A busca por imóveis em outros países se tornou mais comum nos últimos anos, quando a crise econômica passou a desestabilizar os investimentos nacionais do mercado imobiliário e financeiro. De acordo com o Banco Central, este tipo de investimento aumentou 240% entre 2007 e 2017, atingindo US$ 6,3 bilhões. Mas a dúvida que surge é: será que vale a pena aplicar as economias em um bem no exterior? Consultamos alguns especialistas do ramo imobiliário para falar sobre o assunto.

De acordo com Jorge Bononi, executivo da área de Real Estate do Grupo Segasp Univalores, a segurança econômica e jurídica oferecida por alguns países, além do retorno financeiro obtido por meio de moedas que valem mais que o dobro do real, são fatores atraentes deste negócio. Outro aspecto relevante é a questão da diversificação, que é, basicamente, variar a alocação do dinheiro em diferentes frentes de retorno.

No entanto, para que o resultado seja positivo, é preciso fazer uma escolha estratégica em relação ao local, valor do imóvel e condição de pagamento. E, para isso, é importante buscar informação sobre o país, tais como melhores bairros, turismo local, hábitos dos nativos, cultura, economia e  melhores prestadores de serviços da região.

“Além disso, é essencial conhecer as regras jurídicas, fiscais e tributárias do local onde será realizado o investimento. Dessa forma são evitadas surpresas e imprevistos que podem até invalidar a rentabilidade do negócio”, afirma Bononi. “É importante atentar também para a legitimidade do vendedor com quem está sendo negociado o imóvel para evitar fraudes e golpes, cada vez mais comuns nesse tipo de transação”, acrescenta o executivo.

A escolha do país

A decisão depende dos objetivos do comprador. Para quem quer ter livre circulação na União Europeia, por exemplo, pode ser um bom investimento comprar um imóvel em Portugal que tenha sido construído há mais de 30 anos e que tenha um valor acima de 350 mil euros. Esse bem dá o direito à Autorização de Residência Especial para Investimento (ARI). O documento, também conhecido como “Visto Gold”, permite a livre circulação pelos países da União Europeia.

Segundo Fernando Pavani, CEO da Remessa Online e da BeeCâmbio, se a intenção é alugar o imóvel ou revender para ganhar na oscilação do valor, o comprador pode optar por países onde a demanda por imóveis é alta e a burocracia não tão grande. Ter um imóvel no Reino Unido, por exemplo, é um investimento mais simples de ser concretizado do que em outros países da Europa. O negócio é fechado por meio de contrato particular e a burocracia é reduzida para ambas as partes, o que reduz o tempo gasto no processo.

“O interessante é escolher países com economia estável, de forma a diminuir tanto a variação de preços no mercado imobiliário como os riscos do investimento”, conta Fernando, CEO da Remessa Online.

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Jorge Bononi, executivo do Grupo Segasp Univalores, conta que atualmente os EUA, principalmente a região da Flórida, e Portugal, são os países que têm proporcionado os melhores ganhos financeiros, de forma segura e estável. Os fundos imobiliários americanos foram os investimentos que mais celebraram resultados positivos nos últimos 15 anos, ostentando ganhos de 8,5% ao ano, segundo dados do Nareit Estate Index. O fato do dólar ter correlação negativa com o mercado de ações é um dos pontos que favorecem o resultado positivo na estratégia de diversificação em imóveis internacionais.

Além disso, há dez anos a economia dos EUA está em constante crescimento. A cidade de Orlando, por exemplo, apresenta taxa de desemprego inferior a 3% e houve um aumento de 7% no fluxo de pessoas em seu aeroporto em relação ao ano passado. Isso demonstra a prosperidade local, a capacidade financeira da população e o turismo sempre crescente. E um cenário como esse é sempre positivo para os negócios imobiliários.

Segundo Bononi, Portugal também oferece um cenário parecido. O país, que retomou seu pleno crescimento e investimento, vem adotando políticas econômicas e fiscais de incentivo a investidores estrangeiros muito positivas, com pouca burocracia e juros baixíssimos. O turismo não para de crescer e, sobretudo, o país é considerado um dos mais seguros do mundo para se viver. E no que diz respeito a valores dos imóveis, ainda apresenta uma tabela bem inferior a outros países da Europa.

Como é feito o pagamento

Normalmente, por transferência bancária. Quando se trata de estrangeiros, a solução é a transferência internacional. Algumas empresas oferecem este tipo de serviço, como é o caso da Remessa Online. Basta pegar os dados bancários do vendedor, como o IBAN e o código SWIFT/BIC da conta, e realizar a operação por meio da prestadora de serviço.

O recebimento de pagamentos internacionais envolve o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e as taxas bancárias internacionais. Na Remessa Online, por exemplo, o custo sobre o recebimento é de 1,3%, mais o IOF.

“O tempo e o processo de compra variam muito de país para país. Enquanto em Portugal o sistema jurídico é bastante burocrático, em países como França e Reino Unido o processo é mais simples e rápido”, conta Pavani.

Dados de mercado

Pesquisa da corretora Elite International Realty aponta que os brasileiros investiram US$ 2 bilhões em imóveis na Flórida em 2018. Ficando atrás apenas dos canadenses, que lideram a compra de imóveis na região. O valor é 15% superior ao investimento realizado em 2017 e a expectativa é que este ano haja um aumento de 10%.

Já sobre Portugal, dados mais recentes do Banco Central do Brasil indicam o país como o segundo maior detentor de investimentos em imóveis feitos por brasileiros. O país está abaixo apenas dos EUA. O investimento em imóveis em Portugal mais do que dobrou nos últimos dez anos, chegando a 17% do montante total de investimentos em imóveis no exterior, que somava US$ 1,06 bilhão, em 2017.

Além disso, as vendas de imóveis bateram recorde de crescimento em 2018, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Foram 16,6% a mais em relação ao ano anterior. O maior volume dos últimos 10 anos.