Assim como a tecnologia tem transformado a vida das pessoas, o coliving, ou compartilhamento de residência, tem mudado a maneira como as pessoas escolhem seus lugares de habitação, tanto pelo imóvel quanto pela localização. O Brasil é considerado um mercado interessante para o setor: o número total de jovens universitários hoje chega próximo de 8 milhões. Segundo dados do censo da educação superior de 2018, divulgado pelo MEC (Ministério da Educação), 2 milhões de jovens saíram da casa da família em razão dos estudos. Porém, além dos universitários, a proposta de divisão de espaços tem atraído a atenção de pessoas na faixa de 30 a 40 anos, que buscam não apenas economia de dinheiro, mas também maneiras sustentáveis de viver.

“Jovens de todo o mundo buscam a experiência. São pessoas que estão saindo da casa dos pais e querem desfrutar da convivência com outras pessoas e culturas, além de um local que ofereça estrutura completa para que possam focar no que realmente precisam”, conta Juliano Antunes, CEO da Uliving. Ele conta que o negócio de Purpose Built Student Accommodation (PBSA), como é conhecido, movimentou 3,1 bilhões de libras no Reino Unido em 2018. É um mercado estável e que continua atraindo investidores.

No Brasil, projetos com a proposta de moradia compartilhada têm ganhado mais adeptos nos últimos dois anos, quando as primeiras opções começaram a surgir por aqui. A Uliving é uma delas. A empresa tem cinco unidades de moradia compartilhada no Brasil, nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto (SP) e Sorocaba (SP), totalizando quase 600 camas. “Iremos investir mais de R$ 500 milhões nos próximos 5 anos”, afirma o CEO.

Outro exemplo é o Projeto Kasa 99, inaugurado em julho de 2018 na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. O empreendimento do Grupo Gamaro conta com 243 imóveis com tamanhos que variam de 23 a 44 metros quadrados e área comum de mais de mil metros. O preço mínimo de um apartamento no Kasa é de R$ 2.900. Se o morador estiver disposto a dividir o imóvel com mais uma pessoa, o preço vai para R$ 1.550 cada um.

República x coliving

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Esse é o caso do Itallo Monteiro, de 31 anos, que nasceu na Paraíba, mas está na capital paulistana para estudar medicina. “Vim de uma cidade pequena onde todos se conheciam, que tem uma cultura totalmente diferente de São Paulo. Optei pela residência estudantil para não me sentir sozinho e compartilho o quarto com um cearense, que passou pela mesma fase de adaptação que eu, o que me ajudou muito”, conta o universitário. “Por coincidência, o meu companheiro de quarto faz a mesma faculdade que eu e hoje dividimos, além do quarto, materiais didáticos, para economizarmos.”

De acordo com Antunes, a república e o coliving têm como princípio a divisão de espaço e a convivência. No entanto, apesar da semelhança, existe uma série de fatores que os diferenciam. “A república é a tradicional moradia compartilhada por estudantes, que é gerida por eles mesmos. Já a proposta mais moderna tem um conceito mais amplo, pois incentiva a convivência de pessoas com interesses em comum, em locais projetados especialmente para potencializar essa experiência e administrados por uma equipe especializada, que promove também diversos eventos que fomentam a comunidade”, explica ele.

Além disso, a divisão das contas, como aluguel, água, luz e internet, costuma ser repartida entre seus moradores na república. Já quem opta pelo coliving paga um valor fixo à administradora do espaço. Com relação à mobília, na república, ela costuma ser de responsabilidade de cada um. No coliving, o pequeno espaço já vem equipado. Alguns contam com geladeira, micro-ondas e fogão.

Na república, o principal objetivo é ser uma opção de dormitório para estudantes e pessoas que trabalham em outra cidade. Por isso, normalmente não oferecem serviços adicionais. No novo conceito, o serviço dá direito a desfrutar de áreas de convivência como salão de jogos, sala de estudos, cozinha, rooftop e churrasqueira.

“Acreditamos que a experiência universitária fique ainda mais rica se compartilhada com outros jovens que estão passando pela mesma fase, mas que têm bagagens diferentes. É uma fase importante de amadurecimento e transição para a fase adulta”, completa o executivo.