O Globe é para quem não consegue mais, no meio deste período de isolamento social, passar um segundo sequer ouvindo as “piadas corporativas” do marido numa reunião do Zoom. Ou não aguenta mais o colega de apartamento fazendo barulho ao comer cereal. 

Todos precisam de pausas – e como não dá para ir para o trabalho, um espaço de coworking ou a um café, é possível alugar uma sala no Globe. Ou um apartamento inteiro, de uma vez, por algumas horas. Não é possível passar a noite em nenhum desses locais e, por conta do coronavírus, o usuário tem de mandar uma foto para mostrar que não está com febre. “Em um período em que as pessoas estão à beira de um ataque, uma vez que ninguém imaginou que ficaríamos tanto tempo juntos, nós damos um alívio às pessoas”, diz Bamfo. 

Foi o caso de Brittney Gwynn, de 32 anos, que está em quarentena com seu namorado no Brooklyn. “Nosso amor é sem limites, mas estamos passando tempo demais juntos e estávamos sempre numa pilha de nervos”, disse ela. Gerente de projetos de uma empresa de arte online, ela descobriu o Globe no ano passado, quando buscava um local para uma festa luxuosa com colegas de trabalho. 

Durante a quarentena, ela prestou bastante atenção até ver se algum apartamento próximo se tornava disponível – e não hesitou em alugar um espaço por US$ 100 por apenas duas horas. “Trouxe meus lenços antibactericidas. Limpei a mesa e a maçaneta, o interruptor de luz e qualquer área do apartamento em que estive”, disse ela. Enquanto esteve no apartamento, fez uma conferência do trabalho por 45 minutos. Depois relaxou por mais uma hora. 

Antes do Globe, Emmanuel Bamfo já havia tentando um negócio na área de aluguel de “curtissimo prazo”. Ele e dois amigos da Universidade de Washington tinham criado o Recharge, uma startup que ligava profissionais que faziam bicos com quartos de hotéis vazios. A ideia era que essas pessoas – motoristas de aplicativo, entregadores – pudessem tirar um cochilo ou tomar um banho nos quartos, quando estivessem longe de casa. A ideia era boa, mas os funcionários de hotéis protestaram por ter de limpar os quartos muitas vezes. 


Bamfo, então, decidiu expandir o conceito para qualquer pessoa que precisasse de um lugar para relaxar. Na outra ponta, qualquer pessoa que quisesse ganhar uma grana com suas casas. E se juntou com outro amigo dos tempos de faculdade, Eric Xu, que trabalhava como engenheiro no Reddit. Em seus primeiros meses, o Globe ia bem: havia oferta e demanda, mas faltava descobrir como o negócio poderia escalar. E aí veio o coronavírus

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