[OPINIÃO] O positivo ‘êxodo’ dos imóveis de luxo
Alvaro Coelho da Fonseca é presidente e fundador da Coelho da Fonseca Imobiliária
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Antigamente, luxo era sinônimo de metrópole. Significava viver em uma cobertura com visão 360°, cercado pelas melhores lojas, restaurantes, teatros e hospitais. Era sobre conexão, atualização e experiências urbanas.
Viver em grandes centros continua sendo um luxo, mas o conceito foi ressignificado. Especialmente após a pandemia, estar perto, mas não necessariamente dentro, das metrópoles tornou-se a escolha prioritária não apenas para a alta renda, como também para a classe média alta.
O avanço tecnológico, que viabilizou o home office, foi o motor desse processo. No entanto, com o movimento de retomada do trabalho presencial em muitas empresas, inicia-se um “caminho de volta”, muitas vezes feito a contragosto por quem já se habituou ao ar puro, ao custo de vida equilibrado e à ausência de deslocamentos estressantes.
No segmento de luxo, essa ascensão do interior não é um fenômeno passageiro; é uma mudança estrutural. A barreira da distância foi quebrada: executivos e empresários já não precisam estar na Avenida Faria Lima ou no Leblon cinco dias por semana. A infraestrutura de internet de alta velocidade, a expansão de aeródromos e helipontos privados e a eficiência do e-commerce permitiram que o alto padrão se descolasse dos centros urbanos sem perda de conveniência.
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O conceito mudou. Hoje, o comprador busca o que escasseia nas capitais: espaço, silêncio e biofilia – a conexão inata e emocional dos seres humanos com a natureza, significando literalmente “amor à vida”.
Enquanto em São Paulo um imóvel de luxo é medido em centenas de metros, no interior as propriedades são medidas em milhares. Isso permite projetos arquitetônicos com jardins extensos e quadras de beach tennis privativas, onde a sensação de liberdade com crianças brincando na rua é o verdadeiro ativo valioso.
O interior paulista consolidou empreendimentos que funcionam como destinos de férias permanentes — a segunda residência tornou-se a principal. Projetos como a Fazenda Boa Vista (Porto Feliz), a Quinta da Baroneza (Bragança Paulista) e o Haras Larissa (Monte Mor) elevaram a régua do mercado. Com campos de golfe assinados, centros hípicos, gastronomia de alta qualidade e até unidades avançadas de hospitais e colégios bilíngues, esses condomínios são hoje ecossistemas autossuficientes.
O custo por metro quadrado no interior, embora elevado, ainda oferece um poder de compra superior em termos de área e qualidade construtiva. Além disso, a fuga da violência e da poluição urbana é um fator decisivo para famílias jovens e investidores de alto patrimônio.
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Percebe-se, agora, um novo movimento: devido à saturação e aos preços recordes no “Primeiro Anel” (até 100 km da capital), a tendência para 2026 é o fortalecimento do “Segundo Anel” (100 km a 200 km). Cidades como São Carlos, Ribeirão Preto e regiões de montanha na Serra da Mantiqueira, impulsionadas pelo agronegócio e pelo clima ameno, ditam o novo ritmo.
Segundo a Brain Inteligência Estratégica, o mercado de luxo e superluxo no Brasil dobrou de tamanho em 2025 frente ao ano anterior. Hoje, o imóvel de alto padrão é visto como um “ativo seguro”. Em tempos de juros flutuantes, o capital migra para o interior, atraído pela baixa volatilidade e por históricos de valorização que superaram 30% em janelas curtas. E houve um processo de maturidade evidenciando que o “ostentar” deu lugar ao “viver bem” — o chamado quiet luxury (luxo silencioso).
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