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[OPINIÃO] Madeira é o caminho realista para reduzir emissões

Ana Belizário é diretora da Urbem

Por:Ana Belizário 17/02/2026 3 minutos de leitura
Crédito: Tomasz Zajda/AdobeStock

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A sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência técnica, ambiental e, cada vez mais, econômica. Em um cenário em que o setor da construção responde por uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, repensar materiais e métodos construtivos não é apenas desejável, é urgente.

A madeira engenheirada surge como uma alternativa concreta, escalável e altamente estratégica para a construção sustentável. Não se trata apenas de “construir com madeira” por apelo estético ou por tendência. Trata-se de uma mudança estrutural, no sentido literal da palavra, capaz de reduzir impactos ambientais, otimizar recursos e contribuir ativamente para o combate às mudanças climáticas.

Um dos grandes diferenciais da madeira, quando comparada a materiais tradicionais, é sua origem renovável. Diferentemente do aço e do concreto, cuja produção demanda alta energia e gera emissões expressivas, a madeira vem de um recurso que pode ser cultivado e manejado de forma responsável.

Mais do que isso, ao longo de seu crescimento, a árvore captura dióxido de carbono da atmosfera e o armazena em sua estrutura. Esse carbono permanece estocado mesmo após a transformação do tronco em produto industrial, como vigas, painéis e elementos estruturais.

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Na prática, isso significa que uma edificação em madeira engenheirada carrega em si um atributo ambiental raro na engenharia contemporânea, deixando de ser apenas um consumo de recursos ao atuar como um reservatório de carbono ao longo de sua vida útil.

Quando falamos sobre reduzir emissões, muitas vezes pensamos apenas em cortar excessos. A madeira amplia essa lógica, oferecendo também uma oportunidade de compensação natural e eficiente, desde que associada a uma cadeia produtiva responsável.

Os desafios ambientais atuais não se resolvem com discursos, mas com métricas e entregas. A madeira engenheirada atende essa necessidade por ser uma solução com menor pegada de carbono em seu ciclo de vida, especialmente quando comparada a sistemas convencionais. Isso tem implicações diretas para projetos que buscam certificações e compromissos ambientais robustos, como LEED, metas de net-zero e outras diretrizes de desempenho sustentável.

Mais do que cumprir requisitos técnicos, o uso de madeira engenheirada facilita uma abordagem mais consistente de construção de baixo carbono, seja pela redução de emissões incorporadas nos materiais, seja pela maior eficiência de obra e menor desperdício. Para arquitetos, engenheiros e construtoras, isso significa uma vantagem competitiva clara: sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e se torna um critério mensurável, com impacto real no valor do empreendimento e na sua aderência às exigências do mercado e da sociedade.

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Sustentabilidade também é sobre inteligência de recursos e a madeira engenheirada, por ser produzida com alto controle industrial e tecnologia aplicada, permite maior precisão, padronização e desempenho estrutural. Isso se traduz em obras mais organizadas, com redução de perdas, melhor previsibilidade e otimização logística.

Quando a construção se torna mais eficiente, o impacto ambiental diminui naturalmente, porque o desperdício é, quase sempre, um sintoma de um sistema mal planejado.

É importante reforçar que a sustentabilidade não está apenas no material final, mas em toda a cadeia de produção. Por isso, quando falamos deste material como aliado climático, falamos também de manejo responsável, rastreabilidade e compromisso com boas práticas florestais e industriais. O potencial positivo da madeira se amplia quando ela é produzida com origem certificada, transparência de processo e responsabilidade socioambiental.

A construção civil tem um papel decisivo na forma como o mundo responderá às mudanças climáticas. E isso exige escolhas práticas, acessíveis e replicáveis, não só ideias inspiradoras. A madeira engenheirada representa uma dessas escolhas ao aliar desempenho técnico, eficiência construtiva e benefícios ambientais consistentes: ajuda a reduzir emissões, otimiza recursos, viabiliza práticas mais sustentáveis e amplia o potencial de inovação no setor.

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Mais do que uma tendência, é uma resposta real a uma necessidade global. Porque, no fim, sustentabilidade não pode ser apenas uma intenção estética: precisa ser estrutural.

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