Algumas incorporadoras estão transformando a forma de se relacionar com a vizinhança de seus empreendimentos. Ao invés de se fecharem entre quatro muros para construir uma realidade condominial que não dialoga com o bairro, empresas como ViewcoREMHelbor e Tegra optaram por olhar para o entorno, escutar a comunidade e contribuir de forma prática para a qualidade de vida do lugar, revitalizando praças, ruas e espaços públicos.


A Viewco, que lançou seu segundo empreendimento residencial – o Clubline São Judas, localizado no bairro da zona sul de São Paulo –, tem um departamento específico para avaliar questões de responsabilidade socioambiental nas regiões do banco de terrenos e futuros projetos da empresa. O modelo de reurbanização do entorno compreende conceitos urbanísticos, como a execução de calçadas verdes com vegetação abundante, iluminação adequada e mobiliário urbano.

“No caso do terreno do São Judas, tivemos contato com as lideranças da comunidade, que faz uso da chamada viela sanitária como espaço de lazer e cultura”, afirma Edmond Lati, sócio-diretor da construtora, referindo-se ao Beco da Cultura. O espaço está situado ao lado de uma viela dentro da comunidade Mauro 1 e é frequentado por famílias e pessoas para a prática de esportes, lazer e atividades culturais, com exposições e intervenções artísticas de grafiteiros.

“Já havia uma mobilização local para a realização de melhorias na viela”, conta Lati. “Os moradores vislumbravam principalmente a melhora dos espaços para convívio, como os ‘bancos de praça’, mesas e brinquedos, e também da área verde que circunda o local.” Segundo ele, a direção da Viewco foi informada sobre a oportunidade de integração com a vizinhança e mobilizou profissionais para estreitar relações com as lideranças comunitárias. “Daí surgiu de fato a iniciativa de abraçar a causa da viela e transformá-la em um projeto de qualidade de vida para a comunidade”, afirma o executivo.

A construtora então encomendou a concepção do novo espaço a um escritório de arquitetura e urbanismo e se manteve alinhada com representantes da prefeitura de São Paulo desde a apresentação do projeto até a aprovação final. Nesse meio-tempo, contratou os artistas e líderes comunitários locais Jota e Xandão para assinar um desenho autoral no muro do terreno de 4,4 mil m² onde será erguido o Clubline São Judas. O grafite permanecerá exposto até a entrega do residencial, prevista para daqui a três anos.

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Segundo Lati, é uma forma de valorizar a identidade cultural da região. “Essa é uma tendência da era moderna da construção e cerne de uma série de transformações que ocorrem continuamente na relação entre empresas e diferentes públicos, em todos os segmentos da economia”, diz. “Transparência, sustentabilidade socioambiental, acolhimento ao outro, respeito às pessoas e ética nos negócios são e serão cada vez mais conceitos e valores fundamentais e irreversíveis.”

Canais de comunicação com a vizinhança

Outra que apostou na aproximação com os vizinhos é a REM Construtora, presente há 30 anos em bairros da zona oeste paulistana, como Perdizes, Pompeia, Água Branca e Vila Romana. A empresa é responsável pela zeladoria da Praça Cornélia desde 2014, quando firmou o primeiro termo de cooperação envolvendo o espaço com a subprefeitura da Lapa.

Já foram investidos em torno de R$ 300 mil em obras de infraestrutura e melhorias no local, como aquisição e instalação de bancos e lixeiras, pintura de guias e sarjetas, plantio de diferentes tipos de grama (esmeralda e amendoim, por exemplo), compra e plantio de vegetações novas e colocação de brita. A REM também mantém uma empresa contratada para fazer a limpeza semanal das áreas verdes e eventuais reparos em bancos e lixeiras.

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