Os animais de estimação – ou pets – já são membros da família em metade dos lares brasileiros. De acordo com a pesquisa Radar Pet 2021, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), o número de pets aumentou 30% durante o isolamento social, totalizando cerca de 150 milhões de animais.

Essa realidade se reflete também nos condomínios e em novos empreendimentos imobiliários, que surgem com espaços para banho e áreas de lazer, para favorecer o convívio e os cuidados com a turma de quatro patas. “Segundo meu último levantamento, de outubro, nós temos 102 pets, sendo 82 cães e o restante gatos. Agora já deve ter um pouco mais”, afirma a advogada e professora universitária Maria Regina Machado, síndica de um condomínio com 300 moradores no Campo Belo, bairro nobre da zona sul de São Paulo.

Para facilitar a vida de quem tem um bichinho, ela adotou algumas medidas, como eliminar a necessidade de ela mesma autorizar a presença dos animais de estimação nos apartamentos. “No aplicativo da (administradora) Graiche tem uma área para cadastro dos pets. Solicitei aos condôminos que fizessem o cadastro e, a partir desse momento, o pet já fica automaticamente autorizado por mim e pelo corpo diretivo a residir no condomínio”, diz.

A síndica também resolveu dedicar um espaço das áreas comuns ao lazer dos animais. “A ideia de criar um jardim pet surgiu de alguns condôminos que tinham necessidade de um lugar dentro do condomínio, ainda que fosse pequeno, para que pudessem descer com segurança a qualquer hora do dia para um rápido passeio, uma brincadeira de bolinha”, diz.

Como havia no prédio uma área de 80 metros quadrados sem destinação pela convenção, ela fala que inicialmente foi feito um permissivo para que o espaço fosse utilizado pelos pets para ver a aceitação dos moradores. “Nós colocamos bancos e uns hidrantes vermelhinhos. E tem três pés de jabuticaba. É um lugar bem aconchegante. A aceitação foi muito boa, então referendamos isso em assembleia e estipulamos regras”, afirma. “Colocamos também uma cesta com bolinhas para brincadeiras e uma parte de piso drenante, que é de fácil higiene.”

O espaço pode ser frequentado por cães de pequeno e médio porte, que devem usar coleira e guia e sempre estar acompanhados do proprietário ou de uma pessoa maior de idade. Na porta de entrada e dentro do jardim foram disponibilizados ainda saquinhos, lixeiras e placas orientando os donos a recolher eventuais sujeiras deixadas pelos pets. A área fica aberta das 6h às 22h, tem câmeras e um holofote com fotocélula para aumentar a luminosidade à medida que a noite se aproxima.


“Como um terço das unidades tem uma planta de 54 m² e outro terço de 74m², temos muitas pessoas que moram sozinhas com seus pets”, diz Maria Regina. “Essas pessoas trabalham, passam o dia nos escritórios e quando chegam está lá o pet pequenininho, dentro de casa, ansioso. A pessoa às vezes só quer descer com uma roupa à vontade, não quer ir para a rua. Ela desce para o jardim pet, passeia, brinca, o pet corre, e aí eles voltam para o apartamento tranquilos.”

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