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Guia de Bairros

Mooca

Um pedaço da Itália na Pauliceia

A italianíssima Mooca é um dos mais antigos bairros paulistanos. Seus primeiros registros datam de 17 de agosto de 1556, quando foi ocupada por um grupo de jesuítas, ainda com o nome de povoado de Arraial do Nicolau. Os primeiros habitantes foram os indígenas. Tempos depois suas terras foram habitadas pelos portugueses, que as transformaram em áreas de chácaras e produção rural. 

Uma curiosidade: “lugar de fazer casa” é a tradução para o português da palavra índigena “moo-oca”. Ou seja, a Mooca tem esse nome porque os índios Guarani, que viviam na região no século 16, se surpreenderam com a velocidade com que os portugueses eram capazes de erguer construções. À época, a técnica mais usada era a taipa de pilão. E foram séculos de predominância desse material até a substituição pelos tijolos. 

Mas foi no início do século 19 que começaria a obra que alteraria definitivamente a fisionomia da região. A primeira ferrovia paulista começou a ser construída em 1862. Três anos depois, houve a viagem inaugural, entre a Estação Luz e a Estação Mooca, ainda que esta última só tenha sido oficialmente inaugurada em 1898. A chegada dos trilhos ao bairro foi o marco simbólico do avanço industrial que culminaria na arquitetura típica e no intenso fluxo de imigração de europeus, sobretudo italianos.

Para abastecer a máquina industrial da virada dos anos 1800 para 1900, São Paulo recebeu centenas de milhares de trabalhadores europeus, a maior parte deles italianos. E onde mais havia fábricas, era maior a necessidade de estrutura urbana para receber o crescente contingente populacional. Assim, proliferaram as vilinhas operárias, que rapidamente se tornaram redutos imigrantes. Um caldeirão cultural e social  prestes a explodir.

Palco de revoluções

A crescente insatisfação da massa operária com os baixos salários e as longas jornadas de trabalho culminou na primeira greve geral de trabalhadores de São Paulo, iniciada no Cotonifício Crespi, em 1917. Um movimento não só liderado por imigrantes, mas também por mulheres, vítimas da hiperexploração do trabalho.

Poucos anos depois, em 1924, uma nova revolta tem na Mooca um de seus principais campos de guerra. Liderada por tenentes rebeldes contra o Governo Federal do então presidente Artur Bernardes, a Revolta Paulista de 1924 teve amplo apoio dos operários do cinturão industrial da região central da cidade.

A reação do exército legalista foi forte – e violenta. Criou-se um cenário de terror que, até hoje, é considerado a maior batalha urbana na América Latina. Foram usados tanques de guerra, houve bombardeios de canhões e ataques até com metralhadoras. Bairros como Brás, Cambuci  e Mooca foram os mais afetados: prédios e ferrovias foram destruídos e quase mil pessoas, mortas.

Pós-indústria e renascimento

A partir da década de 50, um novo boom econômico começou a deslocar as grandes indústrias para a região do ABC paulista. A expansão da cidade ruma no sentido sudoeste. Na Mooca e nos bairros operários ficaram as pequenas fábricas e todo o centro paulistano entra em um processo de desvalorização. Com o tempo, contudo, o esgotamento dos metros quadrados no eixo entre as avenidas Paulista e Berrini faz moradores e mercado imobiliário voltarem seus olhares aos anéis centrais da metrópole. 

E a Mooca, um bairro bem localizado, com excelente infraestrutura urbana, extensa malha de transporte público (inclusive com estação de metrô) e altos índices de segurança, renasceu aos olhos dos paulistanos.

Um símbolo dessa renovação é a Rua Javari, nome popular do Estádio Conde Rodolfo Crespi. Trata-se da casa do Juventus, clube adotado pela juventude mooquense – e de toda cidade. Nos domingos de manhã dos dias de jogo, se vê uma legião de carros adesivados com o emblema do clube e centenas de pessoas peregrinando até a Rua Javari, com as tradicionais camisetas nas cores grená e branca, que identificam e propagandeiam a Mooca. O clube se tornou um dos ícones da identidade do bairro. Mas não o único. 

Mobilidade

A Mooca é um dos bairros com melhor oferta de transporte público de São Paulo. É dos poucos que conta com os trens da CPTM, na estação Juventus-Mooca da linha 10-Turquesa, e do Metrô, na parada Bresser/Mooca da 3-Vermelha. Há também inúmeras linhas de ônibus que ligam o distrito ao Centro e a inúmeros destinos da zona leste paulistana. 

Educação

Nos últimos anos, o bairro vem se tornando um pólo de ensino superior. Diversas universidades e faculdades se instalaram na região. A primeira delas foi a tradicional Universidade São Judas Tadeu, instituição nascida na Mooca nos anos 70. Na sequência vieram Anhembi Morumbi, Faculdades Integradas Paulista (instituição do grupo Uniesp), FAM e Universidade do Brasil.

No ensino fundamental e médio, o distrito é atendido tanto pela rede pública, quanto pela rede particular. Em relação ao ensino público, o bairro conta com escolas tradicionais, como as estaduais MMDC, Oswaldo Cruz e Pandiá Calógeras, além de instituições de educação infantil municipais. Abriga também uma das escolas técnicas mais tradicionais da cidade, a ETEC Camargo Aranha, que oferece doze cursos de ensino técnico, sendo três deles integrados ao ensino médio. O Camargo Aranha faz parte da rede do Centro Paula Souza. 

Para os pais que desejam colocar seus filhos em escolas privadas, os colégios São Judas Tadeu, o Externato São Rafael, Colégio Passo Seguro e Colégio Santa Catarina são as opções.

Saúde

A região tem uma boa oferta de hospitais, maternidades, clínicas e laboratórios privados, como o Hospital e Maternidade São Cristóvão, Hospital Villa-Lobos, CEMA (especializado em oftalmologia e otorrinolaringologia), Hospital Sauvalus e Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Senior, com duas unidades no bairro para atendimento do público 60+: Mooca (Roma) e Alto da Mooca (Napole). 

O  bairro conta também com um complexo hospitalar público, o Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouveia, que atende especialidades gerais, pediátrica, obstétrica, ortopédica, ginecológica e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O pronto socorro do complexo só atende emergências. Pacientes com casos de menor gravidade são encaminhados à UPA da Mooca. Inaugurada em 2021, a Unidade de Pronto Atendimento Dom Paulo Evaristo Arns, homenagem ao ex-cardeal de São Paulo que se tornou um  ícone da luta pelos Direitos Humanos, é uma das maiores da cidade. Tem capacidade para mais de 11 mil atendimentos por mês em suas 84 salas. O equipamento conta com consultório odontológico e serviço de ortopedia. 

Além da nova UPA, o Mooca tem outros equipamentos públicos, como o Hospital Dia da Rede Hora Certa, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Mooca I, um Centro de Apoio Psicossocial Infantil (CAPS) e o Ambulatório de Especialidades Ítalo Domingos Le Vocci.

Lazer

Para quem busca atividades ao ar livre, o Parque Sabesp Mooca oferece uma área verde de mais de 20 mil m², com 200 árvores, gramado, equipamentos de ginástica e playground. O espaço abriga um grande reservatório de água da companhia e foi adaptado para que a população tivesse uma nova área de lazer na região.  

Outro local muito frequentado pelos moradores do distrito é o Centro Esportivo da Mooca. O local dispõe de quadras poliesportivas, inclusive de tênis, ginásios, salas de musculação, piscinas e campos para a prática dos mais diversos esportes. Tem até pista de skate para galera radical realizar seus 360 e aerials. A lista de atividades é variada: alongamento, alongamento, pilates, yoga, capoeira, corrida “Corra com a Guarda”, dança circular, judô, musculação, tai chi chuan, tênis de quadra. Para atletas com deficiência, há judô paralímpico e vôlei sentado.

Para as compras, há duas boas alternativas na região: as lojas da Avenida Paes de Barros e o Mooca Plaza Shopping. Inaugurado em 2011, o complexo comercial da rede Allos foi construído na área onde por décadas funcionou a fábrica da Ford. O empreendimento possui mais de 241 lojas, em um terreno com mais de 112 mil m². O estacionamento conta com 2.429 vagas. Além de compras, o Mooca Plaza Shopping tem seis salas de cinema, uma delas XD (Extreme Digital), da Rede Cinemark, nove restaurantes e 25 pontos na Praça de Alimentação. 

Gastronomia 

Uma pizzaria da Mooca está entre as 100 melhores do mundo. Nascida no bairro, A Pizza da Mooca ficou na 85ª colocação no ranking elaborado pelo renomado guia italiano 50Top Pizza. Entre as brasileiras, a casa comandada por Fellipe Zanuto só ficou atrás da também paulistana QT Pizza Bar, instalada em Cerqueira César, que ficou na 51º posição. 

Na Mooca estão algumas das melhores cantinas e trattorias da cidade que hospeda uma das maiores colônias oriunda da Velha Bota no mundo. Instalado num casarão da década de 1950, o restaurante Don Carlini é um dos seus melhores exemplares. O espaguete com camarões e o vitelo à romana, assado em baixa temperatura e guarnecido de talharim ao molho de manteiga, são os pratos mais pedidos do lugar.

Mas o lugar mais tradicional em redondas é a pizzaria São Pedro. A casa favorita das famílias do bairro atrai gente de todas as regiões de São Paulo com suas saborosas pizzas. São mais de 60 sabores no cardápio. 

Outro clássico mooquense é a Esfiharia Juventus. A casa de culinária árabe continua distribuindo esfihas para os jogadores que fazem gols em partidas do Juventus. E quem vai assisti-las na Rua Javari não pode deixar de  provar o famoso cannoli do Antônio Pereira Garcia, o “seu Antônio”, que há mais de 50 anos vende os canudinhos sequinhos com recheio de creme nos jogos do Moleque Travesso, apelido do simpático clube grená.

Por falar em doces, o bairro ainda se orgulha de ter uma das melhores docerias da cidade, Trata-se da centenária Di Cunto. Fundada pelo imigrante napolitano Donato Di Cunto, a Indústria Alimentar Artigianale, ou Indústria de Alimentar Artesanal, produz uma infinidade de delícias doces e salgadas de dar água na boca. E pensar que tudo começou por um engano. Quando veio da Itália, a intenção de Donato era ir para Montevidéu, no Uruguai, onde encontraria familiares de sua mãe. Para nossa sorte errou o destino e acabou descendo no Porto de Santos. O resto é, doce, história. 

PET

Principal área verde da região, o Centro Esportivo da Mooca é pet friendly. O espaço conta com um “cachorródromo” semelhante aos existentes em outros parques municipais. Trata-se de um espaço separado e cercado por onde os bichos podem correr, rolar e brincar sem o uso de guias e coleiras. O ambiente conta com vasta área verde, obstáculos, rampas, pequenos túneis e pontos com bebedouros para que os cães possam se refrescar. 

Mas, para frequentá-lo, a Prefeitura informa que há regras e normas que devem ser seguidas. São elas: recolhimento das fezes para evitar sujeira e propagação de doenças, carteira de vacinação em dia, aplicação regular de antipulgas e anticarrapatos e uso de focinheira para animais de raças mais agressivas.

Pensando nos tutores que não largam seus cachorros nem na hora das compras, o Mooca Plaza Shopping criou o maior Pet Park do País. São 2 mil m² de área  com circuito de agilidade, brinquedos, além de potes de água filtrada. Tudo para eles brincarem, se divertirem, mas não sentir sede. Para fazer jus ao prêmio na categoria “Melhor Shopping” do Prêmio Pet Friendly, iniciativa de Cris Berguer, autora do blog Guia Pet Friendly publicado em  O Estado de São Paulo, o Mooca Plaza Shopping criou também uma praça de alimentação onde tutores e bichos podem comer juntos. Só é preciso tomar cuidado para que não se confundam os alimentos.

E um dos melhores lugares Pet Friendly da Mooca é ela, a doceira Di Cunto. É possível provar delícias como a Torta Regina acompanhada do seu “cãompanheiro”. No grande pátio da Praça do Chafariz há mesas reservadas para você e seu acompanhante canino. A blogueira Cris Berguer visitou e aprovou. 

Cultura

No prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes está instalado o Museu da Imigração. No local, que recebeu cerca de 2,5 milhões de estrangeiros entre 1887 e 1978, estão expostas relíquias do passado cafeeiro e industrial paulista, além de um rico acervo digital com jornais, cartografias e registros das chegadas das pessoas que vieram em busca de uma vida melhor no Brasil. O espaço ainda proporciona um passeio em uma restaurada locomotiva Maria-Fumaça, principal meio de transporte nos tempos do café.

Sede do Clube do Choro de São Paulo, o Teatro Municipal Arthur Azevedo, na Avenida Paes de Barros, passou por uma reforma e foi reaberto em 2015. Sua programação semanal traz shows musicais e espetáculos teatrais. 

Outra opção de lazer é a Biblioteca Affonso Taunay. Fundada em 1954, conta com um acervo riquíssimo, formado por mais de 20 mil exemplares. Destaque para a seção “Memória do Bairro da Mooca”, onde é possível viajar no tempo no acervo que preserva pôsteres, documentos originais do século XIX, fotos, ferramentas de trabalho, máquinas, moedas e instrumentos musicais que remetem à história do distrito.  

Segurança

A Mooca está entre os bairros paulistanos com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito elevado: registra pontuação 0,909, similar a de países como Espanha, França e Coreia do Sul. A boa qualidade de vida tem muitas explicações. Uma delas é a segurança. 

Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz classifica o bairro como um dos dez mais seguros de São Paulo. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, apenas um homicídio doloso foi registrado nas duas delegacias do bairro do início de 2022 até julho deste ano, o que faz da Mooca uma ilha de tranquilidade e paz no caos paulistano. 

Localização

Próxima do Centro, a Mooca faz divisa com os vizinhos Brás, Belém, Água Rasa e Vila Prudente. Para quem trafega pelo corredor da Alcântara Machado, a Radial Leste, pode ser considerada a porta de entrada da zona leste. Está localizada a 4,6 quilômetros da Praça da Sé, a 9,3 quilômetros do Terminal Rodoviário do Tietê, a 13 quilômetros do Aeroporto de Congonhas e a 25,3 quilômetros do Aeroporto de Cumbica. Suas principais vias de acesso e circulação são as avenidas Alcântara Machado (Radial Leste), Celso Garcia, Paes de Barros e a Rua da Mooca, belô! 

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