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Mulheres no mercado imobiliário: avanços e os principais desafios

Ana Carolina Gozzi é co-CEO do Compre & Alugue Agora

Por:Ana Carolina Gozzi 25/05/2024 3 minutos de leitura
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“Promover a inclusão também envolve adotar práticas e políticas que eliminem preconceitos e barreiras”/ Crédito: Valerii Honcharuk/AdobeStock

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Como uma jovem liderança feminina no mercado imobiliário, vivo de perto as transformações e os desafios que o setor impõe a nós, mulheres. Nos últimos anos, assistimos a um aumento significativo na participação feminina em diversas áreas do mercado imobiliário. É uma trajetória de avanços notáveis, mas também de obstáculos que ainda precisamos superar. 

A representatividade feminina em cargos de liderança nas principais empresas do País continua em crescimento, atingindo quase 40% em 2023, de acordo com o estudo ‘Pesquisa Raio-x da Corretora’. É fato. Vejo cada vez mais mulheres ocupando espaços e demonstrando competência e capacidade em áreas tradicionalmente dominadas por homens. As empresas também estão despertando para a importância da diversidade e iniciando programas para fomentar a inclusão.

+ Por que mais mulheres estão se tornando corretoras de imóveis?

Recentemente, observei que algumas incorporadoras oferecem benefícios como horários flexíveis e a possibilidade de home office, especialmente para mães em fase de amamentação, o que facilita muito a conciliação entre vida profissional e pessoal. 

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Outra área em que houve progresso é na ocupação de cargos de liderança – embora ainda seja uma minoria, é inspirador ver mulheres em posições de diretoria e gerência, provando que podemos liderar com eficácia e trazer novas perspectivas para o negócio. O avanço até aqui é significativo, mas ainda há muito caminho a percorrer. 

Apesar desses avanços, os desafios são numerosos e, às vezes, desanimadores. Os ministérios do Trabalho e das Mulheres divulgaram o 1º Relatório Nacional de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, revelando que as mulheres ganham 19,4% a menos que os homens no Brasil. Essa disparidade salarial pode ser ainda maior em certos grupos ocupacionais, como cargos de dirigentes e gerentes, onde a diferença de remuneração chega a 25,2%. 

Esses números são realidade no mercado imobiliário. Mesmo em posições equivalentes, as mulheres tendem a ganhar menos que os homens. E a diferença salarial pode ser desmotivadora e injusta. 

Outro desafio constante é o preconceito e o assédio no local de trabalho. Infelizmente, são comuns situações de assédio moral e sexual, além de uma cultura machista que ainda predomina em muitos escritórios. Esses comportamentos não só prejudicam o nosso desempenho profissional, mas também a nossa saúde mental e bem-estar. 

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Além de investir em capacitação contínua para enfrentar os desafios do mercado, acredito que a inclusão é fundamental para garantir que todos tenham acesso igualitário a oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional. Isso significa criar ambientes de trabalho onde pessoas de diferentes origens, experiências e habilidades se sintam valorizadas e respeitadas. 

Promover a inclusão também envolve adotar práticas e políticas que eliminem preconceitos e barreiras, permitindo que cada indivíduo contribua com seu potencial máximo. Isso pode incluir programas de mentoria e coaching para grupos sub-representados, políticas de recrutamento que priorizem a diversidade, e a criação de espaços seguros onde os funcionários possam expressar suas preocupações e ideias livremente. 

Além disso, o uso de tecnologias acessíveis e inclusivas, como ferramentas de acessibilidade em sistemas de CRM e outras plataformas de trabalho, pode garantir que todos os colaboradores tenham as mesmas oportunidades de usar essas ferramentas para melhorar sua eficiência e produtividade. Ao promover a inclusão em todas as áreas da empresa, podemos criar um ambiente mais equitativo e colaborativo, onde todos possam prosperar e contribuir para o sucesso coletivo. 

O mercado imobiliário está em transformação, e a contribuição das mulheres tem sido crucial para esse desenvolvimento. Ainda que os avanços sejam evidentes, a luta por igualdade e respeito continua. 

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É fundamental que as empresas e a sociedade reconheçam a importância da diversidade e promovam ambientes inclusivos. Acredito que, com resiliência, apoio mútuo e determinação, podemos superar os desafios e alcançar posições cada vez mais altas e influentes neste setor. Este é um caminho de constantes batalhas, mas também de grandes conquistas. Como mulheres no mercado imobiliário, temos o potencial de moldar o futuro do setor e criar um legado de sucesso e igualdade para as gerações vindouras.

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