantes de todas as partes. O edifício tem 20 elevadores e 221 vagas de garagem em seu subsolo.

Imagem área em vista noturna do Copan/ Crédito: Getty Images

Sambódromo

Mais conhecido como Sambódromo do Anhembi, o Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, que foi inaugurado em 1991, tem 100 mil m² de área para os mais diversos tipos de eventos e estrutura completa com 10 setores de arquibancadas, pista, camarotes, camarins, além de duas arenas para shows. O espaço, que foi inicialmente concebido para abrigar o Carnaval de São Paulo, transformou-se em palco para as mais diversas atividades culturais e esportivas da cidade.

Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo/ Foto: Jonne Roriz/AE