Ambiente criado com a taipa de pilão pela Terra Compacta para a Casa Cor/ Foto: Verônica Lima
A taipa de pilão é uma técnica de construção desenvolvida na China há cerca de 4 mil anos e que serviu como base para parte da implantação da Grande Muralha chinesa. De lá, se espalhou pelo mundo e foi empregada para construir monastérios budistas tradicionais, na região do Himalaia, na Índia, no Oriente Médio, norte da África e, inclusive, na Europa.
No Brasil, o método foi trazido pelos portugueses no período colonial e foi usado para edificação das igrejas de Minas Gerais no período de mineração. Até hoje é um método muito usado no Brasil e em todo o mundo.
A técnica utiliza a terra como matéria-prima para a criação de paredes. O nome se refere à sua ferramenta principal: o pilão, que soca a terra em uma estrutura de madeira que se chama taipal.
Como o material para a construção é a terra, há quem questione sua durabilidade. Contudo, abundam exemplos que demonstram sua qualidade. No Brasil mesmo há prédio com dois séculos de idade e estruturas de até sete andares totalmente ativas.
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A taipa de pilão causa metade dos danos ambientais que materiais tradicionais de construção, como a alvenaria de cerâmica e os blocos de concreto. Por isso, é uma opção bastante apreciada pelos arquitetos no quesito sustentabilidade.
Há diferentes maneiras de construir com taipa. Os métodos mais modernos usam, por exemplo, peças metálicas, compactadores pneumáticos e, às vezes, cimento para estabilizar. Veja as etapas:
Estabelecer os parâmetros
Os especialistas neste tipo de construção especificam que para cada 1 metro (m) de altura deve-se possuir 10 centímetros (cm) de espessura. Uma parede com 4 m, por exemplo, precisa ter no mínimo 40 cm de espessura.
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Fundação
A fundação é feita com pedras ou concreto, para afastar a parede da umidade. É possível utilizar as sapatas corridas – elementos estruturais que se localizam na base da edificação –, pois elas permitem a melhor distribuição de cargas, deixando as pedras ou cimento mais uniformes no solo.
Terra
A terra para este tipo de finalidade não pode conter matéria orgânica e deve dispor de uma porcentagem aproximada de 30% de argila e 70% de areia. Após ser retirada do local, é preciso descartar a primeira camada de terra, pois ela dispõe de muita matéria orgânica. É aconselhado que se use a terra disponível a partir dos 60 cm de profundidade.
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Montagem das formas
Para as formas, usa-se chapas de compensado. O estilo naval resinado é o mais aconselhado pelos profissionais especialistas da área.
Compactação
O solo precisa ser apiloado a cada 10 ou 15 cm de altura. Quando ele estiver próximo ao nível máximo das formas, elas precisam ser desmontadas e reutilizadas.
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Caso considere a técnica para sua obra, há algumas empresas especializadas no assunto, como a Terra Compacta, Simbiose e Taipal Brasil.