Das 11 empresas do setor imobiliário listadas na Bolsa de Valores brasileira, apenas duas apresentaram saldo positivo no acumulado do ano até o último pregão do mês de novembro. O levantamento foi feito pela Economatica, a pedido do E-Investidor, e não inclui as ações das construtoras. Os analistas afirmam que uma das principais razões para o baixo desempenho se deve ao aumento da taxa dejuros. No entanto, alegam que os preços dos papéis da companhia estão subprecificados


As companhias Habitasul (HBTS5) e Iguatemi S.A (IGTI3) foram as que apresentaram as melhores performances do setor de exploração de imóveis. Segundo os dados da Economatica, no acumulado do ano até o dia 30 de novembro, os papéis da Habitasul valorizaram mais de 99%. Já as ações do Iguatemi S.A tiveram uma alta de 6,3% durante o mesmo período.

“Habitasul teve um crescimento significativo no último trimestre. A empresa vendeu um terreno que impactou os seus negócios. Já o caso do Iguatemi sofreu uma reorganização societária. O mercado parece ter gostado”, avalia Mário Goulart, analista da O2 Research, sobre as possíveis razões para o bom desempenho.

A realidade é bem diferente das outras empresas do setor que tiveram uma performance abaixo do Ibovespa, exceto a Syn Pro Tec (SYNE3), cujos papéis apresentaram uma baixa de 8,5%. Lucas Costa Araújo, diretor de gestão de FIIs da AF Invest, acredita que a derrocada dos preços das ações se deve ao aumento da taxa de juros que aumenta o risco para o investidor. “A partir do momento que a taxa de juros sobe, o setor é penalizado justamente porque os investidores exigem um retorno maior pelo risco”, explica.

Mas Araújo ressalta que os preços das ações não correspondem ao que as empresas estão entregando nos últimos meses, principalmente para as construtoras. “Os apartamentos continuam sendo vendidos. O repasse do custo do imóvel está sendo feito, o que minimiza os impactos na saúde financeira do setor”, afirma. “Essa correlação com a taxa de juros prejudica o mercado na Bolsa”, acrescenta.

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A pandemia também aparece entre os fatores que contribuíram para a derrocada da precificação dos papéis das empresas do setor. Segundo Renan Manda, head de Real Estate da XP, as restrições ainda presentes nos primeiros meses do ano impactaram principalmente os shoppings. “Vimos o fechamento dos shoppings no começo do ano. E no primeiro semestre teve essa revisão de expectativa”, afirma.

No entanto, o especialista acrescenta que, nos últimos meses, essas companhias têm registrado recuperação. “A gente já viu shoppings faturando e conseguindo cobrar os aluguéis com níveis próximos ou até maiores do que os de 2019”, ressalta.

Apesar do baixo desempenho ao longo dos anos, os analistas enxergam oportunidades de bons investimentos no setor. Caio Ventura, analista da Guide Investimentos, recomenda a compra das ações da Multiplan e do Iguatemi devido aos resultados apresentados nos últimos meses. “São empresas de shoppings que têm apresentado números operacionais muito robustos. Uma recuperação muito célere”, ressalta.

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