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[OPINIÃO] Economia prateada impulsiona mercado de senior living no Brasil

Álvaro Coelho da Fonseca é presidente e fundador da imobiliária Coelho da Fonseca

Por:Alvaro Coelho da Fonseca 16/03/2026 3 minutos de leitura
"As empresas descobriram que etarismo não é um bom negócio" / Crédito: LIGHTFIELD STUDIOS/AdobeStock

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O envelhecimento da população brasileira é um dos fenômenos demográficos mais acelerados do mundo. Diferentemente de países europeus, que levaram quase um século para envelhecer, por aqui essa transição está ocorrendo em poucas décadas. Segundo o IBGE, pessoas com 60 anos ou mais já ultrapassam a marca de 32 milhões, representando cerca de 15,8% do total de habitantes.

Hoje, ter 60 anos não tem nada a ver com o ‘tiozão’. Muito pelo contrário. Essa faixa da população é extremamente ativa. É uma geração que faz planos e que, não raro, complementa a aposentadoria com empreendedorismo, prestação de serviços e, em muitos casos, emprego com carteira assinada. A experiência impulsiona a produtividade.

As empresas descobriram que etarismo (preconceito por idade) não é um bom negócio, e que muitos ‘boomers’ (nascidos nos anos 1950/60) entendem de inteligência artificial tanto ou mais do que jovens de 20 anos.

O público 50+ detém cerca de 78% do patrimônio de alta renda no Brasil (dados da ANBIMA), sendo os clientes mais rentáveis para o setor de serviços e luxo. Portanto, não é por acaso que a chamada ‘economia prateada’ – referência aos cabelos brancos – responde por forte impulsionamento do consumo de diversas naturezas. Que o digam os que operam com viagens e turismo, por exemplo.

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Demanda por senior living

Isso explica também a evolução na demanda imobiliária. O mercado de Senior Living no Brasil, um conceito moderno de moradia desenvolvido especificamente para atender às necessidades de pessoas com 60 anos ou mais, está deixando de ser um nicho experimental para se tornar um dos segmentos mais promissores do mercado.

Ao contrário das antigas casas de repouso ou asilos, o Senior Living foca na longevidade ativa, na autonomia e na oferta de serviços que lembram mais a hotelaria de alto padrão do que um ambiente hospitalar.

A ideia central é que o morador não se sinta “internado” em uma Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) tradicional, mas sim vivendo em sua própria residência, em um ecossistema que oferece segurança, socialização e cuidados sob medida.

Esse modelo de negócio em ascensão se divide em categorias que atendem a diferentes perfis de autonomia:
– Independent Living: condomínios para idosos 100% autônomos que buscam conveniência, segurança e vida social.
– Assisted Living: apartamentos com suporte para atividades diárias (banho, medicação) e monitoramento de saúde.
– Memory Care: unidades especializadas para idosos com declínio cognitivo ou demências, como Alzheimer.
– Co-housing Sênior: comunidades planejadas onde os moradores compartilham áreas comuns e decisões, focando no combate à solidão.

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Valorização e oferta

O mercado imobiliário está ampliando a oferta de unidades, com o ingresso de grandes players e startups da área. Há avanços significativos no uso de tecnologias (sensores de queda, monitoramento de saúde em tempo real) e empreendimentos dedicados ao alto padrão, cujo Valor Geral de Vendas (VGV) ultrapassa os R$ 400 milhões em projetos únicos, oferecendo gastronomia de chef e hotelaria 5 estrelas.

Como é um mercado concentrado na classe média alta e luxo, as mensalidades podem variar de R$ 6mil a R$ 28 mil, dependendo do nível de serviço e da localização, o que tem atraído o olhar de investidores.
Muito além da mera instalação de barras no banheiro, os empreendimentos contemplam arquitetura Inclusiva, com Portas mais largas, ausência de degraus, iluminação reforçada e sinalização intuitiva.

Priorizam a integração social, com áreas comuns que promovem oficinas, eventos culturais e, em alguns casos, integração intergeracional (espaços que atraem jovens e famílias para o convívio e promoção de vínculos afetivos). Ainda oferecem consultoria de saúde, por meio de parcerias com hospitais de ponta para garantir protocolos de atendimento e telemedicina dentro do condomínio.

Estima-se que a economia prateada movimente mais de R$ 2 trilhões no Brasil anualmente, devendo chegar a R$ 3 trilhões em 2030. O déficit de moradias adaptadas para essa faixa é importante ponto de atenção do mercado.

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